Lembra da “reduflação”, quando as marcas reduziam o tamanho de uma bolacha ou barrinha de cereal? Bom, ela ficou no passado.
Em meio à alta dos custos e à busca por rentabilidade, grandes marcas de alimentos estão mudando silenciosamente as receitas de produtos conhecidos.
Iogurtes, biscoitos e chocolates passaram a usar insumos mais baratos, como gordura vegetal no lugar de leite ou cacau. Muitas vezes, o consumidor só percebe após comparar embalagens ou comprar e estranhar o sabor.
Segundo o Idec (Instituto de Defesa do Consumidor), essa prática acontece em paralelo à “reduflação” — quando empresas diminuem o tamanho das embalagens sem reduzir preços.
Agora, além da quantidade, a qualidade também é afetada. Casos recentes incluem iogurtes gregos com polpa no lugar de frutas em pedaços e biscoitos que trocaram chocolate por “sabor chocolate”.
“Nova receita”
As normas da Anvisa obrigam empresas a destacar na embalagem expressões como “nova receita”, mas especialistas apontam que a comunicação é falha e muitas vezes confusa.
Enquanto isso, os reajustes superam a inflação: entre janeiro e junho, iogurtes e bebidas lácteas subiram 4,2% contra 2,99% do índice geral.
Para o consumidor, o desafio é redobrado: identificar mudanças sutis em meio a embalagens chamativas e preços em alta. Já para as marcas, a justificativa oficial continua sendo proteger o acesso ao produto em tempos de insumos mais caros.
No 1º semestre de 2025, iogurtes e bebidas lácteas subiram 4,2%, em comparação com a inflação geral de quase 3% pelo IPCA. Nos biscoitos, a alta foi ainda maior: 5,35%.
De acordo com a plataforma Zat.News, nem mesmo a “economia” feita pelas empresas ao trocar insumos se traduziu em alívio no bolso. No fim das contas, o consumidor está pagando mais por um produto com menor valor nutricional.