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Médicos e pacientes relatam efeitos colaterais graves do tal ‘tratamento precoce’

Os medicamentos do 'tratamento precoce' da Covid-19 podem causar arritmia cardíaca, sangramentos e inflamação no fígado, segundo especialistas

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Médicos e pacientes relatam efeitos colaterais graves do tal ‘tratamento precoce’
Remédios

Quando Edson José da Rocha, 51, recebeu o diagnóstico de Covid-19, veio junto a indicação do chamado “tratamento precoce”, com drogas como azitromicina e ivermectina.

Quando foi internado com a doença, foi a vez da cloroquina e, logo em seguida, passou a sentir uma sensação estranha no peito. Logo depois vieram a piora e, menos de um mês após a entrada no hospital, a morte.

Quem conta a história de Edson é sua irmã, Ivone Meneguella, médica intensivista de hospitais em Campinas (SP), informam os repórteres Everton Lopes Batista e Phillippe Watanabe, da Folhapress..

Segundo ela, uma arritmia cardíaca e a piora do quadro clínico ficaram claras após o terceiro comprimido de cloroquina que o irmão tomou, apesar do apelo que ela tinha feito aos seus médicos de não dar a droga por causa do histórico de arritmias na família.

Após o início da medicação, Edson também desenvolveu grande cansaço, dores na barriga, diarreia e desidratação. “Eu sinto o meu coração bater na boca”, dizia Edson, segundo conta Ivone. O policial penal morreu em 26 de agosto do ano passado.

Os medicamentos do “tratamento precoce” da Covid-19 estimulado pelo Ministério da Saúde e pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) podem causar arritmia cardíaca, sangramentos e inflamação no fígado, segundo especialistas.

Após um ano de pandemia e dezenas de estudos, a cloroquina, a hidroxicloroquina e a azitromicina não mostraram efeito benéfico no tratamento da doença, e não há estudo convincente sobre a eficácia antiviral da ivermectina.

Em nota conjunta, a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e a Associação Médica Brasileira (AMB) afirmam que as melhores evidências científicas demonstram que nenhuma medicação tem eficácia na prevenção ou no tratamento precoce para a Covid-19 até o presente momento.

Como escreveu o médico infectologista e professor da USP Esper Kallás em sua coluna do jornal “Folha de S.Paulo”: “É compreensível que, no início, fossem adotados medicamentos sem benefício comprovado. Afinal, muitos pacientes estavam morrendo. Entretanto, há meses, temos dados suficientes para abandonar o uso dessas medicações, por provas contundentes de que não ajudam no tratamento e também podem estar implicadas em riscos adicionais não desprezíveis”.

O cardiologista Bruno Caramelli, professor e pesquisador da Faculdade de Ciências Médicas da USP (Universidade de São Paulo), afirma que em cerca de três meses, ainda no início da pandemia no Brasil, chegou a receber no Hospital das Clínicas da USP três pacientes de Covid-19 que estavam tomando cloroquina e tiveram arritmias graves.

Segundo o médico, esse tipo de arritmia é raríssima, mas tem forte conexão com o uso do remédio.

Em quase 30 anos de profissão, o cardiologista havia recebido, antes da pandemia, apenas três casos semelhantes, geralmente em pacientes que faziam algum uso da cloroquina ou da hidroxicloroquina –os remédios são oficialmente indicados para doenças como lúpus e malária.

“A Covid-19 pode gerar alteração cardíaca, e as pessoas ainda tomam um remédio que, além de não funcionar contra a doença, pode causar arritmia. A Covid-19 mata uma porcentagem muito baixa dos pacientes, mas com milhões de doentes esse número cresce. Se tivermos o uso em larga escala da cloroquina, vamos ver dezenas de pessoas com arritmias graves”, diz Caramelli.

O caso de Edson não foi o único que Ivone acompanhou. Trabalhando no enfrentamento à Covid-19, a intensivista conta que já viu um caso de encefalite (com presença de confusão mental) e outro de hepatite medicamentosa por causa do uso de ivermectina.

Ainda que reações graves a remédios como a cloroquina, ivermectina e azitromicina sejam raras, o médico Christian Morinaga, gerente-médico do pronto-atendimento do Hospital Sírio-Libanês, afirma que desde março de 2020 houve aumento no número de pacientes que procuraram o hospital com sintomas leves e graves após tomarem medicamentos sem orientação médica. A principal causa para a automedicação é o medo da Covid-19.

“Chegamos a atender pacientes com arritmia e sangramento, provavelmente causado pelo uso de medicamento sem prescrição médica”, afirma o médico.

De acordo com Morinaga, há registros de manifestações mais leves também, como diarreia, náusea e reações alérgicas.

Horóscopo

Lua minguante em Libra · Sol em Escorpião

Áries 21/3 a 19/4

Sua energia natural pede pausa hoje para alinhar parcerias importantes no trabalho. Aproveite a Lua minguante para finalizar pendências e escutar mais antes de agir. No campo afetivo, evite discussões desnecessárias e busque o diálogo calmo.

Touro 20/4 a 20/5

Aproveite esta sexta-feira para organizar sua rotina profissional e eliminar tarefas que já não fazem sentido. Nas relações, reserve um tempo de qualidade para quem traz paz ao seu coração. Cuidar do próprio bem-estar deve ser sua prioridade absoluta agora.

Gêmeos 21/5 a 20/6

Sua mente criativa ganha fôlego extra para resolver pendências profissionais com leveza e praticidade. Nas interações sociais, escolha conversas profundas em vez de dispersar sua valiosa energia. O momento pede momentos de introspecção e descanso genuíno.

Câncer 21/6 a 22/7

A energia de hoje favorece a reorganização do lar e o fortalecimento de vínculos familiares sinceros. No ambiente profissional, mantenha a discrição e foque em concluir suas obrigações sem pressa. Permita-se acolher suas próprias vulnerabilidades com carinho.

Leão 23/7 a 22/8

O brilho pessoal continua forte, mas a fase lunar pede mais escuta atenta e menos protagonismo. No trabalho, colabore com a equipe para alcançar metas comuns de forma harmoniosa. Aproveite a noite para relaxar na companhia de boas leituras ou música.

Virgem 23/8 a 22/9

Sua habilidade analítica será fundamental para reorganizar as finanças e otimizar processos na rotina. Nas relações pessoais, demonstre afeto através de pequenos gestos práticos e cotidianos. Evite o perfeccionismo excessivo e permita que as coisas fluam naturalmente.

Libra 23/9 a 22/10

Com a Lua em seu signo, sua intuição está ampliada para harmonizar conflitos e tomar decisões importantes. No trabalho, aposte na diplomacia para destravar projetos que estavam parados. Cuide da sua autoestima valorizando suas próprias conquistas recentes.

Escorpião 23/10 a 21/11

Com o Sol em seu signo, sua intuição está afiada para perceber detalhes invisíveis aos outros. No ambiente profissional, canalize essa força para concluir ciclos e renovar suas energias. Nas relações, o silêncio consciente pode curar antigos mal-entendidos.

Sagitário 22/11 a 21/12

O dia convida a revisar planos de longo prazo e ajustar expectativas em relação a futuros projetos. Nas amizades, cultive a paciência com quem demonstra um ritmo diferente do seu. Aproveite a noite para desacelerar o passo e restaurar suas energias.

Capricórnio 22/12 a 19/1

Sua dedicação profissional ganha reconhecimento sutil, mas é hora de dosar o ritmo para evitar o desgaste. Nas relações, compartilhe suas metas com quem realmente te apoia e compreende. Reserve um momento tranquilo para organizar seus pensamentos e relaxar.

Aquário 20/1 a 18/2

Ideias inovadoras surgem ao conversar com colegas de trabalho, trazendo soluções práticas para velhos problemas. No campo afetivo, valorize a liberdade mútua e mantenha conversas sinceras. Caminhar ao ar livre pode trazer a clareza mental que você tanto busca hoje.

Peixes 19/2 a 20/3

A sensibilidade está em alta, facilitando a empatia profunda nas suas trocas afetivas diárias. No trabalho, foque nas tarefas possíveis e evite assumir responsabilidades alheias que não lhe cabem. Busque refúgio em atividades artísticas ou espirituais que tragam paz interior.

“Com a população mais angustiada e a circulação de notícias falsas, ficou mais comum ver pacientes chegarem ao hospital com o efeito colateral de alguma medicação. Recebemos até pessoas assintomáticas que usam esses remédios como forma de prevenção. Não tem sido incomum observar casos mais graves, que precisam de hospitalização”, diz o médico.

Raquel Stucchi, pesquisadora da Unicamp e membro da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), também afirma estar ouvindo relatos sobre hepatites medicamentosas relacionadas ao “tratamento precoce”.

Segundo Stucchi, além de estudos não apontarem eficácia das drogas, quem as toma pode acabar achando que vai melhorar e demorar para procurar ajuda quando o quadro de saúde piora.

“O risco de ter complicações com os medicamentos é baixo, mas o grande crime é desviar o foco, dizer para as pessoas que, usando os remédios, elas vão estar protegidas, podem ir para a rua, aproveitar a balada e relaxar o isolamento social”, afirma Caramelli.

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Atualizado 24/10 09h00 · Agrolink · Franca/SP (dia)

De acordo com Morinaga, do Sírio-Libanês, mesmo os pacientes reumatológicos que fazem uso contínuo da hidroxicloroquina ou da cloroquina precisam visitar o médico com frequência para avaliar o risco do uso prolongado das substâncias.

E até mesmo remédios que têm comprovação científica de melhora da Covid-19, caso de corticoides como a dexametasona, que é indicada apenas para casos graves da Covid-19, precisam de monitoramento e podem fazer mal nos casos mais leves da doença, alerta o médico.

A OMS já fez esse alerta, contraindicando seu uso para os casos mais leves. Segundo Morinaga, desrespeitar a recomendação pode prejudicar as defesas do corpo, abrir caminho para alguma infecção microbiana e agravar o quadro clínico.

“A maior parte das sociedades médicas são contra a prescrição do ‘tratamento precoce’. Não há tratamento para o paciente com caso leve, que não está internado. O recomendado é o isolamento em casa e o monitoramento dos sintomas”, afirma Morinaga.

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Em nota conjunta, a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e a Associação Médica Brasileira (AMB) afirmam que as melhores evidências científicas demonstram que nenhuma medicação tem eficácia na prevenção ou no “tratamento precoce” para a Covid-19 até o presente momento.

“Além das dificuldades já esperadas para o momento, a disseminação de fake news, especialmente por meio das redes sociais, não para de crescer. A desinformação dos negacionistas que são contra as vacinas e contra as medidas preventivas cientificamente comprovadas só piora a devastadora situação da pandemia em nosso país”, diz a nota.

Para disseminar mais informações de qualidade, a intensivista Meneguella faz hora extra nas redes sociais.

Segundo Marcos Machado, presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP), o aumento da automedicação nos últimos meses é perceptível, principalmente com o uso do antiparasitário ivermectina e do vermífugo nitazoxanida (Annita), ambos sem efeito contra o coronavírus Sars-CoV-2, segundo as evidências científicas mais robustas.

Desde terça-feira (19), tem circulado nas redes sociais um artigo que diz que uso da ivermectina pode reduzir as mortes causadas por Covid-19 em 75%, mas o artigo não foi publicado por nenhuma revista científica e está disponível em um repositório no formato pré-print, isto é, que ainda não teve seu conteúdo revisado por outros cientistas.

Além disso, o artigo é uma revisão de outras pesquisas, muitas delas ainda não publicadas em periódicos da área médica.

No texto, os próprios autores afirmam que a eficácia da ivermectina precisa de validação em um estudo clínico robusto.

“[Nos estudos revisados] houve uma variação grande de padrões de cuidado do paciente, e a dose da ivermectina não foi a mesma em todos eles”, escrevem os pesquisadores.

Loterias
Mega-Sena Concurso 3081 04/11/2026 Acumulou Último resultado
10 17 42 43 57 59

Prêmio estimado: R$ 55.000.000,00 Próximo: 06/11/2026

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Prêmio estimado: R$ 5.000.000,00 Próximo: 05/11/2026

Atualizado 05/11/2026 22h30

Ou seja, do ponto de vista de evidência científica, a eficácia da ivermectina permanece não comprovada, segundo os próprios autores.

“Em mais de 20 anos de profissão, nunca vi incentivo oficial do governo para consumo de medicamentos dessa forma. Na história da saúde pública brasileira, sempre houve a preocupação de desestimular a automedicação, que é perigosa”, afirma Machado.

O farmacêutico diz que esse estímulo gera pressões por parte da população sobre médicos e farmácias para que o remédio seja prescrito e vendido. “Os médicos estão sendo cobrados”, afirma.

O “tratamento precoce” do Ministério da Saúde inclui ainda os antibióticos azitromicina e doxiciclina. O uso constante de antibióticos gera um problema grave de saúde pública que pode ter efeitos no futuro.

Notas de falecimento
  • ROSA ROSSI Falecimento 05/11/2026
  • JANDYRA THOMAZINI (TIA) Falecimento 05/11/2026
  • VALTER PARDO MARTINS Falecimento 05/11/2026
  • NIRALDO ELIAS DE MORAIS Falecimento 05/11/2026

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Eles podem induzir um processo evolutivo conhecido como resistência bacteriana, que acontece quando as bactérias passam por mutações que as tornam resistentes a esses antibióticos e tornando-os ineficazes.

Desde 2010, é necessário ter receita médica para adquirir qualquer antibiótico. A compra da cloroquina e da hidroxicloroquina também passou a exigir a retenção da receita médica após uma resolução publicada pela Anvisa em julho de 2020, diante da escassez dos remédios para pacientes que já usavam o medicamento.

No entanto, pressões sobre os médicos podem fazer com que mais pessoas tenham acesso aos medicamentos.

A retenção de receita também era obrigatória para a compra de ivermectina e nitazoxanida (Annita) desde julho de 2020, mas a barreira foi retirada para esses dois remédios a partir de uma decisão da Anvisa publicada em setembro de 2020.

“Não é como o presidente diz, que se não fizer bem também não fará mal. Remédios podem ser muito eficazes para alguns pacientes, enquanto outros não se adaptam ao tratamento. Não sabemos que consequências o uso desses remédios pode ter porque nunca foram tão usados como agora. Depois desse período é que vamos saber o custo para a saúde pública”, conclui Machado.

Principais efeitos esperados dos remédios do ‘kit Covid’

Reações são raras, mas chance aumenta com uso contínuo e/ou associado a outros remédios

Sulfato de Hidroxicloroquina
– Lesão na retina
– Hipoglicemia
– Insuficiência cardíaca
– Arritmias Morte súbita

Cloroquina
– Cegueira
– Lesão na retina
– Perda auditiva
– Insuficiência cardíaca
– Arritmias
– Distúrbios neurológicos

Ivermectina
– Tontura
– Sonolência
– Lesões na pele
– Diminuição da pressão arterial
– Aumento da frequência cardíaca

Azitromicina
– Distúrbios de paladar e olfato
– Disfunções auditivas
– Arritmias
– Inflamação no pâncreas
– Dor abdominal
– Insuficiência hepática

Efeitos que podem ser produzidos por qualquer remédio em automedicação
– Irritação gastrintestinal
– Inflamação do fígado (hepatite)
– Diarreia Náuseas

Fontes: EMS, Cristália, Abbott e Eurofarma

Autor

Bernardo Teixeira

Redação · Jornal da Franca

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