Violência doméstica cresce em Franca: por dia, pelo menos um caso é registrado

Em todo o estado, crimes contra mulheres aumentaram 14% nos últimos três anos

Postado em: em Cotidiano

De janeiro a abril deste ano, 54 mulheres foram vítimas de feminicídio no Estado de São Paulo contra 35 no mesmo período de 2018. Não bastasse isso, os crimes de lesão corporal por violência doméstica contra mulheres aumentaram 14% nos últimos três anos em São Paulo.

Essa estatística foi calculada com base em informações obtidas pelo portal com a Secretaria de Segurança Pública via Lei de Acesso à Informação.

Segundo esses dados, foram registrados, no primeiro trimestre de 2016, quase 4 000 casos de lesão corporal no âmbito da violência doméstica. Nos primeiros três meses de 2019, foram 7 907 ocorrências dessa natureza. Isso mostra que, de janeiro até maio de 2019, 88 mulheres foram agredidas por dia por seus maridos, namorados ou ex-companheiros, o que representa, em média, 3,6 casos por hora.

Em Franca, a situação não é muito diferente. De acordo com dados da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), por dia, pelo menos uma mulher é agredida na cidade e, quando se trata de outras formas de violência doméstica, além da lesão corporal, como ameaça, calúnia, injúria, difamação e injúria, esse número tende a ser ainda maior, o que representa uma média de quatro mulheres vítimas por dia.

Por conta disso, o governo do estado lançou no último dia 13 de junho, uma campanha publicitária contra o feminicídio. No vídeo da campanha, mulheres que sofreram agressões de seus ex-companheiros aparecem o "objetivo de despertar o engajamento de toda a sociedade no combate à violência doméstica, inclusive com denúncias de agressores à polícia e à Justiça". Uma delas é Daniela Gasparim, que teve mãos e dedos cortados "devido ao ciúme do ex-marido".

O vídeo termina com a frase: "feminicídio, repudie, denuncie".

O governador de São Paulo, João Doria, também relembrou as medidas adotas pelo seu governo contra a violência doméstica. O governo paulista já inaugurou em 2019 dez Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) que atuam em sistema 24 horas. O serviço funciona em Sorocaba, Santos, Campinas e na capital.

Das 133 DDMs de todo o estado, 16 ficam na Grande São Paulo e 108 estão no interior e litoral. Todas seguem o Protocolo Único de Atendimento, de forma a padronizar e humanizar o tratamento a mulheres vítimas de violência. Outra meta, segundo o governo, é que o acolhimento seja feito, prioritariamente, por delegadas e escrivãs.

Também foi lançado aplicativo SOS Mulher, em que mulheres que já contam com medidas protetivas podem acionar a polícia com um simples toque na tela do celular em caso de risco iminente. "As mulheres devem denunciar qualquer ameaça que recebam, dentro ou fora de suas casas, em qualquer circunstância", afirmou o governador.

Outro serviço em fase de implantação é a Casa da Mulher Brasileira. O centro especializado vai oferecer serviços como acolhimento 24h, delegacia e juizado de violência doméstica, cela de detenção para agressores e equipe multidisciplinar de apoio a vítimas.

O Novo Hospital Pérola Byington, segundo o governo, vai ampliar os serviços de saúde da mulher. A meta é ampliar em 50% a capacidade de atendimento em comparação ao atual Centro de Referência de Saúde da Mulher – no ano passado, foram cerca de 4.200 atendimentos. As obras devem começar em agosto.

No site da campanha é possível obter mais informações e acessar todos os endereços das Delegacias de Defesa da Mulher 24 horas no estado.

Desde 2015, a legislação prevê punições mais severas a casos de homicídios que se enquadrem em feminicídio, isto é, quando envolvem “violência doméstica e familiar e/ou menosprezo ou discriminação à condição da mulher”.


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