Vice-presidente da Fiesp diz: “Indústria da Franca não deixa o Brasil descalço”.

  • Joao Batista Freitas
  • Publicado em 25 de maio de 2021 às 13:30
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As estatísticas da Diretoria Regional do CIESP de Franca demonstram o significado econômico do setor nos 19 municípios de sua jurisdição, nos quais vivem 585 mil habitantes.

Rafael Cervone, vice-presidente da Fiesp e do Ciesp, fez um artigo especial para Franca na comemoração do dia da indústria.

No texto, ele destacou a tradição francana na indústria calçadista e seu pioneirismo em vários setores, o que serviu de exemplo para a indústria brasileira.

Leia abaixo o texto preparado por Rafael Cervone.

Neste Dia da Indústria, 25 de maio, as estatísticas da Diretoria Regional do CIESP de Franca demonstram o significado econômico do setor nos 19 municípios de sua jurisdição, nos quais vivem 585 mil habitantes.

São três mil empresas, que empregam 30 mil trabalhadores, nos segmentos de calçados, solados de borracha, couro/curtume, máquinas para sapatos e componentes, produtos químicos, açúcar, álcool, implementos agrícolas, autopeças, sementes, adubos, alimentos, torrefação de café e gráficas.

Há, também, um Arranjo Produtivo Local (APL) da área calçadista.

Informações da Fundação Seade – Sistema Estadual de Análise de Dados reforçam a importância da indústria na Região Administrativa de Franca, onde o setor é responsável por 30,89% dos empregos formais, paga salário médio de R$ 2.659,70, o maior dentre todas as atividades, e contribui com 24,24% para o Valor Adicionado.

Os números não deixam dúvidas sobre o quanto é prioritário trabalhar pelo fortalecimento e maior competitividade do setor.

É uma agenda muito relevante para o País, pois as nações que conseguiram dobrar sua renda média num período de apenas 15 anos foram aquelas que elevaram sua participação a um patamar acima de 20% do PIB.

Por isso, precisamos vencer as barreiras que continuam dificultando seu avanço, como o atraso do marco legal, insegurança jurídica, burocracia, impostos exagerados, baixa disponibilidade de crédito e todos os fatores referentes ao chamado “Custo Brasil”.

Não podemos mais perder tempo. Na década recém-terminada, de 2011 a 2020, o mundo cresceu 30% e o Brasil, apenas 3%.

Por isso, teremos de realizar em plena crise da Covid-19 o que negligenciamos há muitos anos, a começar pelas reformas estruturais, principalmente a tributária e administrativa, e adoção de uma eficaz política industrial, para que o setor tracione o desenvolvimento nacional.

Os números são incontestáveis quanto ao significado da indústria: apesar de representar 11% do PIB, responde por mais da metade das exportações de bens, 69,2% do investimento empresarial em P&D, 33% da arrecadação de tributos federais, 25% do total nacional de impostos e 31,2% da arrecadação previdenciária patronal; emprega 20,4% dos trabalhadores brasileiros; e é a atividade que mais promove a difusão de tecnologia e produtividade, segundo dados do IBGE.

Porém, o setor enfrenta grave perda de competitividade. Estudo do Movimento Brasil Competitivo (MBC) revelou que produzir no Brasil custa anualmente R$ 1,5 trilhão a mais, cerca de 22% de nosso PIB, do que na média dos países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Precisamos reagir de imediato, inclusive mobilizando as empresas, por meio de nossas entidades de classe no Estado de São Paulo – o CIESP e a FIESP –, para influenciar a modernização das leis que regem a economia e a adoção de uma política industrial eficaz e duradoura.

Isso é decisivo para o Brasil crescer de modo sustentável, promover aumento e melhor distribuição da renda e alcançar um patamar mais elevado de desenvolvimento.

Também é fundamental capacitar os recursos humanos atuais e as futuras gerações para as mudanças em curso e o advento da inteligência artificial, internet das coisas, robotização, machine learning e digitalização da economia, cujo advento foi acelerado pela pandemia.

Nesse aspecto, a educação, ainda precária no Brasil, tem missão relevante, fator que demonstra o significado do Sesi-SP e do Senai-SP, vinculados à FIESP, exemplos de excelência no ensino, que prestam serviços inestimáveis aos industriários, suas famílias e a toda a sociedade.

Os desafios são muitos. Porém, os industriais são resilientes, capazes de superar adversidades e têm demonstrado muita competência para manter suas empresas vivas e gerar empregos em cenários desfavoráveis, como se observa em Franca e região.

Por isso, apesar das dificuldades atuais e da grave crise relativa à pandemia, celebramos este Dia da Indústria com esperança e a certeza de que o setor será protagonista de um novo e próspero Brasil.

*Rafael Cervone é vice-presidente da Fiesp/Ciesp (Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo).


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