Você já reparou que, quando seu filho está concentrado em alguma atividade, acaba colocando a língua para fora?
As áreas do cérebro que controlam a língua estão próximas das que coordenam os movimentos finos, como escrever ou desenhar (Foto Canaltech)
Você já reparou que, quando seu filho está concentrado em alguma atividade, acaba colocando a língua para fora?
Saiba que isso é muito comum e totalmente involuntário — não se trata de uma mania. Existe até uma explicação científica: o fenômeno é chamado de ‘estouro motor’ e foi descrito em um estudo publicado pelo jornal acadêmico Frontiers in Psychology.
“As áreas do cérebro que controlam a língua estão próximas das que coordenam os movimentos finos, como escrever ou desenhar”, explica Dalila Stalla, coordenadora de psicologia da Rede Hospital Casa (RJ).
Neurônios “transbordando”
Assim, quando os neurônios responsáveis pelos movimentos das mãos são ativados, acabam “transbordando” para o tecido neural vizinho, que também controla a língua.
“Como as crianças ainda estão desenvolvendo o controle sobre o corpo, esse movimento acaba acontecendo de forma natural e involuntária”, afirma a especialista.
Mas, afinal, colocar a língua para fora ajuda mesmo a criança a se concentrar? “Embora não melhore diretamente a concentração, ele reflete o esforço do cérebro em focar. É como se o corpo inteiro participasse da tarefa, ajudando a bloquear distrações externas”, diz Dalila Stalla.
É preciso corrigir a criança quando ela coloca a língua para fora?
Os pais não precisam se preocupar ou ficar sempre corrigindo quando verem os filhos com a língua para fora quando estão concentrados.
“É um comportamento típico do desenvolvimento infantil, principalmente entre os 3 e 7 anos, fase em que as crianças ainda desenvolvem o controle motor e inibitório”, diz Dalila Stalla.
A atitude involuntária tende a desaparecer com o tempo, à medida que o cérebro amadurece e o controle motor se aperfeiçoa, como explica a especialista.
“Embora raro, também pode ocorrer em adultos durante momentos de concentração intensa, mas, nesse caso, tende a ser mais discreto e rapidamente controlado”, finaliza.