O que dormir com a televisão ligada diz sobre você e sua saúde

  • Nina Ribeiro
  • Publicado em 1 de julho de 2025 às 22:00
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Especialistas explicam como o hábito de dormir com a TV ligada impacta a saúde física e mental

Dormir com a TV ligada é um hábito comum, mas que prejudica a saúde física e mental – foto Arquivo

 

Adormecer com a televisão ligada é um hábito comum para muitas pessoas. Contudo, especialistas alertam: a prática pode mascarar problemas e impactar negativamente a saúde física e mental.

“Muitas vezes, a televisão funciona como uma espécie de “ruído de fundo” que ajuda a abafar pensamentos ansiosos ou o desconforto com o silêncio absoluto”.

“Esse hábito pode estar relacionado a quadros de insônia, ansiedade ou mesmo a uma condição conhecida como “estado hiperalerta”, em que o cérebro permanece excessivamente ativo na hora de dormir”, explica o psiquiatra William Augusto Araújo, professor do curso de Medicina do Centro Universitário Max Planck (UniMAX Indaiatuba).

“Em alguns casos, há um quadro de insônia condicionada, em que o cérebro desaprendeu a relaxar em silêncio. Pode também estar relacionado a quadros de ansiedade, depressão ou solidão, onde o ruído da TV funciona como “companhia sonora”.

É um alerta de que o sono pode estar sendo usado como forma de escape, e não como um processo fisiológico natural e restaurador”, completa o otorrinolaringologista Fernando César Mariano, mestre e especialista em Medicina do Sono do Hospital IPO.

Os impactos na saúde ao dormir com a TV ligada

Dormir com a televisão ligada pode impactar a saúde de diversas maneiras, uma delas é fragmentando o sono e reduzindo a proporção das fases mais restauradoras, como o sono profundo (N3) e o REM, essenciais para a memória, a regulação emocional e o reparo celular.

“A luz azul emitida pela tela interfere na produção de melatonina, nosso principal hormônio indutor do sono. Além disso, os sons e variações de volume, mesmo que não sejam totalmente percebidos, mantêm o cérebro em estado de alerta, como se estivesse “meio acordado””, explica Fernando.

Outro ponto a ser considerado é a interferência da luz no ritmo circadiano, ou seja, no ritmo do relógio biológico.

“A luz é o principal sincronizador do nosso relógio biológico. O corpo interpreta a presença de luz como sinal de dia, inibindo a melatonina e mantendo-nos despertos”.

“À noite, especialmente a exposição à luz azul de telas, pode atrasar o início do sono e desregular os ritmos circadianos, que governam não só o sono, mas também hormônios, temperatura corporal, metabolismo e até o sistema imunológico”, observa Fernando.

O hábito de dormir com a TV ligada pode ainda ocasionar problemas no sistema cardiovascular, visto que é durante o sono que o corpo regula a frequência cardíaca e a pressão arterial, além de causar oscilações de humor, entre outros problemas de saúde mental.

“Embora possa parecer um hábito inofensivo, ele pode mascarar questões relacionadas à saúde mental, que merecem atenção profissional”.

“A qualidade do sono tem impacto direto na regulação emocional e no funcionamento cognitivo, por exemplo. Dormir bem não é um luxo, mas sim uma necessidade fisiológica”, adverte a psicóloga Maria Beatriz Zanarella Cruz, docente do curso de Psicologia do Centro Universitário de Jaguariúna (UniFAJ).

O que fazer para dormir melhor

Retirar a TV do quarto é o primeiro passo para quem deseja dormir melhor e a providência é ainda mais necessária quando se trata de crianças e adolescentes, conforme explica William.

“No caso de crianças e de adolescentes, estudos mostram que ter televisão no quarto e dormir com ela ligada diminui a duração total do sono, aumenta os despertares durante a noite e gera sonolência durante o dia”.

“Em adultos, pesquisas populacionais mostram que esse hábito está relacionado à insônia, sono mais curto e até uso frequente de medicamentos para dormir.”

Além de deixar a televisão para fora do dormitório, outras atitudes que ajudam a ter um boa noite de sono são:

– Desconecte-se uma hora antes de dormir: evite telas e notícias estimulantes;
– Crie um ritual de desaceleração: leitura leve, banho morno, luz baixa;
– Evite cafeína, álcool e refeições pesadas à noite;
– Mantenha horários regulares para dormir e acordar, inclusive nos finais de semana;
– Invista na qualidade do ambiente: quarto escuro, silencioso, fresco e confortável;
– Procure avaliação médica se roncar alto, tiver pausas na respiração ou sono não reparador.

Fonte: Casa Vogue


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