Golpe da renda extra: como funciona a promessa das ‘tarefas remuneradas’

  • Nina Ribeiro
  • Publicado em 7 de abril de 2026 às 12:00
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Aplicativos de mensagens, como WhatsApp e Telegram, são a principal porta de entrada do golpe que promete renda extra com tarefas simples

Golpe da renda extra no WhatsApp cresce no país e faz vítimas perderem dinheiro com falsas tarefas remuneradas (Foto Raphael Souza)

 

Você é adicionado a um grupo no WhatsApp com dezenas de pessoas. Entre mensagens confusas, surge uma proposta aparentemente inofensiva de tarefas remuneradas: curtir uma postagem, avaliar um produto ou seguir um perfil em troca de um pagamento rápido.

O valor costuma ser baixo no início — cerca de R$ 8 a R$ 10 — e, em muitos casos, realmente cai na conta da vítima. É justamente esse primeiro pagamento que torna o golpe convincente.

O que começa como uma proposta simples de renda extra pelo WhatsApp pode terminar em prejuízo financeiro e frustração.

O golpe das chamadas “tarefas remuneradas” tem se espalhado em grupos de mensagens e redes sociais, atraindo vítimas com promessas de pagamentos rápidos por atividades fáceis, como curtir publicações, avaliar produtos ou seguir perfis em plataformas digitais.

Como funciona a armadilha

Depois da primeira tarefa, os participantes são encaminhados para novos grupos, muitas vezes no Telegram, onde aparecem missões com promessas de ganhos maiores.

A partir daí, entra a exigência de depósitos via Pix.

Os valores começam pequenos, mas aumentam conforme a vítima acredita que está acumulando lucro.

Uma vítima relatou ter perdido mais de R$ 5 mil. “Quanto mais eu dava, mais eu recebia. Mas chegou a um ponto em que eles me bloquearam e sumiram com o meu dinheiro”, contou.

No início, a proposta parecia legítima. Depois do primeiro contato, vieram atividades simples, como curtir uma venda em plataforma de e-commerce.

O pagamento foi feito normalmente, o que ajudou a gerar confiança. Segundo o relato, esse é justamente o mecanismo usado pelos criminosos para fazer a vítima acreditar que se trata de uma oportunidade real.

Golpistas simulam vítimas dentro dos grupos

Segundo relatos, muitos perfis que interagem nos grupos não são reais.

São contas controladas pelos próprios criminosos, que simulam dúvidas, fazem tarefas e mostram comprovantes falsos de pagamento para criar confiança.

Com a confiança estabelecida, o próximo passo é levar a vítima para grupos ainda mais ativos, geralmente no Telegram, onde aparecem as chamadas “missões especiais”, com promessa de ganhos maiores.

Nessa fase, porém, surge a exigência de transferências via Pix como condição para liberar novas tarefas ou aumentar o valor do suposto retorno.

Esse mecanismo gera a sensação de que todos estão ganhando dinheiro — e faz a vítima acreditar que o esquema é legítimo.

Por que tanta gente cai

O golpe explora gatilhos psicológicos simples:

– promessa de dinheiro fácil
– tarefas rápidas
– pagamento inicial verdadeiro
– senso de urgência
– prova social com grupos cheios de participantes

A lógica é clara: primeiro gerar confiança, depois aumentar o valor exigido

Os depósitos começam baixos, mas aumentam progressivamente. A vítima relatou que, enquanto fazia transferências, também recebia pequenos valores de volta, o que reforçava a sensação de que estava lucrando.

O problema aparece quando os valores sobem e os criminosos deixam de responder.

“Quanto mais eu dava, mais eu recebia. Mas chegou a um ponto em que eles me bloquearam e sumiram com o meu dinheiro”, contou.

Outro fator que torna o golpe mais convincente é a atuação de perfis falsos dentro dos grupos. Muitas das pessoas que interagem, fazem perguntas ou mostram comprovantes de pagamento são, na verdade, contas controladas pelos próprios golpistas.

A intenção é criar uma falsa sensação de normalidade e prova social, fazendo parecer que todos estão recebendo dinheiro sem dificuldades.

Tipo de golpe vem crescendo no Brasil

Especialistas apontam que esse tipo de fraude utiliza técnicas clássicas de engenharia social, explorando gatilhos psicológicos como confiança, urgência e promessa de recompensa fácil. O pagamento inicial funciona como isca e reduz a resistência da vítima diante das próximas exigências.

Dados recentes mostram a dimensão desse cenário no país. Levantamento nacional aponta que um em cada três brasileiros adultos já foi alvo de algum golpe digital. Mais de 61 milhões de pessoas relataram ter recebido tentativas de fraude.

Estudo da área de inteligência financeira também estima prejuízo de R$ 51 bilhões com golpes de engenharia social, sendo R$ 29 bilhões relacionados a fraudes via Pix.

Aplicativos de mensagem seguem como principal porta de entrada para esse tipo de crime.

Caí no golpe, e agora?

Ao receber propostas de renda extra com tarefas simples, a recomendação é não interagir, não clicar em links e não fornecer dados pessoais. O ideal é bloquear o número e denunciar o contato dentro do próprio aplicativo.

Se houver menção a empresas conhecidas ou ofertas de trabalho, a orientação é sempre confirmar diretamente nos canais oficiais.

Para quem já fez transferências, o mais importante é agir rapidamente: interromper qualquer contato, avisar o banco, solicitar o Mecanismo Especial de Devolução (MED) em caso de Pix, guardar prints, comprovantes e registrar boletim de ocorrência.

Também é necessário ficar atento a novas abordagens, porque em muitos casos os mesmos criminosos tentam contato novamente com novas promessas ou falsas propostas de recuperação do dinheiro perdido.

Fonte: TechTudo


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