Ranço compartilhado: antipatia e falar mal de alguém une mais as pessoas, diz estudo

  • Nina Ribeiro
  • Publicado em 6 de julho de 2026 às 19:30
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Pesquisa revela que compartilhar atitudes negativas sobre terceiros é um “agente de ligação” mais poderoso para criar intimidade do que afinidades positivas

Descubra por que a ciência aponta que o “ranço” compartilhado une as pessoas mais rápido do que a positividade e confira os dados do estudo (Foto Magnific)

 

O senso comum costuma ditar que a afinidade e o início de grandes amizades são impulsionados pelo compartilhamento de preferências positivas, como hobbies, músicas e visões de mundo semelhantes. Mas um estudo descobriu que o “ranço” compartilhado pode fortalecer ainda mais uma relação.

No entanto, uma linha de investigação científica conduzida de forma conjunta pelas universidades de Oklahoma e do Texas, nos Estados Unidos, demonstrou que a antipatia mútua em relação a uma terceira pessoa atua como um motor de conexão social muito mais rápido e eficiente entre indivíduos desconhecidos.

Os pesquisadores estruturaram o mapeamento do comportamento social em três etapas metodológicas distintas, combinando inventários retrospectivos de relacionamentos reais com experimentos de laboratório controlados.

Nas primeiras fases, os cientistas avaliaram o histórico de amizades estáveis de universitários, catalogando quais memórias e sentimentos mútuos sobre terceiros — como professores, chefes ou figuras públicas — operaram como o ponto de virada para a intimidade.

Simulação de Conexão Entre Estranhos

A terceira fase do experimento foi desenhada para isolar variáveis e estabelecer relações diretas de causa e efeito no momento em que duas pessoas se conhecem.

Os voluntários foram instruídos a ouvir diálogos gravados de indivíduos fictícios e a emitir julgamentos sobre eles, sendo posteriormente informados de que conheceriam um parceiro de dinâmica que compartilhava exatamente da mesma opinião, fosse ela positiva ou negativa.

O resultado dos questionários de percepção revelou que a expectativa de entrosamento e a intenção de desenvolver um vínculo de amizade foram expressivamente maiores no grupo que descobriu compartilhar uma visão crítica e negativa sobre o personagem.

Os dados provaram que, ao contrário do que a maioria das pessoas declara acreditar, a união por meio de um desagrado compartilhado é o mecanismo mais frequente na fundação de laços sociais.

O Papel das Antipatias Moderadas no Grupo

Os analistas de psicologia social constataram que a descoberta de uma afinidade positiva só gera um impacto significativo de aproximação se ambos os envolvidos manifestarem alta intensidade e paixão pelo tema em debate.

Em contrapartida, as atitudes negativas moderadas ou leves funcionam como uma ferramenta segura de sondagem comportamental, permitindo testar os limites do interlocutor sem a necessidade de expor valores pessoais profundos.

Compartilhar essa negatividade “suave” ajuda a estabelecer rapidamente as fronteiras entre quem pertence ao grupo (nós) e quem está fora dele (eles), o que aumenta a autoestima e a sensação de pertencimento desde o início.

Fonte: CNN


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