Mais marmita e menos almoço fora de casa: inflação muda os hábitos de consumo

  • Cláudia Canelli
  • Publicado em 28 de maio de 2025 às 08:00
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Com alta nos preços, levar comida de casa para o trabalho vira alternativa para 76% dos consumidores, de acordo com pesquisa

Com variação de 5,53% pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) nos últimos 12 meses, a inflação tem alterado o comportamento alimentar dos brasileiros.

De acordo com a pesquisa “Alimentação hoje: a visão do consumidor de foodservice” da consultoria Galunion, cerca de 90% dos consumidores disseram ter reduzido gastos com refeições fora de casa de agosto de 2024 até março de 2025.

Entre os respondentes, 76% afirmam manter o hábito de levar marmita para o trabalho. O cenário vem desafiando os empreendedores do setor, que precisam se reinventar para manter a clientela e equilibrar as contas.

O levantamento, ao qual a revista Pequenas Empresas Grandes Negócios teve acesso com exclusividade, ouviu 1,8 mil consumidores a partir de 18 anos, das classes A, B e C em todo país, principalmente das regiões Sudeste (45%) e Nordeste (25%).

Questionário

A amostra é composta por um público 46,5% masculino, 53% feminino e 0,5% não-binário ou sem resposta, com maioria (69,5%) entre 25 e 60 anos. O questionário online foi enviado entre 25 e 31 de março de 2025.

No recorte da pesquisa, 56% dos entrevistados têm cargos em empresas, no formato remoto e ou presencial, 29% trabalham de forma autônoma e 15% têm se dividido entre empregos fixos e trabalhos autônomos para complemento da renda mensal.

A pesquisa ainda compara o número de pessoas que atuam no modelo híbrido nos últimos três anos. Em março de 2025, 43% delas trabalhavam nesse formato. Número que, em agosto do ano passado, era de 44%, mas que em julho de 2023 batia os 36%.

Jornada fragmentada

“A influência do trabalho no consumo é direta. Hoje, 43% trabalham de forma híbrida e, entre esses, muitos passam a preparar refeições em casa ou levam marmita ao trabalho. A previsibilidade menor na rotina afeta o consumo fora do lar e estimula a busca por flexibilidade nos formatos. O foodservice precisa responder com soluções que acompanhem essa jornada fragmentada”, destaca Galante.

Segundo a pesquisa da Galunion, para 62% dos participantes que levam marmita com alguma frequência, o principal motivo está relacionado à economia de dinheiro, seguido por comer de forma mais saudável para 60% e economizar tempo na refeição para 31%, com índice maior para a faixa etária de 18 a 24 anos, que salta para 42%.

Mais saúde

O foco maior na saúde e bem-estar entre os entrevistados também foi apontado pela pesquisa. Nos últimos dois anos, 58% prestaram mais atenção a rótulos e origem dos alimentos, e 46% passaram a cuidar mais da saúde por meio da realização de dietas e uso de suplementos. Nesse contexto, a redução do consumo de bebidas alcoólicas chegou a 39%.

Para o economista Bolívar Godinho, professor de Finanças na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), esse comportamento é uma reação direta à perda do poder de compra agravada pela inflação que vem afetando o setor de alimentação e bebidas.

Em abril, por exemplo, os preços subiram 1,14%, ante 1,09% em março, conforme os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As altas da batata-inglesa (18,29%), do tomate (14,32%) e do café moído (4,48%) contribuíram para esse resultado.


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