O mito da senha longa: por que tamanho não é sinônimo de proteção na internet

  • Rosana Ribeiro
  • Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 12:30
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Especialistas explicam por que aleatoriedade, uso único e autenticação em camadas pesam mais do que o número de caracteres

O tamanho da senha segue sendo um fator relevante, mas isso não funciona isoladamente. A forma como ela é criada e gerenciada é tão importante quanto (Foto Freepik)

 

Quanto maior a senha, melhor. Durante muito tempo, essa foi a premissa no mundo da segurança digital.

Contudo, em um cenário de ataques cada vez mais sofisticados e com o uso crescente de gerenciadores de senhas, essa lógica já não é suficiente para garantir privacidade e proteção de dados.

O tamanho da senha segue sendo um fator relevante, mas isso não funciona isoladamente. A forma como ela é criada e gerenciada é tão importante quanto.

O Cnet destaca que uma combinação longa, porém previsível, ou usada em diferentes serviços, pode ser facilmente explorada por criminosos digitais. Em contrapartida, uma senha mais curta, mas bem gerenciada e única, tende a oferecer uma camada de defesa mais eficaz.

O que faz uma senha forte

A força de uma senha passa pelo conceito de entropia, que mede o quão difícil é adivinhá-la. Quanto mais caracteres tiver, especialmente se esses caracteres forem aleatórios, mais combinações a pessoa mal intencionada que tentar acessar a conta terá que tentar.

Por exemplo, uma senha de 16 caracteres composta por letras, números e símbolos aleatórios pode levar séculos para ser quebrada por força bruta com o poder computacional atual.

Em comparação, uma senha de oito caracteres, mesmo que complexa, pode ser quebrada em horas ou dias se os atacantes tiverem acesso a ferramentas modernas de quebra de senhas.

Tamanho não garante segurança

Mas, como adiantado, o tamanho não adianta muito se a senha for previsível ou utilizada em várias contas. Uma alternativa, segundo o Cnet, é a frase secreta, uma sequência de palavras não relacionadas como rio-bateria-lua-tapete.

Como as frases secretas são longas e não dependem de substituições previsíveis, são significativamente mais difíceis de serem quebradas por força bruta do que senhas curtas e complexas, além de serem mais fáceis de lembrar.

Apesar disso, para os especialistas em segurança, senhas geradas aleatoriamente e armazenadas em um gerenciador de senhas são o padrão ouro, já que combinam comprimento, aleatoriedade e exclusividade.

O ponto negativo é que o usuário passa a confiar em uma única ferramenta para proteger vários logins. Isso torna a segurança da senha mestra, a ativação da autenticação de dois fatores e a manutenção das opções de recuperação atualizadas especialmente importantes.

Camadas adicionais

No fim das contas, não existe uma regra única capaz de resolver todos os problemas.

A segurança digital depende de camadas: senhas únicas, bem gerenciadas, autenticação adicional, atenção a tentativas de fraude e, sempre que possível, a adoção de tecnologias que dispensam senhas tradicionais, como chaves de acesso baseadas em biometria ou dispositivos físicos.

Quando uma barreira falha, são essas camadas adicionais que impedem que o prejuízo seja maior.

Fonte: Época Negócios