Injeção Mounjaro para emagrecimento divide opiniões entre especialistas em saúde

  • Roberto Pascoal
  • Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 06:30
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Prometendo perda de peso eficaz, medicamento desperta alerta quanto à segurança e uso adequado

A injeção Mounjaro tem ganhado destaque como mais uma aliada no combate à obesidade, especialmente entre pessoas que buscam emagrecimento rápido e sustentável. Desenvolvido originalmente para o tratamento do diabetes tipo 2, o medicamento à base da substância tirzepatida passou a ser utilizado também com fins de controle de peso, após mostrar resultados expressivos em estudos clínicos. No entanto, seu uso ainda levanta questionamentos entre médicos e autoridades de saúde quanto à indicação, segurança e automedicação.

Como funciona?

Aprovado pela FDA (agência reguladora dos Estados Unidos) e em fase de análise pela Anvisa no Brasil para uso específico no emagrecimento, o Mounjaro age no sistema hormonal que regula a saciedade e os níveis de glicose, o que leva à redução do apetite e ao controle do metabolismo. Estudos indicam que pacientes tratados com a substância podem perder mais de 20% do peso corporal ao longo de alguns meses.

Apesar dos resultados animadores, especialistas alertam que o medicamento não é uma solução milagrosa. “O Mounjaro pode ser eficaz, mas é indicado apenas em casos específicos, geralmente sob prescrição médica, e deve fazer parte de um plano de tratamento com acompanhamento multiprofissional”, explica a endocrinologista Luciana Ribeiro.

Efeitos colaterais

Entre os efeitos colaterais mais comuns estão náuseas, vômitos, constipação e, em alguns casos, risco de hipoglicemia — principalmente em pessoas que não têm diabetes. Há também preocupações com o uso indiscriminado e a automedicação, incentivados por celebridades e influenciadores nas redes sociais.

Outro ponto de alerta é o alto custo e a dificuldade de acesso ao medicamento, o que tem levado algumas pessoas a buscar versões irregulares ou falsificadas no mercado paralelo — um risco grave à saúde.

“Tratamentos para obesidade devem ser feitos com seriedade. O Mounjaro pode ser uma ferramenta, mas não substitui hábitos saudáveis de vida”, reforça Luciana.

Enquanto a demanda cresce, especialistas defendem que o uso do Mounjaro continue restrito ao ambiente clínico, com avaliação rigorosa de riscos e benefícios para cada paciente.


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