Frente Parlamentar foca no combate à violência contra a mulher; vítima dá depoimento

  • F. A. Barbosa
  • Publicado em 10 de dezembro de 2021 às 13:00
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Deputados, delegada de polícia e ONG também falam da importância de legislações que protejam o público feminino

Violência doméstica

Deputados, delegada de polícia e ONG também falam da importância de legislações que protejam o público feminino

A Assembleia Legislativa paulista realizou reunião da Frente Parlamentar em Combate à Violência contra a Mulher, ao Feminicídio, e aos Relacionamentos Abusivos nesta quinta-feira.

Vítima e especialistas da área falaram sobre os principais problemas que envolvem a violência doméstica e debateram iniciativa parlamentar que pretende conscientizar estudantes da rede estadual sobre a Lei Maria da Penha.

Cristiane Harumi, moradora do município de Praia Grande e estudante de serviço social, falou sobre o relacionamento abusivo que viveu recentemente e pediu celeridade nos processos de divórcio de mulheres agredidas.

“Eu tive um relacionamento abusivo, tive muita dificuldade de me divorciar, e isso tem que mudar. A partir do momento que a vítima quer sair daquela situação e comprova a violência, o juiz tem que assinar o divórcio logo e não deixar a vítima, como o meu caso, com o sobrenome do agressor. Isso é um martírio pra mim. Toda vez que eu vou assinar um documento eu lembro pelo que eu passei”, falou.

Polícia presente

Já Luciana Lopes, delegada titular da Delegacia da Defesa da Mulher de Guarulhos, falou sobre os principais fatores causadores de violência doméstica, baseada em sua experiência profissional.

“Na minha ótica existe a relação cultural e a dependência emocional. A violência começa de uma forma muito rápida, mas para esse ciclo se findar, às vezes demoram anos, décadas. Temos vítimas aqui que estão nessa situação há 40 anos. Mas temos aquela coisa do “ruim com ele, pior sem ele”, disse.

ONG de proteção

A presidente da Help, organização sem fins lucrativos que oferece abrigo a mulheres que sofreram violência e aos seus filhos, Rita de Cássia Ambrósio, comentou a falta de amparo às vítimas após a agressão.

“A vítima não tem para onde ir. Ela sai da delegacia e volta para o agressor. Esse ciclo se repete até que chegue ao ponto do feminicídio ou do suicídio. As mulheres chegam na Help sem perspectiva, nem para ela e nem para os seus filhos”, falou.

Deputado

Por fim, o coordenador da Frente Parlamentar, deputado Marcio Nakashima, destacou que, com base no depoimento das presentes, pretende apresentar novos projetos na Alesp.

“Que a gente possa, diante de toda essa troca de experiências, embasar um documento e a criação de políticas públicas para mulheres vítimas desse tipo de violência”, disse.


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