Hélio Rubens, Fransérgio e Pedroca estavam nas Olimpíadas de Munique de 1972, quando terroristas provocaram o massacre de israelense
Hélio Rubens Garcia na sala de troféus que mantém em sua casa: tristeza com a lembrança de Munique
Depois de se destacar como armador da equipe de basquetebol de Franca, Hélio Rubens Garcia tinha chegado à Seleção Brasileira e, inclusive, disputado os Jogos Olímpicos do México, em 1968, quando o Brasil ficou em quarto lugar, com duas derrotas para a União Soviética e uma para os Estados Unidos – o que era considerado absolutamente normal.
Titular do time brasileiro, quatro anos depois ele estava novamente convocado para disputar os Jogos Olímpicos, desta feita em Munique, e agora já como capitão da seleção.
Na mesma equipe estava o seu irmão, Francisco Sérgio Garcia, Fransérgio e, como prova do destaque do time de Franca, o técnico da Seleção Brasileira era o já falecido professor Pedro Murilla Fuentes, Pedroca.
O conjunto era composto pelo que de melhor havia no basquete do Brasil, contando, inclusive, com Adilson e Zé Geraldo, que três anos depois iriam jogar em Franca, naquele que foi considerado o melhor time do basquetebol brasileiro de todos os tempos, ganhando praticamente todas as competições que disputou, inclusive dois vice-campeonatos mundiais.
Incredulidade e tristeza
A alegria e o orgulho de disputar os Jogos Olímpicos ninguém nunca tirou e nem vai tirar de Hélio Rubens e Fransérgio. E, junto com o fato de ter criado o movimento do basquetebol francano, também ninguém os tiraram do professor Pedro Murilla Fuentes.
Mas ninguém também vai tirar de Hélio Rubens e de Fransérgio a incredulidade, a tristeza, o sentimento de impotência, o olhar perdido num ponto do horizonte, a indignação e a incompreensão de ver a maior competição esportiva do mundo sendo manchada pelo sangue do terrorismo e pela morte de atletas israelenses, dentro de uma Vila Olímpica que foi construída exatamente para apagar os traços de intolerância, da segregação racial e das diferenças religiosas que Adolf Hitler impregnou às Olimpíadas de 1936, também em Munique.
A preparação de dias e meses para ter o melhor desempenho possível numa competição que só tinha os melhores do mundo em suas modalidades, estava comprometida de uma hora para outra pela frustração de não assistir as competições nas pistas, piscinas, campos e quadras – para as quais todos estavam prontos – mas sim a um confronto ideológico, com uso de armas, ultrapassando as raias da loucura.
O uso dos símbolos olímpicos pelo terror internacional
De repente, os principais símbolos olímpicos tinham sido invertidos e estavam sendo aplicados como lemas do terrorismo internacional.
A bandeira branca com os cinco círculos coloridos tinha sido substituída por cartazes e escritos de chantagens, ameaças e exigências de troca de prisioneiros por atletas.
A chama da tocha olímpica tinha virado explosivos e granadas, que jogavam pelos ares quaisquer tentativas de pacificar as pessoas e devolver paz para aquele ambiente.
O juramento solene dos atletas naquele momento se transformou no som do silêncio manchado pelo sangue que corria dos participantes atingidos no ideal de representar com dignidade o povo do país que acreditava neles.
O mascote olímpico não era mais uma figura simpática do cãozinho Waldi, que alegrava o mundo, mas a imagem de metralhadoras nas mãos dos terroristas.
A crença olímpica tinha outra interpretação: o importante não era participar e nem competir, mas lutar, matar e morrer, impulsionada pela estupidez que ofusca e desvirtua o objetivo da evolução humana.
Para o Pedroca o atentado em Munique contrariou tudo o que pregou durante a vida toda
Princípios do esporte
Educado nos princípios do esporte e nos exemplos de superação que recebeu do professor Pedroca, Hélio Rubens lembra que era difícil, muito difícil, acreditar que aquela manifestação esportiva de amplitude mundial pudesse ser tão rudemente desvirtuada por qualquer tipo de violência, ainda mais por um ato terrorista que atingia pessoas que nunca se prepararam para outra coisa senão a prática de esportes, muitas vezes às custas de sacrifícios profissionais, familiares ou pessoais.
Ele lembra que o alojamento dos atletas brasileiros ficava bem em frente ao prédio em que estavam os atletas de Hong Kong e também os uruguaios e israelenses, onde tudo se passou.
“Depois que a notícia correu pela Vila Olímpica, da nossa sacada dava para ver os terroristas encapuzados e com as armas nas mãos fazendo ameaças para os atletas e gritando com pessoas que estavam nas vias de pedestres, em baixo”, lembra, acrescentando que era muito difícil para as pessoas que treinaram para um clima de competição esportiva estar próximo de um ato terrorista como aquele e, o que era pior, sem nenhum tipo de preparação para enfrentar a ameaça, até mesmo do ponto de vista psicológico.
Uma invasão preparada em minúcias e efetuada com muito sangue frio
O banho de sangue nas Olimpíadas de Munique começou às 4h10 do dia 5 de setembro, em pleno andamento dos jogos.
Nessa hora, cinco jovens palestinos usando roupas e mochilas esportivas cheias de armas escalaram a cerca de arame de dois metros de altura perto do portão 25 da Vila Olímpica.
Lá dentro, perto do prédio atacado, se encontraram com outros três que tinham entrado com credenciais. Por volta das 4h20, os terroristas usaram uma cópia da chave para abrir a porta de um dos apartamentos da equipe olímpica israelense.
Yosef Gutfreund, árbitro de luta romana, ouviu vozes falando árabe, avisou seus colegas de equipe e se jogou contra a porta de entrada.
Corpo jogado da sacada
Tuvia Sokolsdy, levantador de pesos, conseguiu escapar por uma janela nos fundos do prédio antes que os palestinos entrassem no apartamento.
Na tentativa de se defender, Moshe Weinberg, que era técnico de luta romana, levou um tiro. Às 4h35 os terroristas invadiram os outros apartamentos e capturaram nove israelenses.
Mesmo ferido, Weinberg, o lutador Gad Tsabari e o levantador de pesos Yossi Romano tentaram fugir do apartamento.
Tsabari fugiu pelo porão, mas os outros dois foram atingidos por uma rajada de metralhadora. Somente 45 minutos depois o alarme soou na sede da polícia de Willi-Gebhardt-Ufer. Foram alguns minutos até a polícia e a divisão de segurança das Olimpíadas chegarem à cena do ataque.
Imagem correu o mundo
O terrorista de rosto pintado de preto e usando um gorro – numa foto que correu o mundo – era Luttif Afif, conhecido como Issa. Com 35 anos de idade, ele havia estudado na Alemanha Ocidental durante muitos anos, tinha conseguido emprego na Vila Olímpica e falava alemão.
Da sacada, ele gritou: “Entrem em contato com o governo de Israel”. Num folheto que jogaram da sacada, se identificaram como membros do grupo terrorista Setembro Negro, facção radical da Organização para a Libertação da Palestina, e exigiam a libertação de 234 árabes presos em Israel, além de dois alemães que estavam presos em Stammheim e eram membros do Exército Vermelho.
Se as exigências não fossem atendidas, os reféns seriam mortos. Os terroristas não estavam brincando e nem blefando. Às 5h21 eles jogaram o corpo de Moshe Weinberg do apartamento. Enquanto isso, Yossi Romano sangrava até a morte diante de seus colegas de equipe.
A condenação da barbárie pelo mundo civilizado e uma cerimônia de paz
Uma tentativa de negociação começou às 6h40, conduzida por Walther Troger, prefeito da Vila Olímpica, junto com Willi Daume, presidente do Comitê Olímpico Nacional, Manfred Schreiber, chefe de Polícia e da Segurança dos Jogos, e Bruno Merk, ministro do Interior da Bavária. Mas os terroristas rejeitaram todas as propostas.
Com a Vila Olímpica já cercada, o ministro do Interior, Hans-Dietrich Genscher, foi para lá tentar uma negociação.
Informada imediatamente, a primeira ministra Golda Meier, de Israel, declarou que não poderia e nem aceitaria uma negociação com os terroristas.
Essa era uma decisão política tomada pelo governo israelense anos antes, como estratégia para não capitular perante as várias ações que se praticavam contra a população de Israel.
Empolgação e frustação
Empolgado por fazer parte da seleção brasileira de basquetebol na principal competição esportiva do mundo, Fransérgio carregava consigo naquele momento um misto de empolgação e frustração.
As incertezas que marcaram aquelas longas horas mostravam que os jogos poderiam continuar, mas a alegria havia ido embora.
Às 9 horas, Hans Klein, porta-voz das Olimpíadas, fez um pronunciamento oficial, assinado por Willi Daume e Avery Brundage:
“A paz das Olimpíadas foi destruída por um ataque assassino, cometido por terroristas criminosos. Todo o mundo civilizado condena e repudia esse ato de barbárie. Como homenagem às vítimas e em sinal de simpatia pelo destino dos reféns ainda presos, os eventos programados para esta tarde serão suspensos. O Comitê Olímpico Internacional e o Comitê Organizador, juntamente com os participantes, irão realizar um serviço em memória das vítimas no Estádio Olímpico. Esta cerimônia pretende deixar claro que o espírito olímpico é mais forte do que a violência e o terrorismo”.
Pela sobrevivência das Olimpíadas
Willi Daume, com o apoio dos chefes de delegação de vários países, foi além na sua afirmação, dizendo: “Tantas pessoas já foram assassinadas, não queremos que os terroristas também matem os Jogos”.
Passados 50 anos do banho de sangue em Munique, Fransérgio não entende como se pode manchar o mais belo espetáculo esportivo do mundo de uma forma tão trágica.
Com o passar os anos, ele entende melhor os fatos, mas não as causas, e tem consciência de que praticamente o mundo todo parou no dia 5 de setembro de 1972 para acompanhar o desenrolar do ataque terrorista.
“Hoje eu tenho consciência de que para a Alemanha, mais do que para os outros, aquela tragédia tinha um significado devastador e desesperador. Eles organizaram os jogos de uma forma amigável e cosmopolita, exatamente para apagar as imagens deixadas pelos jogos de 1936, realizados sob o domínio de Hitler”, lembra.
Para Fransérgio até hoje é difícil acreditar num massacre nas Olimpíadas
Para mostrar ao mundo uma nova Alemanha, a organização manteve um policiamento ostensivo mínimo. Os mais de dois mil seguranças vestiam ternos, não tinham armas e nem poderes como polícia. Estavam equipados somente com rádios, megafones e lanternas.
Para lidar com eventuais conflitos, distribuíam doces, flores e o mascote olímpico, que era um cãozinho chamado Waldi. Apesar dos avisos de alerta, as forças de segurança consideravam uma ameaça terrorista como irrealista demais. Todos eles estavam enganados nessa premissa.
Ainda hoje, com os fatos marcantes na memória, Fransérgio lembra que a Vila Olímpica era um jardim suspenso, com árvores, gramados, praças com fontes luminosas, salas de jogos e televisão para diversão e entretenimento dos atletas.
Como foi inteiramente planejada – assim como Brasília – a circulação dos veículos era subterrânea e para se chegar aos prédios era preciso utilizar elevadores ou escadas em caracol, tudo com muita facilidade e praticidade.
Lembrança da Vila Olímpica
Os prédios tinham de quatro a oito andares. As delegações maiores ficaram em alojamentos grandes e as com menos atletas foram para prédios menores, como aconteceu com os israelenses e uruguaios, bem à frente do alojamento brasileiro.
O que se desenrolou nos dias 5 e 6 de setembro de 1972 ficou tão marcado na memória de Fransérgio que ele fez questão de ir a Munique outras vezes.
“Voltei à Vila Olímpica e fiquei admirando aquele lugar tão bem feito, tão bem planejado e não consigo imaginar como uma ideia humanitária e bonita como os Jogos pôde ser comprometida por um ato de terrorismo. Na época, no ardor da competição e focado nos jogos, não tive a dimensão exata do que acontecia, mesmo porque só fomos verdadeiramente saber depois de terminados os jogos e acompanhar pela imprensa a barbárie daquilo tudo”, diz o cardiologista francano.
Tudo muito organizado
Hélio Rubens conta que quando as delegações precisavam ir aos treinos, nas piscinas, quadras, pistas ou campos, o transporte era feito por ônibus do Exército alemão, que pegavam os atletas num ponto de estacionamento, num dos portões da Vila Olímpica.
Na volta, os atletas eram deixados no mesmo local. “Naquele dia, ao voltar para o alojamento, todos nós da delegação percebemos uma grande movimentação de homens e veículos numa área ajardinada, o que não era normal, porque era proibido o trânsito de veículos – só permitido nas ruas subterrâneas – e também porque na Vila Olímpica não havia ruas, só caminhos para pedestres. Também havia uma grande faixa interditada. Foi quando tomamos conhecimento do sequestro e do ato de terrorismo”, lembra o principal atleta francano de todos os tempos.
Em meio ao terrorismo, uma mensagem de amor e um caminho de flores
Quando a notícia do sequestro e das mortes se espalhou, começou uma grande discussão se os jogos deveriam ser suspensos ou se deveriam continuar.
Na mesma tarde, resolveram suspender todas as competições por um dia e continuar no dia seguinte. Ninguém ainda tinha dimensão da tragédia.
Então, as delegações se reuniram no estádio olímpico para uma homenagem aos atletas mortos, com orações e uma apresentação de música sinfônica. Com as bandeiras hasteadas a meio mastro, o presidente do Comitê Olímpico Internacional, Avery Brundage, declarou: “Os Jogos devem continuar”.
Mas já não eram “jogos felizes” depois do ataque terrorista. “Quando eu estava voltando para o alojamento brasileiro vi uma coisa que me arrepia até hoje. Os caminhos para o prédio em que ficavam os israelenses estavam cobertos com milhares de buquês de flores, que as delegações enviaram para homenagear os atletas mortos e os reféns”, conta Hélio Rubens.
Operação de resgate
Às 16h30 do dia 5 de setembro, os terroristas palestinos viram pela televisão do apartamento dos reféns que a polícia alemã estava se posicionando para invadir o prédio.
Com a informação, exigiram a retirada dos atiradores e um avião para que pudessem partir para o Cairo com os reféns israelenses.
Satisfeito com a notícia de que quase todos os reféns estavam vivos, o governo alemão concordou com a exigência.
Enquanto preparavam o avião e o transporte, as forças de segurança da Alemanha planejavam uma operação de resgate. Às 22h22 daquela noite os terroristas partiram do alojamento da Vila Olímpica, com todos os reféns, em dois helicópteros.
O destino era a base militar de Furstenfeldbruck, 30 quilômetros a oeste de Munique. Na frente dos dois helicópteros foi um outro com os comandantes alemães da operação e ainda o chefe do serviço secreto israelense, Zvi Zamir.
Na base, os comandantes foram para a torre de controle. O plano de resgate começou a fracassar quando dois palestinos desceram do helicóptero e inspecionaram o Boeing 727.
Às 22h40 os agentes alemães abriram fogo contra os palestinos, mas não conseguiram acertar os oito terroristas de uma só vez – apenas três foram atingidos e mortos na hora. Os outros começaram um tiroteio com as forças de segurança da Alemanha.
O fracasso do resgate matou nove reféns, um policial e cinco terroristas
Como não estavam esperando um ataque terrorista, considerada uma hipótese irrealista demais, as forças alemãs não haviam se preparado para uma operação de resgate.
Além disso, não houve um serviço de informação eficiente. Os alemães achavam que eram apenas cinco sequestradores e posicionaram apenas cinco atiradores de elite em pontos estratégicos, número que foi insuficiente para a primeira parte do plano e que resultou na tragédia que se viu.
Os outros participantes da operação estavam disfarçados de funcionários da base. Além disso, os helicópteros não pousaram na posição desenhada e planejada, o que deixou os atiradores em posições difíceis e sem visão completa dos sequestradores.
Quando os oficiais chegaram à pista de decolagem e exigiram a rendição, os terroristas lançaram uma granada num dos helicópteros e atiraram no outro.
Mortos com rajadas de metralhadora
Os reféns, que estavam amarrados nas poltronas, não tiveram qualquer chance de escapar. Eles morreram em meio a rajadas de metralhadoras, explosão de granadas e quem ainda pudesse estar com vida morreu queimado ou sufocado pela fumaça.
Quando, às 1h10 do dia 6 de setembro de 1972, foi feito o levantamento da operação, é que se teve a verdadeira dimensão da tragédia: todos os nove reféns estavam mortos, assim como cinco dos oito terroristas. Os outros três estavam feridos. Um policial foi morto no térreo da torre de controle e vários outros ficaram feridos.
O chanceler da Alemanha, Willy Brandt, se declarou altamente envergonhado e descreveu o episódio do resgate como “uma prova chocante da incompetência alemã” para combater o terrorismo.
O chefe do serviço secreto israelense, Zvi Zamir, destacou que Israel estava mais bem preparado do que os alemães para lidar com a situação e que o resgate nunca deveria ter sido tentado naquele local e naquele momento.
No dia 7 de setembro, o que sobrou da equipe israelense partiu para Tel Aviv num vôo da El Al, com os caixões de seus companheiros mortos. Os corpos dos terroristas foram transferidos para Trípoli, a pedido do coronel Gaddafi, líder revolucionário da Líbia, e lá receberam um funeral com honras de heróis.
Um massacre de inocentes para revoltar o mundo e ser lembrado por muitos anos
Passados 50 anos daquele banho de sangue, é possível se ter uma visão crítica do episódio, com a consciência de que a ação do grupo Setembro Negro foi planejada para mostrar ao mundo um conflito restrito ao Oriente Médio.
Especialistas analisaram que depois da transmissão pela televisão da descida do homem na Lua e da transmissão ao vivo da Copa do Mundo de 70, no México, as Olimpíadas de Munique também eram um evento com transmissão para o mundo inteiro.
Hélio Rubens diz que “qualquer coisa que acontecesse lá iria repercutir globalmente, como de fato aconteceu. Na época, diziam que mais de 500 milhões de pessoas no mundo todo estariam assistindo aos jogos em tempo real. Então, essas pessoas viram também as imagens e a mensagem pretendida pelos terroristas”, diz ele.
Marco na história moderna
Na cerimônia de encerramento dos jogos, no dia 11 de setembro de 1972, Willi Daume, presidente do Comitê Olímpico Nacional da Alemanha, foi profético:
“Em alguns meses, anos ou até depois de algumas décadas, dirão que Munique foi um marco na história moderna, revelando claramente em toda a sua tragédia, confusão e despreparo, os problemas que temos que enfrentar no mundo de hoje. Para mim, há apenas um arrependimento sem fim por não termos conseguido fazer dos Jogos a festa inesquecível que deveriam ter sido”.
20º JOGOS OLÍMPICOS
Local – Munique – Alemanha
Data: 27 de agosto a 11 de setembro de 1972
Equipe de Basquetebol do Brasil
Adilson 96
Mosquito 11
Fransérgio 29
Hélio Rubens 107
José Aparecido dos Santos 20
Edvar Simões (0),
Zé Geraldo 7
Menon 94
Marquinhos 144
Radvilas 19
Ubiratan 136
Dodi 68
Técnico: Pedro Murilla Fuentes.
Campanha do Brasil
Brasil 110 x 55 Japão
Brasil 110 x 84 Egito
Brasil 72 x 69 Espanha
Brasil 54 x 61 Estados Unidos
Brasil 83 x 82 Tchecoslováquia
Brasil 69 x 75 Austrália
Brasil 63 x 64 Cuba
Brasil 83 x 87 Porto Rico
Brasil 87 x 69 Tchecoslováquia
Classificação final
1º- União Soviética;
2º- Estados Unidos;
3º- Cuba;
4º- Itália;
5º- Iugoslávia;
6º- Porto Rico;
7º- Brasil;
8º- Tchecoslováquia;
9º- Austrália;
10º- Polônia;
11º- Espanha;
12º- Alemanha;
13º- Filipinas;
14º- Japão;
15º- Senegal;
16º- Egito.
Cólera de Deus
Durante alguns anos, uma equipe de reportagem do Discovery Chanel percorreu o mundo para fazer um documentário, baseado na chamada operação “Ira de Deus” ou “Cólera de Deus”, lançada pelo governo de Israel, então sob o comando de Golda Meier, para vingar as mortes dos israelenses nas Olimpíadas.
Grupos de elite do Mossad – Serviço Secreto de Israel – foram encarregados de eliminar todos os participantes, líderes terroristas e os planejadores do massacre de Munique.
A ideia central do governo israelense era mostrar que a ação em Munique não teria valido a pena e que operações do gênero seriam tratadas da mesma forma.
Esse documentário, que ouviu os verdadeiros participantes e inclusive os chefes do Mossad, em períodos diferentes, serviu de roteiro para Steven Spielberg filmar Munique.
O documentário tem informações que o filme não tem, já que o filme pôde incluir partes de ficção, enquanto o documentário tenta ser o mais realista possível, pois que num caso assim nem todas as informações estão disponíveis.
Como uma grande reportagem, ele mostra que líderes e agentes terroristas foram mortos em operações realizadas em Roma, Nicósia, Paris, Beirute, Berlim Oriental e Trípoli.
Enquanto o filme mostra apenas alguns episódios do que seria a operação, o documentário sugere muitas outras ações em várias partes do mundo.
O massacre de Munique, como ficou conhecido, gerou vários livros e filmes, como Massacre em Munique, Um Dia em Munique, Setembro Negro, além do próprio Munique, que teve repercussão internacional por ter sido feito por Steven Spielberg.
O filme, além cenas reais do ato terrorista, que aparecem como flashback, mostra dilemas pessoais e conceitos operacionais que ainda hoje norteiam as ações de israelenses e palestinos.
Duas frases tentam explicar o conflito. Numa, uma mãe israelense diz: “pelo lar que temos, tudo isso se justifica”. Na outra frase, um jovem palestino explica: “pelo lar que queremos, tudo isso se justifica”.