Vai viajar? Saiba como evitar enjoo em carros, navios e aviões em movimento

  • Nina Ribeiro
  • Publicado em 9 de julho de 2024 às 07:30
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A condição conhecida como cinetose pode causar náuseas, mal-estar e desconforto em pessoas mais sensíveis

Sensação de enjoo em viagens é comum, principalmente em crianças – foto Arquivo

 

A sensação de enjoo em viagens é bastante comum, especialmente em crianças, mas não significa nenhum problema grave de saúde.

Conhecida como cinetose ou “enjoo de movimento”, trata-se de uma condição que acomete pessoas mais sensíveis – e não uma doença específica – e ocorre devido a um descompasso entre o movimento que se enxerga e a sensação percebida pelo aparelho vestibular, um grupo de órgãos localizado na área interna do ouvido e responsável pelo equilíbrio corporal.

“Os sintomas são desencadeados quando há algum conflito nas informações sensoriais relacionadas à visão, ao equilíbrio e à orientação espacial”.

“É o que acontece quando estamos em meios de transportes, mas o problema é especialmente frequente em navios, enquanto não é tão comum em aviões, onde a sensação de movimento é menor”, diz a médica Nathália Prudencio, otorrinolaringologista especialista em tontura e zumbido.

As causas da cinetose não são conhecidas, mas o problema é observado com maior frequência em alguns grupos, como mulheres e em crianças entre 2 e 12 anos, segundo a médica.

“Nestes casos, o quadro tende a melhorar conforme elas crescem”, diz. Disfunções do sistema vestibular, ansiedade, depressão e alterações hormonais também são fatores que predispõem à condição.

Além do enjoo de movimento, as pessoas sensíveis podem experimentar uma variedade de outros sintomas durante a viagem, como tontura, palidez, sudorese, sonolência, mal-estar geral, dor de cabeça e desconforto gastrointestinal.

Os sintomas desagradáveis podem aparecer também em outras situações, como em montanhas-russas e brinquedos de parques de diversões, caminhadas em trilhas sinuosas, simuladores de movimento e de realidade virtual, vídeos com movimentos rápidos ou jogos videogame com perspectiva em primeira pessoa.

Tratamento

O diagnóstico é geralmente clínico, baseado nos sintomas relatados pelo paciente. “Não costuma haver a necessidade de exames específicos”.

“No entanto, se o mal-estar for persistente, intenso ou acompanhado de outros problemas de saúde, é fundamental buscar orientação médica para descartar possíveis condições subjacentes”, comenta Stephanie Araújo, nutricionista dos Hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, em Curitiba (PR).

A cinetose pode ter os sintomas aliviados com a exposição prolongada ao estímulo responsável por gerá-los, conforme o organismo se habitua a essa situação.

“Apesar de não ser grave, ela pode causar um grande desconforto e até impedir o paciente de realizar certas atividades. Por isso, existem algumas medidas que podem ser adotadas para lidar com essas crises”, diz Nathália.

Para reduzir o risco de enjoo, o ideal é optar por refeições leves e de fácil digestão antes e durante a viagem.

“É bom também evitar o excesso de cafeína e álcool, além de refeições pesadas, gordurosas ou muito condimentadas, que podem aumentar a sensação de desconforto”.

“Não fique em jejum prolongado, mantenha-se bem hidratado e tenha à disposição snacks leves, como biscoitos de água e sal, frutas ou barras de cereais”, orienta a nutricionista.

Alimentos como gengibre ou hortelã – consumidos em forma de chá, balas, cápsulas ou até mesmo frescos –, além de maçã e água de coco, são boas opções para diminuir o desconforto, segundo Stephanie.

“Lembre-se que cada pessoa é única e pode responder de forma diferente, portanto, é importante experimentar diferentes estratégias para descobrir o que funciona melhor”, diz.

Descansar bem antes da viagem, fazer pausas frequentes e manter o ambiente bem ventilado, evitando cheiros fortes, são outras recomendações que ajudam nas crises de cinetose.

“Vale, ainda, respirar lentamente e não ler ou usar o celular enquanto está em movimento”, aconselha Nathália.

Outra dica é optar por assentos onde o movimento é menos perceptível, como no meio do avião ou perto das asas, na parte da frente do carro ou no centro do navio.

“Fixar o olhar em um ponto no horizonte ou um local fixo também pode ajudar a reduzir a sensação de desorientação”, recomenda Stephanie.

Sinais de alerta

Quando as crises são frequentes, pode ser necessário o uso de medicamentos para controlar os enjoo.

“Em casos mais graves, em que a cinetose causa sintomas severos, podemos recomendar também a terapia de reabilitação vestibular, que consiste em um conjunto de exercícios que levarão a habituação a estímulos específicos, como a movimentação em viagens”, fala a médica.

Como os sintomas da cinetose são temporários, caso o desconforto persista ou apareça sem motivo aparente, é importante consultar um médico para fazer uma avaliação mais detalhada.

Pessoas idosas sem histórico da condição, que apresentem tontura ou náusea durante a viagem, também devem buscar ajuda especializada.

“É muito raro que pessoas com mais de 50 anos desenvolvam cinetose se nunca apresentaram o problema anteriormente. Então, se acontecer, é sinal de atenção”, alerta Nathália.

A médica ressalta, ainda, que os sintomas da cinetose aparecem durante a movimentação e não depois.

“Algumas pessoas sentem sensação de desequilíbrio ou tontura após desembarcarem de navios, carros e aviões e acreditam se tratar de cinetose. Mas, nesses casos, o provável é que esteja relacionado a um problema conhecido como mal de desembarque”, conta.

Conforme Nathália, o quadro começa após a exposição ao movimento passivo, como durante o trajeto, e faz com que a pessoa sinta tontura em terra firme, como se o sistema vestibular tivesse se adaptado ao movimento que o paciente foi exposto e não conseguisse voltar ao normal.

O mal do desembarque pode ser solucionado espontaneamente em alguns dias ou semanas. “Mas, em alguns casos, pode permanecer por um longo período, necessitando de tratamento, o que é feito, principalmente, por meio do uso de medicamentos e reabilitação”, explica.

*Informações Casa e Jardim