Aprenda a identificar e prevenir os deslizes que podem fazer a sua obra sair do orçamento previsto
Alguns erros podem fazer o orçamento sair do controle e transformar o seu sonho em uma dor de cabeça – foto Freepik
A realização de uma obra, seja ela a construção de um novo espaço, seja a reforma de um ambiente existente, traz uma sensação de conquista e renovação.
No entanto, para que tudo saia conforme o planejado – sem surpresas desagradáveis – é essencial ter um bom planejamento.
Caso contrário, alguns erros podem fazer o orçamento sair do controle e transformar o seu sonho em uma dor de cabeça.
“O planejamento de qualquer atividade, em especial de uma obra, é essencial para podermos provisionar as atividades que serão realizadas, bem como os recursos financeiros para a sua execução”.
“Esta etapa é essencial e primordial para que o orçamento não extrapole os nossos limites”, afirma Alexandre Ferraz de Campos, coordenador do curso de Engenharia Civil da Faculdade Anhanguera.
A importância de um bom planejamento
Segunda a arquiteta Manoella Alves, tudo feito com organização, previsibilidade e planejamento auxilia na economia. “Em obras, isso não é diferente.
Se já temos definido, em projeto, tudo o que será usado em determinada construção, conseguimos prever o custo dela e se está dentro da expectativa financeira do cliente”, garante.
Ela explica que a programação deve considerar possíveis reajustes de valores para cada fase da obra.
“É o que chamamos de margem, mas com o planejamento bem feito essa margem é só uma medida de segurança para que não se ultrapasse o limite do que pode ser investido, assim não geramos frustrações e desgaste com o cliente”, esclarece a arquiteta.
Erros mais comuns que podem aumentar os custos e atrasar a obra
Os erros mais comuns acontecem em contrações de serviços, especialmente quando mal gerenciados.
“Seja qual for a obra, é essencial ser respeitada a sequência das etapas construtivas, pois é desta forma que conseguimos minimizar o retrabalho, fator este que está diretamente vinculado aos custos”.
“Quanto maior o retrabalho, maior será o desembolso”, avisa Alexandre. Confira quais são eles:
1. Falta de detalhamento do projeto
Um projeto mal detalhado pode gerar retrabalho, desperdício de materiais, atrasos na execução e até mesmo problemas de segurança – tudo isso contribuindo para um aumento inesperado nas despesas.
“Quando não contemplamos os detalhes de execução da atividade, ficamos muito vulneráveis a se deparar com gastos não previstos pela falta de informação que deveria estar em projeto”, diz Alexandre.
2. Erros na quantificação de materiais e 3. Mão de obra desqualificada
A imprecisão na quantificação de materiais leva a excessos ou faltas de estoque. Já a mão de obra desqualificada contribui para retrabalho, atrasos e problemas de qualidade, elevando os custos operacionais.
“Não havendo o detalhamento do projeto, é evidente que erros na quantificação de materiais e mão de obra deverão acontecer, pois será inviável mensurar a quantidade de materiais necessários para execução e tão pouco prever a duração da atividade”, ele comenta.
4. Orçamento inadequado
Se o orçamento for mal elaborado ou inexistente, também pode levar a imprevistos, atrasos, retrabalho e, consequentemente, a gastos adicionais que não foram planejados.
“Na sequência, iremos nos deparar com um orçamento incorreto, de forma que demandaremos mais tempo e gastos com fretes para as compras complementares”, continua Alexandre.
5. Falta de cronograma realista
O cronograma que estabelece prazos muito curtos ou impossíveis de serem cumpridos, com base em expectativas pouco factíveis ou em uma análise inadequada da realidade da obra, torna-se irreal, podendo gerar frustração, retrabalho, custos adicionais e até mesmo o abandono da obra.
“Posto este cenário, o cronograma ficou comprometido, ou seja, não real”, afirma o coordenador.
6. Ausência de gestão da obra
A falta de acompanhamento técnico e gerenciamento adequado pode trazer diversas consequências negativas, que impactam diretamente o orçamento da obra.
“Para que o caos se instale, basta incluir a ausência de profissionais que possam fazer a gestão da obra, estabelecendo prioridades e organizando o dia a dia”, ele reitera.
7. Sair do planejamento
É comum que ocorram desvios no planejamento durante a execução de uma obra, porém a equipe de gestão deve ficar atenta para tomar medidas corretivas e minimizar seus impactos.
“O problema é que, na soma final, essas trocas geram um custo extrapolado da obra. São itens que, no momento, parecem pouco. Um exemplo clássico: quando troca o piso por um que só tem R$ 10 de diferença por metro quadrado”, exemplifica a arquiteta.
8. Modificações durante a obra
Segundo Manoella, o maior erro que as pessoas cometem são as modificações durante a obra. “O retrabalho custa muito caro”.
“O cliente precisa entender que o momento de fazer modificações, ajustes ou tirar dúvidas, é durante a elaboração do projeto enquanto a obra ainda é apenas papel, porque depois que obra começa a acontecer, tudo gera muito mais transtorno e custo alto”, alerta.