Vestuário, alimentação e serviços pessoais devem concentrar a maior parte do impacto do reajuste em Franca, prevê Instituto de Economia Acif
O reajuste de 6,78% do salário-mínimo, que passa de R$ 1.518 para R$ 1.621, deve gerar impacto positivo significativo na economia de Franca, com a injeção de R$ 86,5 milhões ao longo de 2026, segundo projeção do IE-ACIF (Instituto de Economia da Associação do Comércio e Indústria de Franca).
O novo valor passa a valer na folha de janeiro, com pagamentos realizados entre o fim do mês e o início de fevereiro.
De acordo com levantamento da ACIF, cerca de 70 mil pessoas no município possuem renda de até um salário-mínimo e serão diretamente beneficiadas pelo aumento.
Desse total, aproximadamente 52 mil são aposentados, pensionistas e beneficiários do BPC (Benefício de Prestação Continuada), enquanto 18 mil correspondem a trabalhadores do mercado formal.
Impacto
Do total estimado para a economia local, R$ 64,27 milhões devem ser provenientes de aposentados, pensionistas e beneficiários do BPC, enquanto R$ 22,25 milhões correspondem aos trabalhadores do mercado formal.
Segundo o economista do IE-ACIF, Rodrigo Souza, o impacto tende a ser rápido e concentrado no comércio e nos serviços.
“Entre 90% e 95% deste valor extra deve ir direto para o consumo de bens e serviços, sendo usado quase de forma imediata”, explica o economista.
“Para as famílias que vivem com renda de até um salário-mínimo, o reajuste é fundamental para ajudar a recompor o orçamento doméstico, pressionado em 2025 pelo aumento dos preços e dos juros. Além disso, há uma demanda reprimida nesse público, o que faz com que o aumento acima da inflação seja rapidamente convertido em consumo”, afirma.
Setores mais beneficiados
Ainda de acordo com o especialista, os principais setores beneficiados em Franca tendem a ser os de vestuário, alimentação e serviços pessoais, que concentram grande parte do consumo dessa faixa de renda.
No cenário nacional, o reajuste também tem efeito relevante. Aproximadamente 62 milhões de brasileiros recebem até um salário-mínimo, o que pode representar um incremento de até R$ 81,7 bilhões na economia brasileira em 2026.
Metodologia
As estimativas foram elaboradas pelo IE-ACIF (Instituto de Economia da Associação do Comércio e Indústria de Franca) com base em dados oficiais do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), Rais (Relação Anual de Informações Sociais), Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) e IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), além de projeções de mercado específicas para o município de Franca.