São Paulo registra queda nas exportações de calçados; retração no mercado externo

  • Roberto Pascoal
  • Publicado em 13 de setembro de 2026 às 15:00
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Estado é o terceiro maior exportador do país; desempenho tem impacto direto em Franca e região

A indústria calçadista brasileira enfrenta um cenário de retração nas exportações em 2026, com reflexos também em São Paulo, terceiro maior estado exportador de calçados do país. O desempenho ganha importância para Franca e região, onde a fabricação de calçados está entre os principais segmentos da atividade industrial e tem forte participação na economia local.

Em agosto, as fábricas paulistas embarcaram 433 mil pares de calçados, que resultaram em US$ 6,73 milhões em receita. Na comparação com agosto de 2025, houve queda de 28,7% no volume exportado e de 19,9% no valor obtido com as vendas ao exterior.

No acumulado entre janeiro e agosto, o desempenho também foi negativo. São Paulo exportou 3,9 milhões de pares, movimentando US$ 55,5 milhões. Os números representam retração de 17,6% na quantidade de pares e de 18,6% na receita, em relação ao mesmo período do ano passado.

O resultado paulista ocorre em um momento de pressão sobre as exportações brasileiras de calçados, setor que tem nos Estados Unidos e em outros mercados internacionais importantes destinos para a produção nacional. Para Franca, o cenário merece atenção justamente pela relevância da cadeia calçadista, que envolve fabricantes, fornecedores de componentes, prestadores de serviços, comércio e trabalhadores ligados direta ou indiretamente à atividade.

Rio Grande do Sul lidera

O Rio Grande do Sul continua na liderança entre os estados brasileiros exportadores de calçados. Em agosto, foram embarcados 2,46 milhões de pares, com receita de US$ 34,95 milhões. Na comparação anual, o estado registrou queda de 14,7% no volume e de 16,6% no faturamento.

De janeiro a agosto, as exportações gaúchas chegaram a 22 milhões de pares, que geraram US$ 269,54 milhões. O volume cresceu 3,2%, mas a receita recuou 14,4% ante o mesmo período de 2025.

O Ceará aparece na segunda colocação. Em agosto, o estado exportou 1,8 milhão de pares, por US$ 12,55 milhões, com redução de 1,9% na quantidade e aumento de 24,8% na receita.

No acumulado do ano, porém, o Ceará também apresenta retração: foram 17,52 milhões de pares e US$ 97,3 milhões, quedas de 17,8% e 23,8%, respectivamente.

Reflexo para Franca

Embora os números apresentados sejam referentes ao Estado de São Paulo, o desempenho tem especial relevância para Franca. Conhecida nacionalmente pela tradição na fabricação de calçados, a cidade mantém uma extensa cadeia produtiva ligada ao setor, que representa uma das principais bases da indústria e da geração de atividade econômica no município e em cidades da região.

A redução das vendas externas pode aumentar a pressão sobre as empresas que dependem do mercado internacional, especialmente em um período de custos elevados e de maior concorrência entre os grandes polos produtores de calçados.

Ao mesmo tempo, o comportamento das exportações é um dos indicadores acompanhados pelo setor para avaliar a demanda internacional e as perspectivas para a produção nos próximos meses.


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