​Ex-prefeita petista, rompida com atual prefeito a quem apoiou, anuncia candidatura

  • Cesar Colleti
  • Publicado em 24 de junho de 2016 às 08:35
  • Modificado em 8 de outubro de 2020 às 17:49
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Em 2015, após ter sido eleito com apoio de Maria Helena, atual prefeito rompeu acordo político

A professora Maria Helena Borges Vannuchi, nascida em Ipuã, que completa 70 anos em agosto próximo governou a cidade de São Joaquim da Barra em dois mandatos (2005-2008 e 2009-2012) pelo Partido dos Trabalhadores.

Maria Helena foi eleita vereadora em 2000 com 1.592 votos. Em 2004 se candidatou a prefeita pela primeira vez, somando 12.606 numa coligação que reuniu PT, PL, PSB, PV e PC do B.

Candidata à reeleição em 2008 foi a vencedora, desta vez com 16.645 votos, coligando com o PT, os partidos: PDT, PT, PPS, PHS, PMN e PV.

Em 2014 foi candidata a deputada estadual, mas não teve sua votação computada por problemas com a Justiça Eleitoral, que segundo ela, neste ano, não impedirão sua candidatura. 

Em 2015, depois de ter sido eleito com apoio de Maria Helena e do PT, o atual prefeito Marcelo Mian, que foi seu vice, trocou o PT pelo PPS, rompendo com o grupo que o elegeu.

Agora, Mian é pré-candidato à reeleição e terá como adversários dois ex-prefeitos da cidade: o engenheiro Wagner Schmidt e a professora Maria Helena, sua ex-aliada.

Ao sair, em 31 de dezembro de 2012, Maria Helena deixou no cargo seu então vice, Marcelo Mian. Eleito, Mian mudou de partido e rompeu com o grupo de Maria Helena, que conta também com seu marido, o advogado José Ivo Vannuchi, homem de confiança nos governos Lula e Dilma e que ocupou a subchefia de Assuntos Federativos da Secretaria de Governo ao lado do ex-prefeito de Franca, Gilmar Dominici.

Maria Helena Borges Vannuchi, que é professora do Ensino Médio, recebeu a reportagem do Jornal da Franca para uma breve entrevista que reproduzimos a seguir:

Como cidadã e ex-prefeita, que avaliação a senhora faz do atual governo de São Joaquim da Barra?

Maria Helena Borges Vannuchi – Esperava mais. Aliás, penso que todo mundo esperava muito mais. Esperava mais dedicação. Contava que o Gabinete continuasse de portas abertas, como mantive quando Prefeita. Esperava mais atenção com as pessoas.

Na Saúde, esperava que não faltassem remédios; que os exames mais caros – como eletro, tomografia, ressonância – tivessem sido mais acessíveis a quem precisasse; esperava que os diabéticos continuassem, como era comigo, recebendo normalmente aparelhos e fitinhas.

Infelizmente, não foi assim, faltou muita coisa… Agora, as coisas começam a acontecer. Pudera, é véspera da eleição…

Esperava que cuidasse melhor da cidade, com manutenção na cidade inteira, e permanente. E não só no centro. Que, principalmente nos bairros, as ruas não ficassem esburacadas, lâmpadas queimadas, lixo acumulado, falta de varrição, mato nos terrenos baldios…

Que programas, como o “Café da Manhã do Trabalhador Rural”, de forte impacto social e baixo custo, não tivessem sido extintos. Assim como tivessem tido continuidade outros programas de intensa participação dos joaquinenses, como o Orçamento Participativo, Governo nos Bairros, Feira do Livro na Praça 7.

Que uma obra importante, como o Centro Cultural, não fosse paralisada. Quanto a obras, agora a gente vê um corre-corre para inaugurá-las antes da eleição. Tudo bem, é do jogo… Mas ninguém esquece que durante 3 anos e meio as únicas obras entregues foram duas pequenas rotatórias, na Vila Sônia e no Pedro Chediack – nesse bairro, aliás, faz meses que uma ponte está desbarrancando e a Prefeitura, nada! Convenhamos, é muito pouco.

A senhora poderia relembrar aos leitores os principais motivos que a levaram a romper politicamente com a atual administração?

Maria Helena – Esta pergunta tem de ser feita ao Prefeito. O rompimento partiu dele. Foi ele quem saiu do partido que o elegeu. Ele que deixou pra trás os companheiros que deram tudo de si para elegê-lo. Saiu, sorrateiramente, sem dar nenhuma explicação ao conjunto do Partido. Não se explicou, não apresentou suas eventuais divergências… Saiu, simplesmente. Foi lamentável o jeito como agiu.

Pior, trabalhou de forma desleal para tirar do partido tantos filiados quantos pode. E não apenas os três vereadores. Jogou pesado, inclusive pressionando filiados que eram seus assessores – algum desses não suportaram a pressão e deixaram o partido, porque precisam do emprego.

No episódio da UPA – Unidade de Pronto Atendimento -, que foi a senhora quem conseguiu, como ex-prefeita e responsável pela obra, se sentiu desrespeitada?

Maria Helena – Penso que esteja falando da UPA 24 horas. É um Programa do Governo Federal, que teve início com o Presidente Lula, e continuidade com a Presidente Dilma.

Há uma polêmica na cidade, para identificar quem merece os louros pela obra, o atual Prefeito ou eu? A bem da verdade vou explicar: quando ainda Prefeita, por ocasião da vinda do então Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a São Joaquim da Barra para inaugurar o PSF “Aparecido Ferreira Borges”, no Bairro João Paulo II, fiz-lhe um pedido – que a cidade fosse contemplada com uma Unidade de Pronto Atendimento – UPA. Mostrei-lhe, inclusive, dois terrenos de propriedade do Município onde ela poderia ser construída.

O Ministro Padilha, de pronto, acatou nosso pedido, e, logo em seguida, a conquista foi formalizada oficialmente. Inclusive, foi repassado pela Presidenta Dilma o recurso financeiro para a construção, em valor significativo. Nessa altura do campeonato, terminou meu mandato.

O atual Prefeito foi quem a construiu, inclusive em terreno diferente daqueles que havia indicado. A obra foi entregue recentemente. E a gente torce para que ela seja um fator de melhora no atendimento da população.

Qual a posição política da senhora em relação à eleição à Prefeitura de São Joaquim?

Maria Helena – Minha posição política é a mesma de sempre. Hoje sou pré-candidata a Prefeita e, se for eleita, esperem de mim dedicação total e em tempo integral à cidade e aos joaquinenses. Serei Prefeita de todos, claro, mas terei um olhar muito especial para aqueles que mais necessitam de atenção e dos serviços públicos, os que, mesmo sendo maioria, geralmente não têm recursos, nem vez, nem voz.

Assim sendo, como estão os preparativos para a campanha, definição do vice, grupo de vereadores, coligações e convenções?

Maria Helena – Ainda estamos nas preliminares, organizando nosso time e conversando com outras forças políticas locais. O certo é que, até o momento da definição do quadro de candidatos e/ou coligações, e esse momento é definido pela Justiça Eleitoral, estaremos prontos para disputar em pé de igualdade as eleições, seja para prefeito e vice, seja para as onze vagas de Vereador.

No atual cenário político, qual sua mensagem, enquanto ex-prefeita e líder política, à população joaquinenses?

Maria Helena – Esperem de mim uma campanha de alto nível, com apresentação de propostas que busquem solução para os maiores problemas que afligem nossa gente. Sem demagogia, sem utopia. Propostas que caibam no orçamento público e possam viabilizar-se ao longo dos 4 anos do mandato. Campanha alegre e participativa. Forte, cheia de entusiasmo. Respeitosa, porém, com os adversários. Respeitosa principalmente com a nossa população. 



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