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São Paulo realiza 1º transplante de pulmão bem-sucedido no país após Covid-19

  • Robson Leite
  • Publicado em 17 de maio de 2021 às 06:30
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Com o sucesso da cirurgia, a equipe do Albert Einstein tem esperanças de seguir com o procedimento em outros pacientes.

O empresário José Hipólito, que recebeu um pulmão transplantado depois de sofrer com o coronavírus

A medicina brasileira deu mais um passo de evolução este ano. Um transplante de pulmão inédito em nosso país foi realizado em São Paulo, pela equipe médica do Hospital Israelita Albert Einstein.

O paciente é o empresário alagoano José Hipólito Correia Costa, de 61 anos. Ele teve o órgão destruído pela Covid-19, com uma fibrose irreversível.

O transplante aconteceu em fevereiro e só foi divulgado agora, por decisão médica. O paciente teve uma boa recuperação e já segue uma rotina normal.

Procedimento inédito

A cirurgia do José Hipólito é muito comemorada. Um outro paciente já tinha passado pelo procedimento antes, mas não resistiu.

No mundo, foram documentados cerca de 50 transplantes desde o início da pandemia.

“Se não tivesse ocorrido o transplante, certamente o paciente já teria morrido”, diz o cirurgião torácico Marcos Samano, coordenador de transplante pulmonar do Einstein e professor da USP.

A cirurgia demorou dez horas e envolveu sete profissionais. O paciente ainda ficou conectado a duas Ecmos simultâneas: a que ele já estava ligado antes e outra usada durante o transplante.

“Para a alegria geral, os dois equipamentos foram desconectados logo após o procedimento”, afirma Dr. Marcos.

Recuperação

José Hipólito está internado há 7 meses e espera logo receber alta. Ele já respira normalmente sem a ECMO, após ficar ligado à máquina durante 88 dias antes da cirurgia.

A recuperação, no entanto, envolveu altos e baixos. Ele perdeu massa muscular, teve complicação neurológica e convulsões, com rebaixamento do nível de consciência, devido ao uso das medicações imunossupressoras.

“Foi o ponto de maior preocupação, mas, depois de alguns dias, ele se recuperou bem”, diz o médico.

Com a saúde indo bem, José faz planos para o futuro. Ele diz que, assim que tiver alta, quer voltar a andar na orla de Maceió.

“Quero caminhar na Ponta Verde, Pajuçara, Jatiúca, que é o que eu adoro na vida. E quero voltar a fazer o Caminho de Santiago ainda este ano.”

Para ele, as caminhadas são formas de autoconhecimento. “Dá uma paz interna, eu converso comigo mesmo.” Questionado sobre o qual o melhor momento nos sete meses de internação, não titubeou: “Será a minha alta”.

O caso de José Hipólito levantou vários debates técnicos e éticos. Entre os pontos levantados estão as condições reais e necessárias para um paciente passar por esse transplante com risco mínimo.

Com o sucesso da cirurgia, a equipe do Albert Einstein tem esperanças de seguir com o procedimento em outros pacientes.


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