Incontinência urinária na gestação: veja as causas e como tratar

  • Rosana Ribeiro
  • Publicado em 4 de maio de 2025 às 08:30
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Aumento dos hormônios, crescimento do útero e sobrecarga da musculatura pélvica explicam a incontinência urinária em gestantes

Incontinência urinária durante a gestação é um problema comum – foto Shutterstock

 

A incontinência urinária na gestação é uma condição comum, mas muitas vezes subestimada, que afeta a qualidade de vida das gestantes.

Estima-se que cerca de 30% a 50% das mulheres enfrentam o problema, caracterizado pela perda involuntária da urina, que ocorre quando a musculatura do assoalho pélvico não consegue se contrair para fechar a uretra.

Assim, existem dois tipos de incontinência: a de esforço e a de urgência. No primeiro caso, a perda de urina ocorre no momento da realização de atividades que aumentam a pressão intra-abdominal, como rir, tossir ou levantar peso.

No caso da incontinência urinária de urgência, a necessidade súbita e incontrolável de urinar, muitas vezes, faz com que a paciente não consiga chegar ao banheiro a tempo.

Quais são as principais causas?

Durante a gravidez, diversas mudanças fisiológicas podem contribuir para o surgimento da incontinência urinária.

De acordo com o ginecologista e obstetra Nélio Veiga Junior, mestre e doutor em Tocoginecologia pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM/UNICAMP), os três principais fatores são: alterações hormonais, pressão do útero sobre a bexiga e fraqueza do assoalho pélvico.

“Primeiramente, o aumento dos hormônios progesterona e relaxina (hormônio que o corpo produz para preparar o aparelho reprodutor para o parto) promove o relaxamento dos músculos do assoalho pélvico e da uretra, reduzindo o controle urinário”.

“Depois, com o próprio crescimento do útero, a bexiga é comprimida, reduzindo sua capacidade de armazenar urina e aumentando a frequência urinária”.

“Por fim, a sobrecarga da musculatura pélvica pode levar à perda de força e controle, resultando em escapes involuntários de urina, especialmente ao tossir, espirrar ou realizar esforços físicos”, explica.

Como tratar a incontinência urinária na gestação?

Segundo o médico, embora a incontinência urinária na gestação seja temporária para a maioria das mulheres, algumas estratégias podem ajudar na prevenção e no controle do problema.

Beber líquidos na quantidade adequada e evitar o consumo excessivo de cafeína e bebidas gaseificadas, por exemplo, pode reduzir a irritação da bexiga.

Também é importante controlar o peso durante a gravidez. “O ganho de peso excessivo pode aumentar a pressão sobre a bexiga e os músculos pélvicos”, completa.

Além disso, a fisioterapia pélvica pode ser indicada. A prática do fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico com sessões de fisioterapia pélvica e exercícios de Kegel pode melhorar a continência urinária.

“Em casos persistentes, a orientação de um fisioterapeuta especializado pode ser fundamental para fortalecer a musculatura e evitar complicações futuras”, completa o ginecologista.

Procure ajuda caso o problema persista

Após o parto, algumas mulheres podem continuar apresentando sintomas de incontinência urinária, especialmente aquelas que tiveram múltiplas gestações, independente da via de parto. Nestes casos, o ideal é procurar um especialista para resolver o problema.

“Caso os sintomas persistam, é essencial buscar orientação médica para avaliação e tratamento adequado. A incontinência urinária na gestação é um problema comum, mas não deve ser negligenciado”.

“Com orientação de profissionais de saúde especializados, é possível reduzir os impactos dessa condição e garantir mais conforto e qualidade de vida para as gestantes”, finaliza Nélio Veiga Junior.

Fonte: Alto Astral


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