No fim da década de 1980, cerca de 13% das pessoas tinham sobrepeso no país; hoje, são mais de 50%
O brasileiro mudou seu estilo de vida nas
últimas décadas e isso pode trazer impactos para a saúde e o bem-estar da
população. Isso é o que afirmou o educador físico Márcio Atalla, na I Conferência Aché e Geriatria Juntos Pela
Longevidade, que ocorreu em 25 e 26 de novembro, em Campinas (SP), com chancela
da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). “É possível que
tenhamos a primeira geração que viverá menos que seus pais”, alerta Atalla.
Segundo o especialista, o estilo de vida é
determinado pelo que uma pessoa faz na maior parte dos dias – e a conclusão é
que o brasileiro está cada vez mais sedentário. “Em 1989, as pessoas andavam
cerca de dez mil passos diariamente e tinham uma alimentação 70% in natura.
Atualmente, elas caminham muito menos e têm 70% da alimentação baseada em
produtos industrializados. O brasileiro deixou de gastar 350 calorias por dia,
isso é cerca de uma hora na esteira da academia”, explica o especialista.
No fim da década de 1980, cerca de 13% das
pessoas tinham sobrepeso no País. Hoje, são mais de 50%. Segundo estudo recente
publicado pela revista médica The Lancet, o custo do sedentarismo é de
US$ 68 bilhões, o que traz discussões de governos e empresas para amenizar os
gastos.
De acordo com Atalla, investir em atividades
físicas ajuda a combater a maioria dos males modernos, como doenças cardíacas,
hipertensão, diabetes, câncer e depressão, por contribuir para reduzir o
sobrepeso e agir de forma anti-inflamatória no corpo humano. “Porém é preciso
começar com uma pequena dose e aumentar gradativamente”, afirma.
Segundo o especialista, além de fazer
exercícios planejados, é importante realizar atividades não programadas.
Exemplos de políticas de sucesso são Copenhagen e Amsterdam, que foram
planejadas para a mobilidade e hoje possuem mais bicicletas do que carros,
contribuindo para a qualidade de vida da população, que se movimenta mais no
cotidiano.
“É preciso mexer no meio ambiente para que as
pessoas possam se movimentar mais. O melhor movimento é aquele conseguimos
incorporar no dia a dia, como trabalhar mais tempo em pé, acumular passos (dez
mil por dia), subir escadas e andar de bicicleta em trajetos diários”.
Para o especialista, a preocupação com a
longevidade deve começar já na infância. “Hoje, uma criança passa cerca de
cinco horas na frente de uma tela e não tem mais tempo e estímulo para se
movimentar. Se não cuidarmos de nossas crianças, teremos muitos problemas no
futuro. Atividade física é positiva para a cognição, pois aumenta a produção de
novos neurônios e ajuda para uma maior oxigenação do sangue, contribuindo para
o aprendizado e atividades do dia a dia”, afirmou Atalla.