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Pessoas vacinadas contra covid podem transmitir vírus e adoecer; entenda porquê

  • Rosana Ribeiro
  • Publicado em 18 de abril de 2021 às 16:00
  • Modificado em 19 de abril de 2021 às 12:25
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Para ter efeito no organismo, a substância precisa de pelo menos 14 dias após a segunda dose para se estabelecer (quando o imunizante é aplicado em duas doses)

Pessoas que já foram vacinadas contra a covid-19 ainda podem transmitir o vírus, adoecer e até mesmo morrer

 

A covid-19 vem dizimando vidas em todo o mundo de forma acelerada. E a pergunta que vem sendo feita por milhares é: por que pessoas vacinadas ainda podem transmitir o vírus, adoecer e até mesmo morrer?

As vacinas contra a Covid-19, aprovadas para aplicação na população são seguras e eficazes para proteger quem as recebe.

Os estudos clínicos realizados com milhares de pessoas, usando públicos diferentes, comprovaram isso e foram a base para a liberação do uso dos imunizantes.

Grupos de cientistas monitoram constantemente os efeitos das substâncias e emitem alertas caso as vacinas ofereçam algum risco.

Por que, então, algumas pessoas morrem com a doença mesmo após a imunização?

Em primeiro lugar, as vacinas não garantem 100% de eficácia contra o coronavírus Sars-CoV-2, como qualquer tratamento de saúde.

Conforme aumenta o número de pessoas vacinadas contra covid-19 no país, surgem relatos de pessoas que receberam o imunizante e pegaram a doença logo depois, chegando a desenvolver a doença na forma grave e até morrendo por complicações dela.

Um caso que chamou a atenção nos últimos dias foi o do cantor Agnaldo Timóteo.

O artista foi internado com a Covid-19 dois dias depois de ter tomado a segunda dose da vacina, o que indica que a infecção pode ter acontecido entre as duas injeções, quando a proteção ainda não está completa.

O cantor morreu no dia 3 de abril aos 84 anos de idade.

Para ter efeito no organismo, a substância precisa de pelo menos 14 dias após a segunda dose para se estabelecer (quando o imunizante é aplicado em duas injeções).

Mesmo com a imunização completa, a alta circulação do vírus no Brasil e as novas variantes, ainda pouco estudadas, fazem o risco de infecção crescer, apesar das vacinas.

E este é o motivo pelo qual pessoas vacinadas contra covid-19 podem transmitir o vírus e adoecer, podendo até mesmo morrer por conta da doença.

Estudos sobre vacinados

É importante lembrar que as vacinas não causam a doença.

Elas carregam um antígeno, um pedacinho do vírus ou o vírus inteiro inativado, que é incapaz de gerar infecção, mas aciona nosso sistema imunológico para criar barreiras contra o vírus verdadeiro.

Sintomas como febre e dores após a vacinação são comuns e indicam que o sistema imunológico está trabalhando.

“Os estudos contam com milhares de participantes, mas quando começo a aplicar a vacina em milhões de pessoas, vão aparecer aqueles que desenvolvem a doença grave”.

“O que os estudos dizem e o que vemos é que quem recebe a vacina tem um risco menor de adoecer”, afirma Sonia Raboni, infectologista do Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR/Ebserh).

Pessoas mais velhas e com algumas comorbidades não fazem parte dos primeiros grupos a entrarem nos estudos com as vacinas.

Geralmente, são incluídos depois e em menor número. Segundo Raboni, o grupo de pessoas mais velhas, que têm um sistema imune mais debilitado, pode ter respostas mais fracas à vacina.

Hoje, temos pouco mais de 10% da população brasileira imunizada, e os números da Covid-19 no país mostram que o vírus circula livremente, fazendo mais vítimas do que nunca.

“Diante de um universo de dezenas de milhares de novos casos diários e do aumento gradual, ainda que lento, do percentual de indivíduos vacinados, é esperado que ocorra cada vez mais casos de infecção em vacinados”, afirma a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) em nota publicada em sua página de internet.

Para os especialistas, a vigilância dos cientistas sobre a dinâmica da doença e as medidas preventivas, como uso de máscara, o distanciamento social e a higiene das mãos, devem ser reforçadas agora.

Em alguns organismos, essa proteção pode nunca ficar completa, por isso é importante ter o maior número de pessoas vacinadas para que a circulação do vírus diminua drasticamente e os riscos sejam menores para todos.

Objetivos da vacinação

“Temos dois objetivos com as vacinas: primeiro, queremos diminuir os riscos de internação e óbitos”.

“Outro objetivo é diminuir a transmissão, mas ainda não temos certeza se essas vacinas disponíveis fazem isso”.

“Com essa capacidade, poderíamos chegar a uma imunidade coletiva, isto é, com mais pessoas imunizadas, cada vez menos pessoas vão adoecer”, diz Maura Salaroli, infectologista e gerente médica da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) do Hospital Sírio-Libanês.

“Nenhuma pandemia da história foi controlada sem isolamento social e quarentenas”.

“Precisamos reduzir o contato entre as pessoas até que as vacinas cheguem à população e tenhamos um bom tratamento contra a doença”, diz a infectologista Sonia Raboni, da UFPR.

*Conteúdo Folhapress


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