Sensação térmica no verão: saiba o que é e como é calculada

  • Cesar Colleti
  • Publicado em 23 de dezembro de 2018 às 13:56
  • Modificado em 8 de outubro de 2020 às 19:15
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Temperatura e umidade do ar elevadas fazem com que a sensação de clor seja ainda mais intensa

O verão de 2018-2019 no Brasil tem previsão de temperatura acima da
média e a ocorrência do fenômeno El Niño, o que deve impactar no regime de
calor e chuvas na estação, segundo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e
o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais (Cptec-Inpe).

Quando a temperatura e a umidade do ar estão muito altas, a soma destes
fatores leva a um conceito muito comum no verão: a sensação térmica, que
geralmente é muito maior do que o calor registrado nos termômetros. 

Como ela é calculada?

No últimos 70 anos, mais de 160 diferentes índices de
sensação térmica (que pode levar ao estresse térmico) foram desenvolvidos e
cada um adota critérios específicos para isso, explica Beatriz Oliveira,
pesquisadora da Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais,
a Rede Clima.

Nos
Estados Unidos por exemplo, é usado o Heat Index. No Canadá, o Humidex.

Recentemente,
uma cidade no Brasil chamou a atenção pelo calor intenso registrado. Antonina,
no litoral do Paraná, que atingiu 81° de sensação térmica, segundo os
meteorologistas paranaenses.

Aplicando
a temperatura de 44,3 ºC e 75% de umidade registrada na cidade ao Heat Index, a
sensação térmica seria de 100 ºC. Já pelo Humidex, seria de 77 ºC.

Em geral, os índices levam em
conta variáveis como a incidência de ondas curtas (raios de Sol) no corpo
humano, de ondas longas (calor emitido após o raio de Sol bater em uma
superfície), o fluxo do calor latente (quantidade de calor que a água usa para mudar
de líquida para vapor, por exemplo), e o metabolismo do indivíduo (que em geral
varia conforme a idade), diz Diogo Arsego, meteorologista do Cptec-Inpe. 

Efeitos do calor no corpo

O médico e coordenador de meio ambiente na Organização
Mundial de Médicos da Família (Wonca, na sigla em inglês) Enrique Barros
reforça que quando a temperatura medida na axila está acima de 40 ºC, a vida
humana está sob risco.

O corpo tende a se estressar tentando baixar a temperatura:

– os vasos sanguíneos se dilatam (abrem) para tentar trocar o calor
interno com o ambiente externo

– com mais sangue perto da pele, ela fica mais vermelha,

– há maior transpiração para tentar perder calor com a evaporação do
suor,

– com o aumento do suor, há perda de mineirais e o corpo pode sentir câimbras,

– pode haver desidratação; o feito é a diminuição do raciocínio e o
tempo de reação,

– com a vasodilatação, é possível sentir fraqueza: o sangue chega com
pouca pressão no cérebro,

– com pouco sangue, o cérebro tem baixa troca de oxigênio,

– o quadro pode levar ao desmaio ou convulsão.

Além dos registros diários de altas temperaturas, Barros faz um alerta
para a mudança climática e os riscos do aquecimento global. “As
temperaturas estão aumentando, ano a ano, na última década e isso tem piorado
com a forma como organizamos as cidades. As pessoas não se dão conta de que
está ficando mais quente. Isso coloca em risco crianças, idosos, pacientes com
problemas crônicos e até os trabalhadores que estão na rua”, diz.


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