Estudo com 5 mil lares identificou práticas que aumentam chance de contaminação na cozinha. Pesquisadores também alertam para o consumo de ovo mal cozido e higienização incorreta de vegetais
Estudo da USP mostra que lavar carne pode espalhar bactérias e aumentar risco à saúde. Veja os erros mais comuns na cozinha (Foto Arquivo)
Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) revelou que metade dos brasileiros tem o hábito de lavar carnes, como o frango, antes do preparo.
Apesar de comum, a prática pode trazer riscos à saúde, principalmente por favorecer a contaminação cruzada.
De acordo com a pesquisadora da Esalq/USP, Daniele Maffei, ao lavar a carne, microrganismos presentes na superfície podem se espalhar pela pia, utensílios e até outros alimentos.
Cozimento já elimina bactérias
Segundo a especialista, o cozimento adequado é suficiente para eliminar bactérias nocivas, como Salmonella e Campylobacter, tornando a lavagem desnecessária.
O estudo, realizado pela Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq/USP), avaliou 5 mil lares brasileiros e identificou hábitos na cozinha que aumentam o risco de intoxicação alimentar.
Ovos crus e carne mal passada preocupam
Outro dado de alerta envolve o consumo de ovos: 17% dos brasileiros ainda ingerem o alimento cru ou malpassado. A recomendação é que o cozimento em água fervente dure pelo menos 12 minutos.
A pesquisa também aponta que 24% das pessoas consomem carne mal passada e 39% descongelam alimentos em temperatura ambiente, prática considerada inadequada. O correto é transferir o alimento do congelador para a geladeira.
Higienização correta faz diferença
A limpeza de vegetais também exige atenção. Apenas 38% dos brasileiros fazem a higienização adequada, essencial para alimentos consumidos crus.
O processo recomendado inclui lavar em água corrente, deixar de molho por 15 minutos em solução com água sanitária e, em seguida, enxaguar novamente.
Cuidados evitam contaminação
O estudo ainda alerta para o uso de tábuas de madeira, que acumulam umidade e dificultam a limpeza. Materiais como plástico e vidro são mais indicados.
Além disso, é fundamental higienizar mãos, facas e superfícies ao alternar entre alimentos crus e prontos, evitando a contaminação cruzada.
Sintomas de intoxicação alimentar incluem vômito, diarreia e mal-estar, podendo ser mais graves em crianças e idosos.