Erisipela: primeiros sintomas não aparecem na perna; veja como identificar

  • Dayse Cruz
  • Publicado em 30 de maio de 2024 às 11:30
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A erisipela é uma infecção que afeta a pele, causada por uma bactéria que penetra o tecido cutâneo ou as mucosas

Erisipela é uma infecção causada por bactéria e pode se tornar grave – foto Jornal Correio

 

A erisipela é uma infecção de pele geralmente causada pela bactéria Streptococcus pyogenes do grupo A.

A bactéria penetra a pele ou mucosas através de pequenos ferimentos, como picadas de insetos ou micose de unha, espalhando-se pelos vasos linfáticos e podendo atingir tecidos subcutâneos e gordurosos.

Fatores de Risco

A cirurgiã vascular e angiologista da Venous, Camila Helena, explica que, embora a erisipela não seja altamente contagiosa, alguns fatores de risco aumentam as chances de desenvolver a doença:

– Feridas na pele: pequenos cortes, arranhões, úlceras ou picadas de insetos.

– Condições de saúde: diabetes, insuficiência venosa, linfedema, obesidade e doenças de pele crônicas como eczema ou psoríase.

– Sistema imunológico enfraquecido: pessoas com sistemas imunológicos comprometidos, devido a doenças ou tratamentos médicos, são mais suscetíveis.

Sintomas da Erisipela

Antes de se manifestar na pele, a erisipela pode causar febre alta (entre 38 e 40 graus), mal-estar, náuseas, inchaço, além de calor e dor na área afetada.

Entre 24 a 48 horas após o início desses sintomas, manchas podem aparecer no local.

“Entre 70% a 90% dos casos de erisipela acometem os membros inferiores, 2% a 9% os membros superiores, enquanto a erisipela facial é encontrada em apenas 6% a 19% dos casos”, relata a especialista.

Diagnóstico

O diagnóstico da erisipela é principalmente clínico, baseado no exame da área afetada e na história do paciente. Os passos típicos incluem:

– Avaliação clínica: O médico examina a área afetada procurando sinais típicos, como vermelhidão, inchaço, calor e dor. A borda da área infectada é frequentemente bem definida e elevada.

– História do paciente: O médico investiga sintomas, início e progressão da infecção, possíveis fatores de risco, e histórico de infecções cutâneas anteriores.

– Exames complementares: Embora não sejam sempre necessários, exames de sangue e culturas bacterianas podem ser realizados para confirmar o diagnóstico ou descartar outras condições.

Exames de imagem como ultrassom e ressonância magnética podem ajudar na avaliação da extensão da doença e complicações.

Tratamento

O tratamento da erisipela envolve principalmente o uso de antibióticos e medidas de suporte, tais como:

– Elevação da área afetada: Manter a área infectada elevada pode ajudar a reduzir o inchaço.

– Analgésicos e anti-inflamatórios: Para aliviar a dor e reduzir a inflamação.

– Cuidados com a pele: Manter a pele limpa e hidratada.

– Tratamento de condições subjacentes: Controlar doenças crônicas como diabetes, insuficiência venosa ou linfedema para reduzir o risco de recorrência.

Se a erisipela não for tratada adequadamente, várias complicações podem surgir. Camila Helena aponta principalmente:

– Abscessos e celulite: A infecção pode se aprofundar na pele e nos tecidos subjacentes.

– Sepse: A bactéria pode entrar na corrente sanguínea, causando uma resposta inflamatória sistêmica grave que pode ser fatal.

– Linfangite e linfedema: A infecção pode se espalhar para os vasos linfáticos, potencialmente levando a linfedema crônico.

– Necrose cutânea: A falta de tratamento adequado pode levar à morte do tecido infectado.

– Trombose venosa profunda: Pode estar associada a 1 a 5% dos pacientes.

– Infecção recorrente: Sem tratamento adequado, a erisipela pode se tornar uma condição recorrente, levando a infecções repetidas e crônicas.

“Para evitar essas complicações, é crucial buscar tratamento médico imediatamente ao notar os primeiros sinais de erisipela e seguir rigorosamente o regime de tratamento prescrito pelo médico”, enfatiza a profissional.

Prevenção da Erisipela

Camila Helena sugere algumas medidas preventivas que podem ajudar a evitar a erisipela, focando na manutenção da saúde da pele e na gestão de fatores de risco:

– Cuidado com a pele: Manter a pele limpa e hidratada para evitar rachaduras.
– Tratamento de feridas: Limpar e cobrir adequadamente qualquer corte, arranhão, picada de inseto ou úlcera.
– Controle de condições subjacentes: Gerir diabetes, insuficiência venosa, linfedema e obesidade.
– Prevenção de infecções recorrentes: Uso de antibióticos para prevenção de recorrências.
– Manter boa circulação: Evitar roupas apertadas e longos períodos de imobilidade.

“No caso de pacientes com insuficiência venosa crônica e linfedema, o uso de meias elásticas pode contribuir para prevenir a recorrência da erisipela”, finaliza a médica.

A erisipela, embora tratável, requer atenção rápida e contínua para prevenir complicações graves e recorrências.

Manter-se atento aos fatores de risco e adotar medidas preventivas são essenciais para uma pele saudável e livre de infecções.

*Informações Saúde em Dia

 


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