CPI da Covid virou o novo BBB 21: tem grande audiência e torcida contra e a favor

  • Cláudia Canelli
  • Publicado em 19 de maio de 2021 às 12:00
  • Modificado em 19 de maio de 2021 às 12:11
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Com torcida contra e a favor e imensa cobertura da imprensa, CPI da Covid se transformou num novo BBB 21, que todos assistem

Senadores participantes da CPI da Covid. (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

O enredo é trágico, os personagens vestem o figurino indicado (com papéis bem definidos), há periodicidade na apresentação dos capítulos e o final pode ser surpreendente.

Uma matéria publicada pelo Estadão, diz que com o fim do Big Brother Brasil, a CPI da Covid virou o novo reality show dos brasileiros.

E com recordes de audiência.

O canal criado pelo Senado no Youtube para informar sobre o andamento da comissão soma mais de 3 milhões de acessos em menos de um mês.

Juntos, os vídeos sobre a investigação só perdem em visualização para a sessão do impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Com a “apresentação” de apenas sete depoimentos, a CPI criada para investigar ações e omissões do governo Jair Bolsonaro ao longo da pandemia caiu na boca do povo e cenas dos próximos capítulos são aguardadas com expectativa pelo público.

Nesta terça, 18, a fala do ex-chanceler Ernesto Araújo foi vista mais de 372 mil vezes.

Nos intervalos ainda foi possível acompanhar coberturas extraoficiais cheias de humor e ao gosto do freguês.

O comediante Marcelo Adnet, por exemplo, famoso pelas imitações que faz, narrou parte do depoimento do diplomata como se fosse uma partida de futebol apresentada por Galvão Bueno e comentada pelo ex-jogador Casagrande.

Presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, cumprimenta o presidente da CPI, senador Omar Aziz (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

“Ele vai enrolando, ela vai gaguejando, não sabe o que é o que. Parece inebriado pelo álcool em gel, suas palavras não fazem mais sentido, vai dando voltas com a bola em campo.”

Em três horas, os dois primeiros posts de Adnet no Twitter já tinham mais de 470 mil acessos e eram comentados até mesmo por deputados federais.

“No meio de tantas tragédias e tantas mentiras, ainda bem que temos a genialidade do Adnet”, afirmou Ivan Valente (PSOL-SP).

Ex-secretário de Comunicação da Presidência da República Fabio Wajngarten na CPI (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

Piadas à parte

Piadas à parte, o interesse pela CPI é tanto entre eleitores e apoiadores de integrantes da comissão que senadores têm checado suas redes sociais em pleno interrogatório.

Durante a fala do ex-secretário de Comunicação Fabio Wajngarten, um vídeo postado nas redes chegou a ser apresentado por Rogério Carvalho (PT-SE) para desmentir declaração dada por ele minutos antes.

Para o cientista político Marco Antonio Teixeira, da FGV-SP, são vários os motivos que explicam esse interesse popular pela CPI da Covid.

Retórica

“Primeiro, o assunto, que é impactante e tem a ver com a vida de muitas pessoas. Depois, os ‘personagens’ são bons e travam duelos retóricos dignos de um espetáculo. E, por fim, o assunto não é técnico”.

“Diferentemente da CPI da Petrobrás, por exemplo, que era chamada de a CPI do engenheiro, os temas tratados agora são de domínio público, ou seja, não exigem conhecimento técnico”, diz.

Teixeira ainda destaca que a comissão tem o potencial de explicar à população de fato quais políticas ou quais ausências de políticas colaboraram para a tragédia humana que a crise sanitária representa no Brasil, com mais de 430 mil mortos.

“Há a necessidade, diante de tantos mortos, de se buscar respostas, apontar os erros e os responsáveis, apesar de a maioria da população já conhecer o script.” Esse é o lado mais dramático da CPI, cujo material é o sofrimento.”

Interatividade

Senadora Leila Barros e senador Fernando Bezerra Coelho conversam na CPI da Pandemia (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

No Telegram, que teve participação massiva na edição do BBB 21, a diversão atual dos grupos e canais não é observar uma casa com anônimos e famosos, mas sim seguir todos os bate-bocas que se desenrolam no Senado.

No texto, a redatora Adriana Ferraz lembra que um dos maiores grupos dedicados a comentar o BBB 21 no Telegram, o Canal Espiadinha, entendeu a popularidade da comissão e já soma quase 150 mil inscritos

Os “melhores momentos dos depoimentos” também têm sido editados pelos parlamentares e postados como uma “novela” em seus perfis na internet.

O relator Renan Calheiros (MDB-AL) é um dos senadores que lança mão dessa ferramenta. Pelas suas redes, é possível relembrar parte de suas interferências ao longo das falas dos depoentes e ainda enviar perguntas para serem feitas aos depoentes.


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