Rival histórico do basquete francano, Mortari construiu uma trajetória respeitosa e decisiva para o esporte nacional
Referência incontestável do basquete brasileiro, Cláudio Mortari morreu nesta quinta-feira (25/12), aos 77 anos, deixando uma trajetória marcada por títulos, pioneirismo e impacto duradouro no esporte. Um dos mais emblemáticos adversários do basquete francano — sempre em duelos intensos, porém pautados pelo respeito e pela rivalidade esportiva — o treinador ajudou a moldar diferentes gerações do basquete nacional.
Nascido em São Paulo, em 15 de março de 1948, Mortari iniciou sua relação com o esporte ainda na infância. Aos 11 anos, ingressou nas categorias de base do Palmeiras, clube no qual permaneceu como jogador até os 25 anos.
Ao encerrar a carreira nas quadras, trocou o uniforme pela prancheta e passou a trabalhar como técnico das equipes de formação do Alviverde. Rapidamente se destacou, acumulando prêmios e reconhecimento como um dos principais treinadores de base do país, com forte sensibilidade para o desenvolvimento de talentos.
A ascensão definitiva viria em 1976, quando assumiu a equipe adulta do Palmeiras. No ano seguinte, conduziu o clube ao título do Campeonato Brasileiro de 1977, resultado que ampliou sua projeção no cenário nacional. O desempenho o levou ao comando do Esporte Clube Sírio, onde viveria o capítulo mais vitorioso de sua carreira.
Sob sua liderança, o Sírio tornou-se uma potência continental, conquistando títulos sul-americanos e protagonizando campanhas históricas. Em 1979, Mortari conduziu a equipe à conquista da Copa Intercontinental da FIBA — o primeiro título de alcance global de um clube brasileiro no basquete — um marco que consolidou seu nome entre os maiores treinadores do país.
Rigoroso na preparação, estrategista e reconhecido pela capacidade de extrair o máximo de seus elencos, Cláudio Mortari encerrou sua trajetória como técnico no São Paulo, em 2021. Seu legado permanece vivo nas conquistas, na formação de atletas e no respeito construído ao longo de décadas de rivalidades esportivas — inclusive com Franca, palco de alguns de seus maiores embates.