Automação de tarefas com inteligência artificial levanta alerta sobre perda da capacidade crítica
O uso crescente da inteligência artificial (IA) por estudantes e profissionais tem despertado preocupações entre educadores, especialistas em tecnologia e gestores.
Se por um lado a tecnologia oferece agilidade, produtividade e soluções práticas para diversas tarefas, por outro, o uso indiscriminado pode comprometer o desenvolvimento do pensamento crítico e da autonomia intelectual.
Na rotina de trabalho, assistentes virtuais e ferramentas de IA já escrevem e-mails, criam relatórios, elaboram apresentações e até tomam decisões baseadas em dados.
Em ambientes acadêmicos, estudantes têm recorrido à IA para resolver exercícios, redigir textos e produzir trabalhos completos, muitas vezes sem sequer compreender o conteúdo.
Opiniões
Para a psicopedagoga Ana Luiza Martins, o problema não está na ferramenta, mas na forma como ela é utilizada. “A IA pode ser uma aliada poderosa, mas está sendo usada como muleta. Quando não se reflete sobre o que se faz, perde-se o hábito de pensar, de questionar, de construir ideias próprias”, afirma.
Além disso, especialistas alertam para a chamada “preguiça cognitiva”, em que o cérebro se desacostuma a resolver problemas de forma ativa. “É como um músculo que não se exercita: atrofia”, resume o neurocientista Bruno Torres.
Escolas e universidades têm buscado adaptar suas práticas pedagógicas, incentivando o uso ético da tecnologia e promovendo avaliações que valorizem a interpretação e o raciocínio.
No mercado de trabalho, empresas também começam a valorizar habilidades humanas como criatividade, empatia e pensamento estratégico — capacidades que, por enquanto, não podem ser replicadas por algoritmos.
O equilíbrio entre usar a tecnologia como ferramenta e manter a mente ativa é, segundo os especialistas, o maior desafio desta nova era digital.