Entenda como cães e gatos respondem à queda de temperatura e quais ajustes ajudam a preservar o bem-estar deles nessa fase
Quando as temperaturas caem, não são apenas os responsáveis que mudam pequenos hábitos da rotina. Cobertores saem do armário, os passeios ficam mais curtos, a casa permanece mais fechada e os animais também passam a reorganizar o próprio comportamento.
Alguns cães demonstram mais disposição para caminhar em horários amenos, enquanto outros preferem permanecer recolhidos. Já os felinos buscam cantos mais aquecidos, reduzem a movimentação e passam mais tempo em repouso.
Ao mesmo tempo, cada animal pode reagir de uma forma ao inverno, de acordo com seu metabolismo, rotina e nível de atividade: em alguns, o apetite pode aumentar; em outros, diminuir, criando dúvidas sobre como ajustar a alimentação nesse período.
Essas mudanças não acontecem por acaso. O frio exige que o organismo trabalhe para manter a temperatura corporal estável, processo conhecido como termorregulação. Em animais mais ativos, que vivem em áreas externas ou que têm maior exposição a ambientes frios, esse esforço pode elevar discretamente o gasto energético.
Redução da atividade física
Já pets que passam mais tempo dentro de casa, em locais aquecidos e com redução de atividade física, podem apresentar comportamento oposto: menos movimento e menor necessidade calórica.
Segundo Bruna Isabel Tanabe, médica-veterinária e gerente de produtos da Pet Nutrition, o inverno exige uma leitura mais individualizada.
“A queda de temperatura influencia metabolismo, disposição e padrão de repouso, mas cada animal responde de uma forma. Antes de fazer qualquer ajuste na alimentação, o responsável precisa observar se houve mudança real no nível de atividade, na condição corporal e no comportamento geral do pet”, explica.
A partir dessa observação, o cuidado passa ser em adaptar a rotina alimentar ao comportamento do animal, e não somente aumentar ou reduzir porções.
Correntes de ar
Em dias frios, alguns pets aceitam melhor a refeição quando ela é oferecida em locais protegidos de correntes de ar, em momentos de maior disposição e sem competição com estímulos externos.
Para pets mais seletivos, especialmente gatos e idosos, aroma, textura e temperatura também podem influenciar o interesse pela comida.
Os petiscos entram nesse contexto como parte da construção de uma rotina mais ativa no inverno.
Como muitos cães e gatos reduzem espontaneamente a movimentação, os snacks podem ser usados para criar pequenos momentos de estímulo dentro de casa e de interação com o tutor, sem depender apenas de passeios longos ou brincadeiras intensas.
Curiosidade
A ideia é transformar a oferta em uma experiência que envolva deslocamento, atenção e curiosidade.
Para os cães, isso pode acontecer por meio de atividades leves, como procurar pequenas porções em diferentes cômodos, seguir trajetos curtos guiados pelo responsável ou interagir com objetos próprios que exijam manipulação simples.
Já no caso dos felinos, o estímulo tende a funcionar melhor quando respeita o comportamento exploratório da espécie: pequenas quantidades em pontos de passagem, recipientes que incentivem toque e investigação ou locais que estimulem deslocamentos curtos já ajudam a tornar o ambiente mais interessante.
“Esse uso também contribui para manter o vínculo durante uma estação em que a convivência pode ficar mais concentrada dentro de casa. Quando o responsável cria pequenas oportunidades de interação ao longo do dia, o animal não depende apenas dos momentos tradicionais de passeio ou refeição para se engajar com o ambiente. Isso é especialmente relevante para pets que passam mais tempo em repouso no inverno”, elucida Bruna.
Hidratação
Outro ponto que merece atenção é a hidratação. Com temperaturas mais baixas, alguns animais bebem menos água, especialmente os felinos, que já possuem menor tendência espontânea à ingestão hídrica.
Distribuir potes pela casa, observar a frequência de consumo e manter água fresca disponível e considerar a oferta de alimentos com maior umidade na composição, como opções úmidas ou preparações específicas, são cuidados simples que ajudam a preservar o equilíbrio do organismo.
O sono também pode se reorganizar nos dias frios, mas nem todo aumento de repouso indica problema. “A atenção deve estar na combinação de sinais.
Um animal que descansa mais, mas mantém interesse por comida, interação e estímulos, provavelmente está apenas ajustando seu comportamento à estação. Já prostração, recusa alimentar persistente, perda de peso, tremores frequentes ou isolamento excessivo exigem avaliação veterinária”, alerta a profissional.
O inverno pede uma leitura mais atenta dos pequenos sinais. Ao observar como o pet come, se movimenta, descansa e interage, o responsável ajuda o pet a atravessar a estação com mais conforto, equilíbrio e bem-estar.