CPF dos imóveis: o que muda com o novo Cadastro Imobiliário Brasileiro (CBI)?

  • Rosana Ribeiro
  • Publicado em 17 de novembro de 2025 às 12:00
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O cadastro tem como finalidade unificar os dados sobre imóveis que hoje se encontram dispersos entre cartórios, prefeituras e órgãos federais

O novo cadastro imobiliário faz parte da reforma tributária, regulamentada pela Receita Federal e estará disponível para testes em 2026 (Foto Arquivo)

 

O Cadastro Imobiliário Brasileiro (CIB), conhecido popularmente como “CPF dos imóveis” é uma iniciativa do Governo Federal que promete unificar as informações sobre propriedades de todo o país, a partir de 2027.

O novo cadastro imobiliário faz parte da reforma tributária, regulamentada pela Receita Federal e estará disponível para testes em 2026.

O principal objetivo da criação do CPF dos imóveis é realizar uma integração dos dados imobiliários em um só lugar. Hoje, os dados encontram-se espalhados entre cartórios, prefeituras e órgãos federais.

Além disso, o CIB também promete maior transparência, como aponta o especialista em mercado imobiliário Eduardo Castano.

“Os cadastros atuais são fragmentados e locais: o cartório tem a matrícula, a prefeitura tem o IPTU, e o Incra ou Receita Federal têm registros rurais.

O CIB unifica tudo isso em uma única base padronizada e interligada, eliminando duplicidades e divergências que hoje dificultam a gestão e a fiscalização” , afirma o especialista.

Como funciona na prática

Na prática, cada imóvel receberá um código único de identificação nacional, como um CPF, mas voltado para bens imobiliários. Esse código vai reunir informações sobre:

– localização georreferenciada;
– área e dimensões;
– situação jurídica e fiscal;
– dados de registro e propriedade;
– histórico de transações e regularizações.

Ao integrar diferentes bancos de dados públicos, o CIB pretende acabar com a duplicidade de cadastros e reduzir a burocracia para quem precisa regularizar, comprar ou vender um imóvel.

“O CIB vai simplificar etapas e reduzir riscos. Com a integração das bases de dados, compradores, vendedores, cartórios e bancos terão acesso a informações mais completas e verificáveis, diminuindo a chance de fraudes e as inconsistências documentais”.

“A transparência será o grande ganho: o histórico e a situação jurídica do imóvel poderão ser confirmados de forma rápida e padronizada, o que trará agilidade às negociações e fortalecerá a confiança entre as partes”, explica Eduardo.

CIB e o mercado imobiliário

A criação do Cadastro Imobiliário Brasileiro também deve impactar diretamente o mercado imobiliário. Com dados mais precisos e integrados, a avaliação de imóveis tende a se tornar mais justa e confiável.

Além disso, investidores e construtoras terão maior segurança jurídica, o que pode impulsionar novos negócios. O especialista em mercado imobiliário aponta que “na prática, imóveis regularizados se tornam mais atrativos para compra, venda e financiamento, o que naturalmente impulsiona seu valor de mercado.”

Regularização dos imóveis

Atualmente no Brasil, grande parte das moradias foi construída de forma autônoma, sem registro em cartório, o que impede milhares de famílias de comprovar legalmente a posse de suas casas.

Com a criação do CIB, o governo pretende mapear e identificar cada imóvel existente em território nacional, algo essencial para reconhecer oficialmente imóveis informais, dar segurança jurídica aos moradores e permitir o acesso a políticas públicas de habitação, saneamento e infraestrutura.

“A médio prazo, a regulamentação de imóveis informais trará segurança jurídica às famílias e fomentará investimentos nessas regiões”, aponta Eduardo.

Desafios para a implementação do CIB

O primeiro grande desafio relacionado a implementação do CIB é garantir que a população entenda a importância e a finalidade do novo cadastro. Nos últimos meses, surgiram boatos nas redes sociais de que o CIB estaria associado à criação de um novo imposto sobre imóveis.

Em nota oficial, a Receita Federal informou que “não procedem informações que têm circulado sobre um suposto aumento da tributação de locações e vendas de imóveis com a Reforma Tributária.”

Além de garantir que “a Reforma não cria verdadeiramente uma tributação sobre o setor imobiliário, apenas substitui os tributos federais, estaduais e municipais atuais pelo imposto sobre valor agregado – IVA dual, a partir de 2027.”

Outros desafios são a integração tecnológica e a padronização de dados. Atualmente, cada município e cartório possui formatos diferentes de cadastro e critérios próprios de registro.

Para a regulamentação, será necessário harmonizar informações e garantir atualização constante. “A implantação plena exigirá investimento em tecnologia, capacitação e marcos regulatórios claros que garantam a consistência e a segurança jurídica dos dados”, afirma Eduardo.

Como fazer o CIB

O Cadastro Imobiliário Brasileiro ainda se encontra em fase de implantação. O processo deve seguir etapas simples e padronizadas em todo o país.

A ideia é que o proprietário, comprador ou responsável pelo imóvel possa registrar e atualizar suas informações em um sistema nacional unificado, de forma digital e segura.

Na prática, o cadastro será feito por meio da integração entre órgãos públicos, como a Receita Federal, prefeituras, cartórios e o INCRA, reunindo em um único número dados de localização, registro, titularidade e situação fiscal do imóvel.

Assim como acontece com o CPF das pessoas físicas, cada imóvel terá um código exclusivo, que o acompanhará por toda a sua existência, mesmo que o dono ou o uso da propriedade mudem.

Enquanto o sistema nacional não é oficialmente aberto ao público, é importante que os proprietários mantenham seus registros atualizados nos órgãos locais, como:

– Prefeitura, por meio do cadastro imobiliário municipal e IPTU;
– Cartórios de registro de imóveis, garantindo a matrícula e a escritura atualizadas;
– Institutos de Terras ou programas de regularização fundiária, no caso de imóveis em áreas informais.

Quando o CIB estiver totalmente em funcionamento, esses dados serão automaticamente integrados, facilitando o processo e evitando duplicidades.

O objetivo é que o cidadão não precise percorrer diferentes repartições: tudo será feito de forma centralizada, digital e transparente.

Fonte: Casa e Jardim


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