Com crescimento da categoria no país, debates sobre regulamentação e condições de trabalho ganham força nos próximos anos
O estado de São Paulo reúne cerca de 570 mil motoristas de aplicativo, e a atividade segue em expansão, impulsionada pela busca por renda e pela flexibilidade da profissão.
No interior paulista, cidades como Franca acompanham esse movimento, refletindo uma transformação no mercado de trabalho local.
Levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) identificou 704 mil pessoas atuando no transporte de passageiros por aplicativos no Brasil em 2022.
A estimativa é que São Paulo concentre a maior parte desse contingente, com forte presença também em municípios de médio porte.
Projeção para Franca
Em Franca, embora não haja um número oficial consolidado, projeções baseadas em densidade populacional, atividade econômica e adesão ao transporte por aplicativo indicam que a cidade pode contar com algo entre 2 mil e 3,5 mil motoristas ativos.
A estimativa considera estudos de mobilidade urbana e dados do mercado de trabalho analisados por instituições como o IBGE e o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).
Na prática, o crescimento já é perceptível no dia a dia da cidade, especialmente em regiões de grande circulação, seja com carros próprios ou com aluguel de carros.
Alternativa de renda
Áreas comerciais, polos industriais e bairros com maior concentração de serviços possuem os maiores fluxos. Para muitos moradores de Franca, dirigir por aplicativo se tornou uma alternativa relevante de renda, seja como atividade principal ou complementar.
Estudo do Cebrap em parceria com a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) mostra que o número de motoristas de aplicativos no Brasil cresceu 35% entre 2022 e 2024 — tendência que também se reflete no interior paulista.
Em cidades com economia dinâmica, como Franca, conhecida nacionalmente pelo setor calçadista, a adesão tende a ser ainda mais acelerada.
Perfil dos motoristas e renda
Dos cerca de 570 mil motoristas que atuam no estado, 72% têm a atividade como única fonte de renda, segundo a pesquisa “Mãos ao Volante”, do Badra Pesquisas.
O levantamento ouviu 1.260 motoristas, que utilizam carros para Uber em São Paulo e mostra ainda que 90% são homens e quase metade tem entre 35 e 49 anos.
A renda média mensal líquida dos motoristas de aplicativos no Brasil varia entre R$ 3.083 e R$ 4.400, considerando uma jornada de 40 horas semanais, de acordo com o Cebrap.
Em cidades do interior como Franca, especialistas apontam que os ganhos tendem a se manter nessa faixa, variando conforme a demanda e a carga horária.
Regulamentação em debate
O crescimento da categoria também impulsiona discussões sobre regulamentação. Está em tramitação na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei Complementar 152/25, de autoria do deputado Luiz Gastão (PSD-CE), que estabelece regras para o funcionamento dos serviços de transporte por aplicativos.
A proposta prevê direitos como recebimento integral de gorjetas, contribuição à Previdência Social e regras mais claras na relação entre plataformas e motoristas. Por outro lado, a maioria dos profissionais ainda demonstra resistência a um modelo com vínculo empregatício.
Pesquisa do Instituto Datafolha indica que 60% dos motoristas não gostariam de atuar sob o regime da CLT, mesmo com ganhos semelhantes aos atuais.
Entre as principais demandas da categoria estão incentivos para aquisição de veículos e melhores condições de trabalho.
Tendência de crescimento em Franca
Com a expansão do setor e o avanço da digitalização, a expectativa é que o número de motoristas continue crescendo tanto na capital quanto no interior.
Em Franca, o cenário deve seguir essa tendência, impulsionado pela demanda por mobilidade urbana e pela busca por alternativas de renda.
O modelo, que já faz parte da rotina da cidade, tende a se consolidar ainda mais nos próximos anos, acompanhando as mudanças no comportamento de consumo e nas relações de trabalho.