Rio Grande do Sul, Ceará, Bahia e São Paulo perdem vagas na indústria calçadista

  • Roberto Pascoal
  • Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 14:00
  • Modificado em 9 de janeiro de 2026 às 17:09
compartilhar no whatsapp compartilhar no telegram compartilhar no facebook compartilhar no linkedin

Em novembro, foram encerrados 663 postos de trabalho na indústria calçadista paulista

A indústria calçadista brasileira fechou o mês de novembro com a perda de cerca de quatro mil postos de trabalho, refletindo os efeitos combinados da desaceleração do mercado, do aumento das importações e, principalmente, do impacto do tarifaço imposto pelos Estados Unidos.

O resultado negativo atingiu diretamente os principais polos produtores do país, incluindo estados tradicionais do setor e cidades fortemente dependentes da atividade, como Franca.

O Rio Grande do Sul, maior empregador do setor no Brasil e também o mais exposto às exportações para o mercado norte-americano, foi o estado mais afetado no mês.

Somente em novembro, foram fechadas 1,53 mil vagas, levando o saldo acumulado dos 11 primeiros meses de 2025 a um resultado negativo de 1,8 mil empregos.

Com isso, o estoque de trabalhadores nas fábricas gaúchas caiu para 79,1 mil pessoas, uma retração de 5,5% em comparação com o mesmo período do ano passado.

Desde a adoção das tarifas adicionais pelos Estados Unidos, o estado já acumula perdas superiores a 3,3 mil postos de trabalho.

Ceará

Na sequência aparece o Ceará, segundo maior empregador da indústria calçadista. O estado perdeu 865 vagas em novembro, mas ainda mantém saldo positivo no acumulado do ano, com 472 empregos gerados.

Ao final do mês, as fábricas cearenses empregavam 69,6 mil trabalhadores, número 0,6% inferior ao registrado no mesmo período de 2024.

Bahia

A Bahia, terceiro maior empregador do setor, também apresentou retração em novembro, com o fechamento de 313 postos de trabalho.

Apesar disso, o estado segue com desempenho positivo no acumulado do ano, somando 3,66 mil novas vagas. O estoque de empregos nas fábricas baianas chegou a 44,53 mil, crescimento de 6,1% em relação ao ano anterior.

Paulistas

São Paulo, outro estado fortemente impactado pelo tarifaço dos Estados Unidos, aparece como o quarto maior empregador do setor.

Em novembro, foram encerrados 663 postos de trabalho na indústria calçadista paulista. Ainda assim, o saldo dos 11 meses de 2025 permanece positivo, com a geração de 2,48 mil empregos.

O estoque total no estado ficou em 32,88 mil trabalhadores, queda de 1,3% na comparação anual.

Dentro desse cenário, polos tradicionais como Franca, referência nacional na produção de calçados, sentem diretamente os reflexos da retração.

A redução de vagas no estado de São Paulo impacta a cadeia produtiva local, que depende tanto do mercado interno quanto das exportações, reforçando o clima de cautela no setor e a expectativa por um ambiente econômico mais favorável nos próximos meses.na in


+ Economia