Telas ganham cada vez mais espaço e leitura perde terreno entre o público jovem

  • F. A. Barbosa
  • Publicado em 16 de agosto de 2026 às 16:00
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Mudança de hábitos pode afetar concentração, vocabulário, capacidade de interpretação e a formação do pensamento crítico

Em uma rotina cada vez mais dominada por celulares, tablets, computadores e plataformas de vídeos, o hábito de ler livros vem perdendo espaço, principalmente entre as gerações mais jovens.

Para muitas pessoas, passar horas diante de uma tela tornou-se mais natural do que dedicar tempo à leitura de uma obra do início ao fim com entusiasmo.

A diferença está, em grande parte, na forma como cada atividade prende a atenção. As telas oferecem estímulos rápidos e constantes, com vídeos curtos, imagens, notificações e informações que se renovam a todo instante.

O livro, por outro lado, exige um ritmo mais lento, concentração e disposição para acompanhar uma narrativa ou desenvolver uma ideia ao longo de várias páginas.

Esse comportamento pode ter consequências. A redução do contato frequente com textos mais longos pode dificultar a manutenção da atenção por períodos prolongados e tornar mais difícil lidar com conteúdos que exigem concentração, interpretação e reflexão.

A leitura também desempenha papel importante na ampliação do vocabulário e na capacidade de compreender diferentes formas de expressão.

Outro efeito está relacionado à formação do pensamento crítico. Ler exige que o leitor acompanhe argumentos, compare informações, imagine situações e construa suas próprias interpretações.

Quando o consumo de conteúdo se concentra excessivamente em materiais rápidos e fragmentados, existe o risco de a pessoa se acostumar a receber informações prontas, sem dedicar o mesmo tempo para questioná-las ou aprofundá-las.

Isso não significa que as telas sejam necessariamente prejudiciais ou que devam ser abandonadas. Elas também oferecem acesso a conhecimento, educação, notícias, literatura e inúmeras ferramentas úteis.

O problema aparece quando o uso excessivo substitui atividades importantes para o desenvolvimento intelectual, entre elas a leitura.

O desafio, portanto, não está em escolher entre tecnologia e livros, mas em encontrar equilíbrio. É possível utilizar as ferramentas digitais sem abrir mão do hábito de ler.

Reservar alguns minutos por dia para um livro, reduzir as distrações durante a leitura e estimular crianças e adolescentes desde cedo são atitudes simples que podem ajudar a preservar esse hábito.

Em uma sociedade na qual a informação chega cada vez mais rapidamente, talvez um dos maiores desafios seja justamente aprender a desacelerar.

Afinal, ler um livro não significa apenas acumular informações. É também exercitar a atenção, ampliar a imaginação, desenvolver a linguagem e criar condições para pensar com mais profundidade em um mundo acostumado à velocidade das telas.


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