‘Farinha da felicidade’ viraliza nas redes: saiba os seus efeitos no organismo!

  • Rosana Ribeiro
  • Publicado em 18 de setembro de 2025 às 21:00
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As cinco farinhas são ótimas fontes de fibra, o problema está na quantidade e junção de todos os alimentos

Mistura de cinco tipos de farinha que promete emagrecer, regular o intestino, controlar a glicemia, acelerar o metabolismo e muito mais (Foto Minha Vida)

 

Já ouviu falar na “farinha da felicidade”? A mistura de cinco tipos de farinha que promete emagrecer, regular o intestino, controlar a glicemia, acelerar o metabolismo e ainda ajudar no equilíbrio hormonal feminino tem ganhado as redes sociais.

Na receita estão: farinha de ora-pro-nóbis, farinha de fibra de maçã, farinha de psyllium, farinha de beterraba e farinha de maca peruana. Mas será que ela realmente funciona?

Fibras

A nutricionista Priscilla Primi, revela que as cinco separadas são ótimas fontes de fibras e ajudam a regular o intestino, porém, o problema está em sua dosagem, quantidade e na junção de todas.

“Essa receita tem tanto fibras solúveis quanto insolúveis. As solúveis formam um gel quando entram em contato com a água, e isso faz com que a nossa digestão e a absorção de nutrientes fiquem mais lentas, o que nos deixa saciados por mais tempo”.

“Consequentemente, comemos menos, mas isso não quer dizer que diminui o apetite”, explica Primi.

Microbiota saudável e trânsito intestinal

Essas fibras também servem de substrato quando chegam ao nosso intestino, servindo de alimento para as bactérias boas do organismo, e produzem uma substância chamada de ácido graxo de cadeia curta, o que ajuda na integridade da barreira intestinal, além de manter a microbiota saudável.

Já as fibras insolúveis, aquelas que não se dissolvem em água, também ajudam a formar o bolo fecal, ajudando o trânsito intestinal.

“A farinha, se formos pensar em quantidades de nutrientes, é constituída de fibra alimentar”.

Quantidade irrisória

“Porém, segundo os vídeos na internet, essa farinha da felicidade é recomendada em pouca quantidade (uma colher de chá em 300 mililitros de água — tomar 30 min antes do almoço — e depois tomar por volta das 17h), ou seja, não será possível alcançar os resultados prometidos. Essa quantidade não é capaz de preencher e nem dar essa sensação de saciedade”, diz Primi.

A especialista ainda afirma que a pessoa que fizer uso dessa receita precisa tomar bastante água e se manter hidratada ao longo do dia, pois, caso contrário, o efeito pode ser inverso e ela ficar com constipação intestinal.

“Ao invés de tomar a bebida com farinha, é melhor comer a própria beterraba ou a fibra de maçã. Sei que tem pessoas que não gostam de ora-pro-nóbis, mas, neste caso da farinha, além da quantidade ser muito pequena, não tem como prometer que vai desinchar ou que vai conseguir regular o metabolismo”, explica.

Destrinchando os ingredientes

Segundo Primi, a ora-pro-nóbis é uma planta alimentícia não convencional que tem um elevado teor proteico. Conhecida também por ter grande quantidade de minerais.

“Em forma de farinha, você consegue concentrar melhor a proteína e outros nutrientes dessa planta. Ela chega a ter quase 15% dela em proteínas, o que, para um vegetal, é uma quantidade bem interessante”, diz a nutricionista.

Porém, como qualquer proteína de origem vegetal, ela tem baixo valor biológico, ou seja, não tem todos os aminoácidos necessários para o nosso organismo.

É necessário ser complementado e suplementado com outros alimentos para que essa proteína seja mais bem aproveitada.

Fibra de maçã, beterraba e psyllium

A farinha de fibra de maçã também é muito rica em fibras, principalmente as solúveis, porém, como a própria fruta tem muito açúcar, é uma farinha extremamente doce, o que acaba concentrando uma grande parte de açúcar.

“O psyllium é uma fibra derivada de uma planta e tem a mesma capacidade de formar um gel bastante viscoso, o que dá essa sensação de plenitude gástrica”.

“Existem diversos estudos que mostram o efeito dessa fibra no controle do colesterol ruim (LDL), da gordura e marcadores lipídicos, o que faz dela primordial na redução do risco de doença cardiovascular — explica Primi.

Já a farinha de beterraba também é rica em fibras, tem uma boa quantidade de carboidratos, além de minerais importantes. Ela é rica em ácido fólico, tem ação antioxidante e vitamina C.

Maca peruana

Por último, a maca peruana, fonte de carboidrato, proteína e fibra, além de vários minerais e aminoácidos essenciais.

Tem se tornado queridinha de muitos nutricionistas e pesquisadores. Há estudos sobre a influência positiva dela nos hormônios sexuais femininos e masculinos.

“Enquanto nos homens há uma associação entre a diminuição da disfunção erétil, visto que a maca peruana aumenta o óxido nítrico, que vai ajudar a relaxar esses músculos e melhorar o fluxo sanguíneo; nas mulheres se estuda a melhora nos sintomas da menopausa, principalmente as ondas de calor que as mulheres sentem durante o período”, diz a nutricionista.

Funciona?

A especialista ressalta, porém, que ainda não há nenhuma comprovação científica, apesar de ter alguns estudos na área.

A maca peruana é rica ainda em antioxidantes, substâncias anti-inflamatórias, flavonoides e, alguns estudos, sugerem que pode ajudar a reduzir a ansiedade e a depressão.

Fonte: O Globo


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