Empresas se unem para ampliar a cobertura de internet 4G no campo

  • Cesar Colleti
  • Publicado em 3 de maio de 2019 às 00:18
  • Modificado em 8 de outubro de 2020 às 19:32
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Apesar do avanço tecnológico em equipamentos, conectividade ainda é desafio para agricultores

O avanço da
tecnologia possibilita aumentar e melhorar a produtividade no campo. O piloto
automático se popularizou e o ar-condicionado já é item de série em tratores e
colheitadeiras. Cada vez mais modernos, os equipamentos agrícolas possibilitam
uma gestão precisa da lavoura, do plantio à colheita.

Mas, toda essa
modernidade ainda esbarra na falta de conectividade. Os dados não chegam aos
produtores em tempo real. Enquanto 1% dos moradores nas cidades diz não ter
acesso à internet, nas áreas rurais esse índice é de 21%, segundo levantamento
do IBGE.

Na tentativa de
resolver essa questão, oito empresas do setor agrícola e de telecomunicações se
uniram em uma iniciativa inédita para ampliar a cobertura 4G no campo. A
expectativa é que até o final de 2019 o acesso à internet esteja disponível em
50 mil quilômetros quadrados no país.

A área é
equivalente ao estado do Rio Grande do Norte. Pode parecer pouco, mas é sete
vezes maior que o território coberto atualmente, que é de 7 mil quilômetros
quadrados, um pouco menor que o município de Campo Grande, capital de Mato
Grosso do Sul.

Batizado de
“ConectarAgro”, o projeto está sendo lançado na Agrishow 2019, maior feira de
tecnologia agrícola a céu aberto do país, que acontece em Ribeirão Preto, e
onde também estão as idealizadoras: AGCO, Climate, CNH Industrial, Jacto,
Trimble, Solinftec, Nokia e Tim.

Diretor de
marketing do segmento corporativo da Tim Brasil, Rafael Marquez explica que, na
prática, o objetivo é expandir a rede de cobertura 4G, operando no espectro de
frequência de 700 mega-hertz, que antes era usado pelo sinal analógico de
televisão. “Esse investimento vai impulsionar o agricultor, o setor e o país. A
competitividade fica ameaçada se a gente não der esse passo da conectividade. A
gente corre o risco de perder a vanguarda do desenvolvimento, da produtividade,
se não levar isso para o campo”, diz.

Segundo Marquez,
menos de 10% do território agrícola brasileiro está conectado atualmente, o que
representa 7 mil quilômetros quadrados cobertos por internet 4G – as principais
áreas estão nos estados de Mato Grosso do Sul, Goiás e Bahia. “Na prática, a
gente vai instalar antenas onde não tem. A gente estima que só 10% da área
produtiva do Brasil estão conectadas, mas no modelo antigo, ou seja, soluções
mais fechadas, internet via rádio, cada um pensando no seu, não um efeito em
rede”, detalha.

Marquez afirma
que uma única torre pode cobrir até 35 mil hectares. Por isso, pequenos e
médios produtores podem se unir para adquirir o sistema de conectividade, seja
na forma de cooperativas, associações ou “crowdfunding”, que são os
financiamentos coletivos. “É um
investimento que retorna rápido. O ganho de eficiência e de produtividade que a
gente já ouviu dos clientes, justifica. O cálculo é que 1% do aumento de
produtividade, ou redução de custo, na primeira safra, já paga. Além disso, não
será preciso renovar todo ano”, diz.

Tecnologia adormecida

Gerente de produto da Climate, subsidiária da Bayer,
Guilherme Belardo afirma que atualmente existem “soluções tupiniquins” para se
extrair as informações do campo e levá-las às mãos dos gestores, como o uso de
pen drives, tablets e sistemas bluetooth.

Em outras palavras, o avanço tecnológico das máquinas e dos
equipamentos agrícolas acaba subaproveitado por falta de conectividade. Ainda é
preciso terminar o serviço no campo para coletar os dados do pulverizador ou
colheitadeira, por exemplo. “É melhor do que ver no final da safra? Muito
melhor. Mas, receber em tempo real permite a tomada de decisão muito mais
rápida. Ter a fazenda literalmente na palma da mão é algo impressionante. É
poder usar melhor as ferramentas digitais que as nossas empresas desenvolvem”,
diz.

A afirmação é
compartilhada por Gregory Riordan, diretor de tecnologias digitais da CNH
Industrial, que tem como subsidiárias New Holland, Case IH, Iveco, entre
outras, destacando que a automação das máquinas ganha ainda mais sentido com o
aumento da conectividade. “Você até pode tirar um pen drive da máquina, levar
para o computador e descarregar os dados. Mas, fazendo uma comparação, é como
uma autópsia. Recebendo as informações em tempo real, você faz um diagnóstico
que permite salvar o paciente”, afirma.

Além do aumento
da produtividade, também é consenso entre as empresas parceiras que a expansão
da conectividade permitirá o aperfeiçoar dos sistemas já disponíveis, como
explica o gerente de desenvolvimento de negócios estratégicos da Trimble, Jorge
Strina. “Os produtos estão, em grande parte, desenvolvidos. Com a
conectividade, a gente vai conseguir não só disponibilizar toda essa comunicação,
mas também pensar em novos desenvolvimentos, soluções que ainda não estão
feitas, ou seja, acelerar o desenvolvimento”, finaliza.


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