Especialistas explicam como essas bebidas afetam o cérebro, o sistema nervoso e o intestino, e por que o consumo frequente merece atenção
Álcool e refrigerantes podem agravar sintomas de depressão. Entenda os efeitos dessas bebidas no cérebro, humor e saúde mental (Foto Shutterstock)
A falta de energia, a tristeza persistente e o desinteresse por atividades antes prazerosas estão entre os sinais mais comuns da depressão.
Embora o transtorno tenha causas complexas, especialistas alertam que certos hábitos de consumo podem intensificar os sintomas, incluindo a ingestão frequente de álcool e refrigerantes.
Essas bebidas fazem parte da rotina de muita gente, mas seus efeitos no organismo vão além do imediato.
Dependendo da quantidade e da frequência, podem interferir no funcionamento do cérebro, no equilíbrio hormonal e até no intestino.
Álcool: efeito inicial engana, mas o impacto é depressor
É comum associar o álcool a um estimulante por causa dos efeitos iniciais, como sensação de euforia, desinibição e aumento da sociabilidade. No entanto, do ponto de vista biológico, ele é um depressor do sistema nervoso central.
De acordo com informações do site especializado Verywell Mind, o álcool interfere na comunicação entre o cérebro e o corpo ao atuar sobre o neurotransmissor GABA, responsável por reduzir a atividade cerebral.
Esse processo pode gerar relaxamento e sonolência, mas também prejudica a coordenação, a memória e o raciocínio.
Em doses mais altas ou consumido rapidamente, o álcool pode provocar efeitos graves, como perda de memória, desmaios e até risco de coma.
Efeitos comuns do consumo excessivo
Entre os efeitos colaterais mais frequentes estão pressão baixa, visão turva, dor de cabeça, náuseas, tontura, redução do tempo de reação e comprometimento das funções mentais.
Em casos mais intensos, podem ocorrer respiração lenta, perda de consciência e amnésia temporária.
Os impactos variam conforme a quantidade ingerida, a velocidade de consumo e fatores individuais, como metabolismo e predisposição genética.
Refrigerantes e o impacto no intestino e no humor
Outra bebida presente na rotina de muitas pessoas, o refrigerante também tem sido associado a maior risco de sintomas depressivos em alguns estudos.
Pesquisas citadas pelo Medscape apontam que alterações no microbioma intestinal podem estar entre os fatores envolvidos.
O intestino tem relação direta com a produção de neurotransmissores ligados ao bem-estar, como a serotonina. Alterações nesse equilíbrio podem influenciar o humor e a disposição.
Segundo especialistas, refrigerantes podem contribuir para esse cenário por diferentes mecanismos, como picos de glicose no sangue, inflamação e mudanças no sistema de recompensa do cérebro.
Açúcar, adoçantes e inflamação
Bebidas açucaradas ou com adoçantes artificiais liberam rapidamente substâncias no organismo, o que pode alterar o metabolismo e favorecer processos inflamatórios. Além disso, alguns adoçantes podem modificar a composição da microbiota intestinal.
Essas mudanças não significam, por si só, o desenvolvimento de depressão, mas podem agravar sintomas em pessoas já vulneráveis ou com histórico do transtorno.
Consumo consciente e atenção à saúde mental
Especialistas reforçam que o consumo eventual dessas bebidas não determina o surgimento da depressão. O transtorno envolve múltiplos fatores e exige avaliação médica para diagnóstico e tratamento.
Ainda assim, observar a frequência e a quantidade ingerida pode ser um passo importante para quem busca equilíbrio emocional.
Hábitos saudáveis, alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento profissional continuam sendo os principais aliados na prevenção e no cuidado com a saúde mental.