Começou como merendeiro, passou a professor e agora se tornou diretor de escola

  • Cláudia Canelli
  • Publicado em 7 de abril de 2023 às 09:00
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Professor de história, o agora diretor começou a trajetória como merendeiro e celebra a aprovação de alunos no ensino superior

O agora diretor em foto com alunas da escola (Arquivo pessoal)

A história do professor Rogério Nunes Passos, 45 anos, é composta por ingredientes distintos que, juntos, resultaram na receita perfeita para integrar um banquete digno de palácios. Uma pitada de destino, várias porções de perseverança, outra medida de dedicação e quilos de solidariedade e respeito ao próximo.

Não à toa, ele começou a carreira na educação onde provavelmente poucos docentes passaram: na cantina. Rogério foi aprovado no concurso de 2006 da Secretaria de Educação do DF, para o cargo de técnico administrativo, na função de merendeiro.

À época, ele cursava história no UniCeub, ainda não pensava em se tornar professor, e fazia parte de um projeto de extensão que atendia a comunidades em situação de vulnerabilidade social no Setor de Chácaras Santa Luzia, na Estrutural.

Não pensou duas vezes

Quando viu que havia uma vaga para atuar em escola da região administrativa, não pensou duas vezes, e foi trabalhar na cozinha da Escola Classe 1 Vila Estrutural.

“A escolinha era de madeirite. Quando chovia, molhava a escola de ponta a ponta. Não tinha muro, era uma cerca de arame farpado. E toda aquela situação com os professores me chamou mais a atenção ainda. A questão de ver os meninos naquela situação, ouvir as histórias deles”, relata o professor sobre o motivo de ter escolhido fazer a habilitação em licenciatura. “A vivência dentro da escola me fez querer a área de educação”, completa.

“Eu fiquei como merendeiro de 2006 até 2008, e então fui chamado para a função de supervisor administrativo. Como era uma cidade muito carente, quase nenhum servidor queria ir para lá”, conta Rogério, que aumentou a cada dia sua admiração pela Estrutural.

Cativo no coração

As experiências na sala de aula de fato se resumiram a períodos em uma escola particular e no estágio, mas a carreira se consolidou em cargos de gestão na Secretaria de Educação.

Hoje, Rogério é diretor do Centro Educacional (CED) 4 do Guará, outra cidade do DF que tem lugar cativo em seu coração. A formação como professor de história permitiu que ele fosse escolhido para o cargo mesmo integrando a carreira de técnico.

Até chegar ao curso ideal, Rogério navegou pelas ciências humanas, pesquisou as formações disponíveis nas faculdades do DF e tentou, por três semestres, entrar na Universidade de Brasília (UnB). Encontrou, no curso de história e no trabalho nas escolas, a realização.

Capítulo a ser escrito

Depois de trabalhar na primeira escola da Estrutural, assumiu um novo cargo no CEF 2 da mesma região, teve uma passagem rápida pelo Gama e veio o convite para ser supervisor no CED 4 do Guará, em maio de 2017.

Três anos depois, virou diretor. Era 2020, “o fatídico ano da pandemia”, lembra Rogério. E aí, um novo capítulo começou a ser escrito.

Segundo notícia do Correio Braziliense, para percorrer o caminho que o levou até a esse ponto, Rogério diz que não há mistério: bastou acreditar na educação.

“Como é que esse cara que começou como merendeiro e foi administrativo, chega na gestão? Primeira coisa acho que é acreditar que educação. E isso não é utopia. Não é falar da boca para fora. Senão, eu não estaria aqui. Educação é o único caminho que eu vejo, em termos legais, que pode fazer com que a pessoa sonhe em alcançar seus objetivos de maneira correta, concreta, decente e responsável.”


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