Literatura, música e artes cênicas dão espaço à diversidade, com destaque para perspectivas indígenas e paraenses no Sesc Franca
Encerrando a pauta no dia 30 de agosto, o espetáculo Belmira, dirigido por Carla Zanini (Foto: Brendo Trolesi )
As manifestações artísticas desempenham papel fundamental e histórico na expressão das diversidades.
Na semana em que se comemora o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica — uma data de celebração e reparação, dia 29 de agosto, o Sesc Franca apresenta uma programação que homenageia as mulheres lésbicas e comemora a força, o olhar sensível e a importância de sua representatividade para a sociedade e a cultura.
A data foi criada em 1996, durante o 1º Seminário Nacional de Lésbicas, para lembrar a existência da mulher lésbica, bem como as violências sofridas e as pautas que são reivindicadas pelo movimento.
Abrindo a pauta da semana, o projeto Conversas Públicas recebe, no dia 28 de agosto, a escritora Auritha Tabajara e a rapper Katú Mirim para um encontro inédito na Praça do Sesc Franca.
Diálogo coletivo
A atividade propõe um diálogo coletivo, no qual o público define os temas a serem abordados pelas convidadas, que compartilham suas reflexões a partir de suas vivências, experiências e trajetórias.
O objetivo é estimular o pensamento crítico, fortalecer o intercâmbio de saberes e ampliar a escuta sobre experiências historicamente silenciadas. Após a conversa, Katú Mirim realiza apresentação musical.
Auritha Tabajara é escritora, poeta, contadora de histórias, oficineira e palestrante. Reconhecida como a primeira cordelista indígena do Brasil, é autora do livro Coração na Aldeia, Pés no Mundo, publicado em 2018, além de Magistério Indígena em Verso e Poesia, leitura recomendada nas escolas públicas do Ceará.
Com textos publicados em diversas antologias, Auritha também assina o roteiro do filme A Mulher sem Chão, escrito em parceria com Débora McDowell.
Ativista indígena
Katú Mirim é mulher lésbica, rapper, compositora e ativista indígena. Em suas composições, utiliza o rap e o rock como ferramentas de denúncia e reflexão sobre temas como demarcação de terras, presença indígena nos contextos urbanos, apropriação cultural e preservação da ancestralidade.
Suas letras propõem novas narrativas sobre a história da colonização e reforçam a resistência dos povos originários no cenário atual.
Encerrando a pauta no dia 30 de agosto, o espetáculo Belmira, dirigido por Carla Zanini, retrata a história de Marta, uma professora paraense sobrevivente de um atentado escolar, que compartilha reflexões sobre educação e o seu vínculo com a enigmática professora Belmira.
Embaladas pelas canções da paraense Dona Onete, as memórias do romance entre Marta e Belmira emergem na tentativa de elaboração do trauma vivido.
Carla Zanini, nascida em Franca/SP, é atriz, dramaturga, diretora, locutora e cofundadora da DeSúbito Cia., formada como atriz pela Escola de Arte Dramática (EAD/USP) e bacharel em dramaturgia pelo Departamento de Artes Cênicas da Universidade de São Paulo (CAC/ECA/USP).
AÇÕES PARA A CIDADANIA | CONVERSAS PÚBLICAS
Com Auritha Tabajara, escritora, e Katú Mirim, compositora e ativista.