Luto não ocorre só na morte – entenda as fases e a importância de cada uma

  • Cesar Colleti
  • Publicado em 1 de junho de 2018 às 23:52
  • Modificado em 8 de outubro de 2020 às 18:46
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Ao contrário do que muitos pensam, este não é um sofrimento restrito à morte de entes queridos

Sentir que aquilo ou
aquele que se foi deixará a vida incompleta é natural para pessoas que
estão passando por algum tipo de luto. Ao contrário do que muitos pensam, este
não é um sofrimento restrito à morte de entes queridos.

O luto pode acontecer por diversos motivos, desde o
desemprego, término de namoro, até mesmo a saída dos filhos de casa. “Na
realidade, qualquer perda, seja de alguma coisa ou alguém com quem se teve
forte vínculo, pode ser caracterizada como luto. E é preciso respeitar
o momento dessas pessoas”, comenta a psicoterapeuta, especialista em
Psicologia Hospitalar pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, Sabrina
Gonzalez.

Sinais
do luto: quais são

A especialista comenta que os
sintomas podem aflorar de maneiras diferentes em cada pessoa. “Há quem chore com frequência e
quem tenha bloqueio de chorar. Mas os sinais mais comuns são desânimo, mudança
de humor e, geralmente, mais sentimento de raiva. Já algumas pessoas ficam
extremamente retraídas”, diz Gonzalez.

Fases
dos lutos

Especialistas da área da psicologia
entendem que o luto apresenta diversas fases, mas nem sempre elas acontecem em
uma sequência exata. Tampouco de forma tão definida.

Outro aviso que a
psicoterapeuta Sabrina Gonzalez reforça é para a importância de passar por
esse processo de perda, por mais doloroso que seja. “Algumas pessoas
simplesmente acham que conseguem negar a perda, mas isso pode ter um efeito
rebote mais sério depois”, comenta. 

Negação

É a fase da defesa psíquica, quando a pessoa
não aceita o que aconteceu e tenta contornar a situação.
“Ela cria até mesmo mecanismos fantasiosos, porque através disso
evita lidar com a emoção do fato”, comenta a psicoterapeuta. 

Raiva e barganha

É quando a pessoa começa a ter raiva do que
aconteceu, se sentir injustiçada e perguntar os motivos de tudo o que
houve. “E muitas vezes a barganha aparece junto, quando o indivíduo
tenta ‘negociar’ com a vida pelo que ocorreu. É um sentimento de
responsabilidade”, comenta a especialista. 

Depressão

Demarca a fase da melancolia e
do reconhecimento da perda, e de que não há mais como voltar atrás.
“Mesmo reconhecendo, outros sentimentos como a raiva podem aparecer
novamente, e é completamente natural”, garante a psicóloga. Há quem não consiga
sair desta etapa e precise de ajuda profissional para isso. 

Aceitação

Geralmente é a última fase do luto e é caracterizada
pelas pazes com o que aconteceu. “A pessoa começa a enxergar perspectiva
sem aquele ou aquilo que se perdeu e que está pronta para seguir em
frente”, diz.

Como ajudar alguém nessa situação?

É possível que muitas pessoas sintam vontade de
simplesmente tirar a dor do outro. Mas isso não é possível.

A melhor maneira de acolher quem passa por essa
situação é respeitar o momento e não julgar os sentimentos alheios. “É
literalmente ouvir e escutar de maneira afetuosa, sem julgamentos ou
pressões”, diz Sabrina Gonzalez. 

Frases que podem ajudar: “Entendo como você se
sente e estou do seu lado”; “sei que é difícil, estou aqui para o que
precisar”. 

Quanto tempo dura o luto?

A especialista explica que a duração muda de acordo
com o tipo da perda. Isto é, se aconteceu inesperadamente, se foi de
alguém com quem se tinha muito vínculo afetivo, como filhos ou pais, etc. “Porém,
é preciso lembrar que nunca podemos subestimar a dor alheia, por menor que
nos pareça ser”, alerta Sabrina. 

Superação do luto

É fato que não há
tempo ideal para o luto acabar, mas é importante dizer que quanto mais a
pessoa adiar o contato com a tristeza e a perda, mais será prejudicial lidar
com isso no futuro. “Não é algo legal, é sofrido, mas tudo é
passageiro. É um momento de dor, mas essencial para ajudar a lidar com coisas
mal resolvidas. E ensinar a ver a vida de outro modo e descobrir novos caminhos
e perspectivas.”

Muitas pessoas
pensam que o processo de luto é negligenciar o que se viveu. “Porém, é o
contrário, aquilo sempre será parte de você. Toda a história vivida até
então sempre existirá. Mas é preciso enxergar o que ainda se tem pela
frente”, comenta a especialista. 


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