Parar de fumar traz benefícios mesmo na terceira idade, diz estudo

  • Rosana Ribeiro
  • Publicado em 24 de maio de 2026 às 11:30
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Pesquisa mostra que abandonar o cigarro pode trazer ganhos em qualquer idade. Benefícios vão além dos pulmões e envolvem memória, circulação e sentidos

Quando uma pessoa decide parar de fumar, mesmo mais velha, ela interrompe uma agressão contínua ao organismo (Foto Já Imaginou Isso?)

 

Existe uma frase que muita gente repete quase como desculpa: “agora já é tarde demais”. Ela aparece quando alguém pensa em mudar de carreira, começar uma atividade física, cuidar melhor da alimentação ou abandonar um hábito antigo.

No caso do cigarro, essa ideia pode ser ainda mais forte. Afinal, depois de décadas fumando, será que parar de fumar ainda faz alguma diferença real?

Um estudo recente ajuda a responder essa pergunta com números bastante claros. A conclusão é animadora: sim, parar de fumar pode trazer benefícios mesmo em idades avançadas.

E não estamos falando apenas de pessoas jovens ou de meia idade. Segundo a pesquisa, até quem abandona o cigarro aos 65 ou 75 anos pode ganhar tempo de vida e reduzir riscos associados ao tabagismo.

A descoberta é importante porque boa parte das campanhas contra o cigarro costuma mirar os mais jovens. A lógica é compreensível, já que quanto antes alguém deixa de fumar, maior tende a ser o benefício acumulado ao longo da vida.

Mas isso acabou criando uma percepção perigosa: a de que fumantes mais velhos teriam pouco a ganhar ao largar o vício.

O novo estudo, publicado no American Journal of Preventive Medicine por pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, mostra que essa ideia não se sustenta.

Os cientistas calcularam taxas médias de mortalidade de acordo com idade e status de tabagismo, comparando pessoas que nunca fumaram, fumantes atuais e ex-fumantes que abandonaram o cigarro em diferentes fases da vida.

Por que parar de fumar ainda faz diferença depois dos 60?

O cigarro é um dos hábitos mais estudados pela medicina moderna, e seus efeitos no corpo são amplos. Ele afeta pulmões, coração, vasos sanguíneos, cérebro, pele, boca, olfato, paladar e até a capacidade de cicatrização.

Por isso, muita gente imagina que, depois de muitos anos de exposição, o dano já estaria completamente feito.

Mas o corpo humano não funciona como uma máquina quebrada sem possibilidade de reparo. Ele tem mecanismos de recuperação, adaptação e redução de risco.

Quando uma pessoa decide parar de fumar, mesmo mais velha, ela interrompe uma agressão contínua ao organismo. Isso não significa que todos os danos desaparecem, mas significa que novos danos podem ser evitados e que alguns sistemas passam a funcionar melhor com o tempo.

Impactos do cigarro nas fases da vida

No estudo, os pesquisadores estimaram quantos anos de vida seriam perdidos, em média, por pessoas que continuavam fumando em diferentes idades. Em comparação com quem nunca fumou, os fumantes que mantinham o hábito até os 35, 45, 55, 65 e 75 anos perderiam, respectivamente, 9,1 anos, 8,3 anos, 7,3 anos, 5,9 anos e 4,4 anos de vida em média.

Esses números mostram que o impacto do cigarro continua relevante em todas as fases da vida. No entanto, a parte mais interessante vem quando os cientistas analisam o que acontece com quem abandona o hábito.

Quem para de fumar mais cedo ganha mais tempo, naturalmente. Mas quem para mais tarde também se beneficia.

Entre pessoas que pararam aos 35 anos, o ganho médio estimado foi de cerca de 8 anos de vida em comparação com quem continuou fumando.

Já entre aqueles que largaram o cigarro aos 65 anos, a perda de vida evitada foi estimada em 1,7 ano. Para quem parou aos 75, o ganho médio foi de 0,7 ano.

Pode parecer pouco quando comparado aos ganhos de quem para jovem, mas, em termos de saúde pública e qualidade de vida, esses meses ou anos extras podem ser muito significativos.

Mais do que viver mais, a pessoa pode viver melhor, com menor risco de complicações associadas ao tabagismo.

fonte: Já Imaginou Isso?


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