Ter cuidado com água e alimentos em geral, especialmente na rua, é a regra de ouro para se manter saudável
Problemas gastrointestinais podem complicar, ou até mesmo arruinar, uma viagem que tinha tudo para ser agradável (Foto Arquivo)
Todos nós já encontramos aquele viajante com um estômago de ferro — que nunca tem problemas, fica enjoado, muito menos doente, mesmo depois de comer ostras mornas em uma barraca de rua, ou que consegue suportar, sem enjoo, mares agitados e estradas sinuosas.
Mas, para o resto de nós, problemas gastrointestinais podem complicar, ou até mesmo arruinar, uma viagem que tinha tudo para ser agradável.
Felizmente, um pouco de pesquisa, planejamento e preparação antes da viagem podem reduzir significativamente o risco de desconforto gastrointestinal. Aqui estão algumas dicas.
1. Conheça seu intestino
Se você tem tendência a problemas digestivos ou sofre de uma condição crônica como a doença de Crohn ou a síndrome do intestino irritável, “é importante saber quais são seus sintomas básicos para que você possa se antecipar quando for viajar”, disse Andrew Moore, gastroenterologista da Endeavor Health, rede de saúde sem fins lucrativos em Chicago.
Segundo ele, as mudanças na rotina e os alimentos incomuns que acompanham as viagens podem perturbar nosso ritmo gastrointestinal.
Portanto, é prudente levar medicamentos prescritos ou de venda livre para náusea, azia, diarreia, prisão de ventre ou outros problemas potenciais.
Para facilitar a bagagem, Pepto-Bismol, Imodium, Maalox e outros remédios populares vêm em forma de comprimido.
Se você estiver viajando a um destino com alto risco de doenças como a cólera (América do Sul e África Subsaariana) ou a febre tifoide (partes da Ásia, África e América Latina), consulte seu médico sobre as vacinas alguns meses antes da viagem, recomendou Moore.
“Pesquise sobre o lugar a que você está indo e saiba quais opções alimentares estarão disponíveis”, acrescentou ele, especialmente se você tiver alguma alergia ou intolerância alimentar.
Se você tem um estômago delicado ou restrições dietéticas especiais, como intolerância ao glúten, leve lanches ricos em fibras, que não precisem de refrigeração.
2. Filtre, ferva, cozinhe ou descasque
As cidades principais dos países desenvolvidos costumam ter água encanada potável. Mas, ao visitar áreas de risco, uma garrafa com filtro de água pode ser uma boa opção, afirmou Paul Connolly, ex-diretor administrativo da Water-to-Go, que fabrica vários modelos.
Essas garrafas filtram contaminantes, incluindo micróbios como norovírus, E. coli e campylobacter, geralmente enchendo uma seção com água não tratada e, em seguida, pressionando, bombeando ou sugando-a através de um filtro interno para outra seção.
E há um bônus: essas garrafas podem melhorar o sabor da água.
A água fervente mata os micróbios, e é por isso que o chá e o café são bebidas relativamente mais seguras. Mas, como esse procedimento quase nunca é prático para viajantes normais, disse Connolly, opte por água engarrafada selada na fábrica ou outras bebidas embaladas.
E evite gelo, porque o congelamento não mata a maioria dos micróbios. Lave as mãos cuidadosamente com sabão sempre que possível. O desinfetante para as mãos nem sempre mata micróbios nocivos como o norovírus e o cryptosporidium.
Em geral, “ferva, cozinhe, descasque ou esqueça”, aconselhou Sandra Eskin, diretora-executiva da organização sem fins lucrativos Stop Foodborne Illness (Evite as Doenças Transmitidas por Alimentos).
Isso significa que você deve pensar duas vezes antes de comer saladas e frutos do mar crus. Quando se trata de comida de rua, fique atento a sinais de higiene precária.
“Não consuma nada que tenha ficado exposto durante horas”, advertiu Eskin.
Connolly prefere ver os vendedores preparando a comida na hora. Considere fazer um tour gastronômico de rua com um bom guia ou esperar até o fim da viagem para experimentar coisas novas, para que suas férias não sejam arruinadas por patógenos transmitidos por alimentos.
3. Aprenda a conhecer os sinais de perigo
Se, apesar de todas as suas precauções, você ainda ficar doente, não se desespere.
Para adultos saudáveis, a maioria dos casos de diarreia do viajante — a doença mais comum causada por água contaminada, higiene precária ou alimentos questionáveis — se resolve por conta própria em um ou dois dias, assim como os casos leves de intoxicação alimentar, ensinou Moore.
Um antidiarreico pode ajudar, e é importante se manter hidratado. Boas opções incluem bebidas esportivas e produtos de reidratação, como Pedialyte ou Liquid I.V.
Caso os sintomas graves continuem por três dias, ou se você desenvolver febre alta persistente, fezes com sangue ou vômito, “procure imediatamente atendimento médico”, sugeriu Moore.
4. Mantenha os olhos no horizonte
Às vezes, a viagem em si pode causar enjoo. Até um terço das pessoas é altamente suscetível ao enjoo, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Saúde, provavelmente em razão de fatores genéticos.
Para evitá-lo, mantenha sua rotina, hidrate-se e evite alimentos e bebidas arriscados, disse Sara West, de 87 anos, comissária de bordo aposentada de Miami que começou sua carreira na Pan Am em 1959.
Segundo ela, “comer um cheeseburger gorduroso e beber um refrigerante antes de entrar no avião não é uma boa ideia”.
Viajantes propensos a enjoar devem evitar álcool e bebidas carbonatadas, pois as bolhas podem causar inchaço gastrointestinal e desconforto.
Kreena Shah, médica do grupo Inspira Health, em Nova Jersey, concordou com o conselho de West sobre evitar alimentos gordurosos ou picantes e recomendou medicamentos como dimenidrinato (Dramamine) e meclizina (Bonine), que geralmente estão disponíveis nas farmácias dos aeroportos.
O adesivo transdérmico de escopolamina tem efeito mais duradouro, mas requer receita médica. Embora alguns viajantes confiem nas pulseiras de acupressão, as provas de sua eficácia são controversas.
Caso sinta náuseas, tente concentrar a visão no horizonte. West desaconselhou a leitura ou o uso de telas, e Shah sugeriu tentar respirar lenta e profundamente, tomando ar fresco se possível.
Se você estiver viajando de avião, “peça ajuda ao comissário de bordo”, recomendou West. Eles normalmente não podem oferecer medicamentos, mas podem fornecer medidas de conforto, como uma compressa fria na nuca e alguns goles de refrigerante de gengibre.
Pesquisas recentes sugerem que o gengibre, incluindo suplementos em forma de cápsula, pode combater a náusea.