Ele te segue pela casa e chora quando você para de fazer carinho? Entenda a diferença entre falta de estímulo e dependência emocional
Seu pet é carente ou só está entediado? Descubra e aprenda a tratar s dois tipos de comportamento (Foto Shutterstock)
Você senta para trabalhar e, dois minutos depois, sente um focinho gelado empurrando o seu cotovelo. Você vai ao banheiro e as patinhas aparecem por baixo da porta. Você tenta assistir TV e o pet deita exatamente na frente da tela.
Mas será que todo esse grude é apenas uma demonstração excessiva de amor? Muitos tutores confundem os sinais, tratando qualquer pedido de interação como “fofura” ou “carência”.
No entanto, na psicologia animal, existe uma linha tênue que separa a necessidade emocional da falta de atividade.
O que é a “carência” pet?
O que chamamos de carência é, na verdade, uma incapacidade do animal de se sentir seguro ou relaxado quando não está em contato direto com o tutor. Esse comportamento não tem a ver com “querer brincar”, mas sim com “precisar estar perto”.
É uma busca por conforto emocional. Um cão emocionalmente dependente vê no dono a sua única fonte de segurança no mundo. Quando essa fonte se afasta, o animal entra em estado de alerta e sofrimento.
Principais sinais de dependência:
A sombra: Ele te segue cômodo por cômodo, não para interagir, mas apenas para deitar no seu pé.
Vocalização triste: Choros baixinhos ou uivos quando você sai do campo de visão.
Toque físico constante: Ele precisa estar encostado em você o tempo todo para dormir.
Falta de interesse em outros: Ele ignora brinquedos ou petiscos se você não estiver participando.
Se o seu pet apresenta esses sinais, ele não está entediado; ele está inseguro. Dar bronca ou simplesmente ignorar pode piorar o quadro, pois aumenta a ansiedade do animal.
Se o seu pet sofre com a sua rotina, entenda os impactos emocionais: Sua rotina pode estar deixando seu pet ansioso
O que é o tédio canino (e felino)?
Diferente da carência, o tédio é um estado de subestimulação. O animal tem energia física e mental acumulada e não tem onde gastá-la.
O tédio acontece quando a rotina do animal é pobre em enriquecimento ambiental. Cães e gatos são caçadores por natureza. Logo, quando a vida se resume a comer ração no pote e dormir no sofá, o cérebro deles “pede socorro”.
Principais sinais de tédio:
Destruição: Roer móveis, cavar o sofá ou rasgar almofadas (geralmente quando você está por perto, para ver se você reage).
Latidos excessivos: Ele late para o nada, para a mosca ou para você, em um tom agudo e insistente.
Trazer objetos: Ele joga a bolinha no seu colo incessantemente ou rouba seus chinelos e sai correndo para que você vá atrás.
Agitação: Ele não consegue relaxar, anda de um lado para o outro.
Neste caso, o animal não precisa de um abraço; ele precisa de uma “missão”. Ele quer atenção porque você é a única coisa interessante na casa que se mexe.
Como diferenciar na prática?
Ainda na dúvida? Faça o teste do enriquecimento. Quando o seu pet começar a pedir atenção insistentemente, ofereça uma atividade independente e de alto valor.
Exemplo: um brinquedo recheável com comida úmida congelada, um osso recreativo ou um quebra-cabeça para pets.
Se for tédio: ele vai pegar o brinquedo e esquecer que você existe pelos próximos 30 minutos. O objetivo dele era a atividade.
Se for carência: ele vai cheirar o brinquedo, dar uma lambida e voltar a olhar para você ou tentar subir no seu colo. A comida não compensa a sua “ausência emocional”.
O que fazer para resolver?
O tratamento muda conforme o diagnóstico. Misturar as soluções pode ser frustrante.
Para o pet entediado: a solução é gasto de energia e enriquecimento ambiental.
Aumente a duração ou a intensidade dos passeios.
Pare de dar comida no pote: use tabuleiros, garrafas pet com furos ou esconda a ração pela casa.
Introduza treinos de obediência (senta, fica, dá a pata) para cansar a mente dele.
Se você quer acabar com o tédio dele, veja como aplicar o conceito na prática: Entenda a importância do enriquecimento ambiental
Para o pet “carente” (dependente): a solução é construção de autoconfiança e independência.
Pratique o “ficar”: ensine o comando e vá se afastando gradualmente dentro de casa.
Não recompense a demanda: se ele pular pedindo colo, vire de costas. Só dê carinho quando ele estiver com as quatro patas no chão e calmo.
Associe sua saída a coisas boas: dê um petisco incrível e saia do quarto por alguns minutos. Ele precisa entender que ficar longe de você também pode ser legal.
Entender o que seu amigo peludo realmente precisa é a maior prova de amor que você pode dar. O resultado será um convívio mais equilibrado e feliz para os dois.