Fama injusta? Pizza pode fazer parte de uma alimentação saudável

  • Joao Batista Freitas
  • Publicado em 11 de julho de 2026 às 17:00
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Nutricionista explica que o impacto na saúde depende da frequência de consumo, dos ingredientes e das combinações feitas na refeição

Apontada com frequência como uma das responsáveis pelo ganho de peso, a pizza carrega uma fama que nem sempre corresponde à realidade.

Segundo Camila Alho, nutricionista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, o prato pode fazer parte de uma alimentação equilibrada. O maior risco está na frequência de consumo, na qualidade dos ingredientes e no padrão alimentar adotado ao longo do tempo.

O alerta ganha importância diante do avanço do excesso de peso no país. Dados recentes do Ministério da Saúde mostram que 62,6% da população adulta brasileira apresenta excesso de peso, condição associada ao aumento do risco de hipertensão, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e outras doenças crônicas.

Visão simplista

“A pizza ganhou fama de vilã, mas essa é uma visão simplista. Nenhum alimento, isoladamente, determina a saúde de uma pessoa. O que faz diferença é o conjunto das escolhas alimentares ao longo do tempo. Quando a alimentação do dia a dia é baseada em alimentos frescos e pouco processados, uma refeição como essa não representa um problema”, afirma a nutricionista.

O cuidado deve ser maior com pizzas que concentram grandes quantidades de embutidos, bacon, calabresa, queijos gordurosos, molhos industrializados e bordas recheadas. Além de elevar o valor calórico da refeição, esses ingredientes aumentam significativamente a ingestão de sódio e gorduras saturadas, associados ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares quando consumidos em excesso.

A composição da refeição também faz diferença. Refrigerantes, bebidas alcoólicas, porções fritas e sobremesas elevam ainda mais a carga calórica e reduzem a qualidade nutricional da refeição.

Saciedade

Algumas escolhas ajudam a tornar a pizza mais equilibrada, como optar por massas de fermentação natural ou integrais, incluir mais vegetais entre os recheios, reduzir a quantidade de queijos e priorizar proteínas magras. Controlar as porções e comer com atenção, sem distrações, também favorece a percepção da saciedade.

“Não existe alimento proibido para quem busca uma alimentação saudável. O que existe é frequência de consumo. Datas comemorativas e momentos de lazer fazem parte da vida, mas não podem definir a rotina alimentar. É esse padrão repetido ao longo do tempo que favorece o ganho de peso e o desenvolvimento de doenças crônicas”, destaca.

Para pessoas com diabetes, hipertensão, colesterol elevado ou doenças cardiovasculares, a recomendação é redobrar a atenção ao teor de sódio e gordura das coberturas. Nesses casos, pequenas adaptações permitem manter o consumo sem comprometer o tratamento.

Nos dias de pizza, a orientação não é abrir mão de um dos pratos preferidos dos brasileiros, mas fazer escolhas conscientes. Afinal, a saúde não é determinada por uma refeição isolada, e sim pelos hábitos construídos diariamente.


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