O fenômeno é especialmente perceptível após períodos prolongados de tempo seco, como os registrados recentemente em Franca
Quem vive em Franca tem percebido uma situação curiosa nos últimos dias: depois de períodos de calor intenso e tempo seco, uma garoa ou chuva rápida chega e, em vez de aliviar imediatamente o desconforto, parece deixar o ambiente ainda mais abafado. Mas essa sensação é apenas impressão?
Em parte, ela é física e real. Quando chove em um dia quente, a água que permanece no solo, no asfalto e em outras superfícies começa a evaporar com o calor. Esse processo aumenta a umidade relativa do ar. Com mais vapor de água na atmosfera, o suor produzido pelo corpo encontra mais dificuldade para evaporar, reduzindo a eficiência do principal mecanismo natural de resfriamento do organismo das pessoas.
É por isso que, mesmo que a temperatura não aumente — e possa até cair alguns graus durante a chuva — a sensação de abafamento pode se tornar mais intensa. O corpo passa a ter mais dificuldade para eliminar calor, fazendo com que o ambiente pareça mais quente.
O fenômeno é especialmente perceptível após períodos prolongados de tempo seco, como os registrados recentemente em Franca e na região. O contraste entre o ar muito seco antes da chuva e a rápida elevação da umidade depois da precipitação torna a mudança ainda mais evidente.
A garoa, portanto, não necessariamente provoca aumento da temperatura. O que muda de maneira significativa é a umidade e, consequentemente, a capacidade do corpo de se resfriar. A sensação de calor após uma chuva rápida em um dia quente é, portanto, mais do que uma impressão: trata-se de uma resposta física às condições de temperatura e umidade do ambiente.