Formula Chopp

Contaminados com Covid em Franca passam de 15 mil e já não cabem mais no Lanchão

  • Caio Mignone
  • Publicado em 27 de janeiro de 2021 às 12:00
compartilhar no whatsapp compartilhar no telegram compartilhar no facebook compartilhar no linkedin

Não há mais vagas na UTI da cidade e 40 infectados que necessitam de internação foram levados para outras cidades

Não há mais vagas na UTI da cidade e 40 infectados que necessitam de internação foram levados para outras cidades

 

Nem sempre a divulgação dos números dá a dimensão da situação.

Mas o que acontece em Franca já passou da fase crítica e está próxima da fase desesperadora.

Segundo números da própria Vigilância Epidemiológica, órgão que registra as ocorrências da pandemia na cidade, Franca já passou de 15 mil contaminados – precisamente 15.065 até a noite de terça-feira (26).

A situação é tão complicada que os contaminados na cidade dificilmente caberiam no Lanchão.

O estádio, que tem capacidade para 15 mil pessoas, contando-se as que ficam de pé e encostadas no alambrado, já não suportaria mais o número de contaminados.

Desses casos confirmados, muitos tiveram sintomas leves, outros precisaram ser internados e outros ainda estão na UTI.

De acordo com os números, na noite de terça-feira (data utilizada para os cálculos) eram 33 pacientes internados nas UTI’s da saúde pública, com 100% de ocupação.

Além disso, 40 pacientes que necessitam de internação foram encaminhados para cidades da região.

O médico Homero Rosa Júnior, da Vigilância Epidemiológica, havia alertado em março e abril do ano passado que o maior perigo era a expansão da doença além da capacidade de internação.

O prefeito Alexandre Ferreira alertou que cada francano contaminado transmite o vírus para outras 2,5 pessoas. Como se trata de uma expansão geométrica, a cada dia o vírus se expande numa proporção assustadora.

Como disse o prefeito, de cada 100 contaminados num dia serão mais 250 no outro dia, dando um total de 350. Esse número multiplicado por 2,5 resulta em 770 no terceiro dia + os 350 de antes.

Ou seja, se as contas estiverem certas, de 100 contaminados no primeiro dia, a cidade terá 1000 contaminados no terceiro dia.

Alguns especialistas dizem que os números divulgados pelo prefeito são conversadores, porque a linha de transmissão do vírus no Estado é bem maior.

O que complica o combate ao coronavírus é também o custo financeiro para os hospitais e poder público.

Dinheiro que poderia ser aplicado em várias outras especialidades e mesmo ser direcionado para cirurgias eletivas precisam ser alocados para o combate ao vírus.

Some-se a isso a queda da atividade econômica, por causa da necessidade de isolamento e distanciamento social, a queda da arrecadação municipal, e chega-se a um cenário desolador.

Como bem disse Margareth Thatcher, que foi primeira-ministra da Inglaterra, não existe dinheiro público.

O que existe é dinheiro das pessoas (que pagam impostos) administrado por um gestor. Sua capacidade administrativa conta muito nessa hora.

O cenário é desesperador e não se vislumbra nenhuma perspectiva de solução imediata, a não ser a união de todas as forças para atuar juntas no combate à propagação do vírus.

E nem se fala das 262 mortes até a noite de terça-feira (26). Se as pessoas choram a morte de uma ou duas pessoas em acidentes de trânsito, imagina contabilizar 262 mortes num período tão curto.

É bem provável que nem numa guerra verdadeira, cheia de batalhas, morram todas pessoas assim. Então, a conclusão é: a sociedade está numa guerra.


+ Saúde