Quatro coisas que você faz e que não funcionam contra o coronavírus

  • Nene Sanches
  • Publicado em 19 de fevereiro de 2021 às 22:00
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Na rua e em casa a limpeza passou a ser um elemento essencial, mas certos atos não garantem imunização contra o vírus

Usar máscara, lavar e desinfetar as mãos com frequência e manter o distanciamento social, são medidas que têm vindo a ser continuamente recomendadas por médicos e autoridades de saúde de todo o mundo.

E, até ao momento, juntamente com a vacina, são as regras de ouro para evitar a infecção pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, causador da Covid-19.

Contudo, e perante o cenário caótico de pandemia, esses não são os únicos passos que seguimos para nos proteger do coronavírus.

Conforme reporta a CNN, numa tentativa de reabertura, os países adotaram várias medidas, como a medição da temperatura em locais públicos, instalação de desinfeção com esteiras e até cabines.

Já em casa, a limpeza passou a ser um elemento essencial: da roupa, dos sapatos e até dos sacos das compras e mercearias.

Porém, essas medidas são realmente eficazes? A CNN entrevistou vários médicos sobre o assunto:

1. Desinfecção de tapetes, cobertura de sapatos e desinfeção das solas, desinfecção de pneus de automóveis

O consenso entre os especialistas consultados é que essas medidas não funcionam, no entanto consideram que desinfetar o calçado ou deixá-lo no exterior da casa pode impedir a entrada de sujeiras e de seres contaminantes.

“A verdade é que os vírus não vêm no lugar, não flutuam no ar. E se ficarem no sapato, não sobem”, explica a virologista María Fernanda Gutiérrez, da Universidade Javeriana de Bogotá, na Colômbia.

“É inútil, há muito pouco que pode ajudar”, afirma Diego Rosselli, professor de Epidemiologia da Universidad Javeriana.

“Sabe-se que a transmissão do vírus por superfícies é menor do que se pensava inicialmente”, diz.

2. Limpar as sacolas de compras

Esta ação funciona contra o coronavírus? Não.

Segundo Gutiérrez: “à probabilidade do vírus ficar preso no saco é baixa e não é fácil retirá-lo porque sai em pedaços. Para se infectar e poder contaminá-lo (se o vírus estiver lá), o saco teria basicamente que explodir”.

“O importante é lavar as mãos depois de recolher os sacos. Não são os sacos que transmitem o vírus, são as mãos”, explica.

Para Rossellini: “lavar as mãos continua a ser uma recomendação básica devido ao risco das mãos no nariz ou na boca criarem um mecanismo de entrada”.

“Sobre a limpeza dos sacos do supermercado, há polêmica, pois há quem continue a recomendar só para prevenir. Acho que o consenso é não”, conta o especialista.

“Aprendemos que a principal forma de transmissão desta doença é através de aerossóis no trato respiratório. No início, fevereiro, março, assistimos a uma histeria em massa, porque não sabíamos”, elucida o médico Elmer Huerta, oncologista, especialista em Saúde Pública e colaborador da CNN.

A revista Nature, explica Huerta, também publicou um artigo científico acerca do contágio por superfícies: embora seja possível, é muito raro.

3) Medição de temperatura

Outra medida que, de acordo com os especialistas, simplesmente não funciona.

“Nem no pulso ou em qualquer lugar. Um dos motivos consiste no fato do vírus no geral não produzir febre”, diz Gutiérrez.

“Apenas 10% das pessoas que transmitem o vírus e contaminam outros têm febre. Então estaríamos analisando um grupo muito restrito de pessoas”, acrescenta Rosselli.

4. Despir a roupa ao chegar em casa e usar roupas antivirais

Funciona contra o coronavírus? Neste caso, depende.

O vestuário antiviral contribui para prevenir que o vírus se fixe e permaneça no tecido. A roupa usada por médicos e profissionais de saúde não deve sair do hospital, pois essas pessoas estão expostas a elevadas cargas virais de doentes com Covid-19 durante longos períodos de tempo.

Também funciona para pessoas que estão em ambientes movimentados. “Todavia, se vem da rua e precisa de trocar de roupa, não”, conclui Rosselli.


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