Especialistas apontam que a cleptomania exige abordagem multidisciplinar, com acompanhamento psicológico
A cleptomania é um transtorno do controle dos impulsos caracterizado pelo impulso recorrente e incontrolável de furtar objetos, geralmente sem valor significativo ou utilidade pessoal. Diferentemente do furto praticado por necessidade financeira ou com objetivo de lucro, a cleptomania está associada a uma tensão crescente antes do ato e a uma sensação momentânea de alívio ou prazer logo após a subtração, seguida, muitas vezes, de culpa e vergonha.
Do ponto de vista legal, a cleptomania não deixa de gerar consequências. A legislação penal brasileira não distingue, de forma automática, o furto motivado por um transtorno psicológico daquele cometido de forma consciente e planejada. Assim, a pessoa flagrada pode responder criminalmente, sofrer sanções como prisão, multa ou responder a processos judiciais, independentemente do diagnóstico. Em alguns casos, a condição pode ser considerada em avaliações médicas e judiciais, mas isso não significa isenção imediata de responsabilidade, tornando o problema ainda mais delicado para quem sofre do transtorno.
No campo social, os impactos também são significativos. Pessoas com cleptomania podem enfrentar estigmatização, perda de credibilidade, rompimento de vínculos familiares e profissionais e dificuldades de convivência. A repetição dos episódios pode levar a demissões, restrições de acesso a estabelecimentos comerciais e isolamento social, agravando quadros de ansiedade e depressão que frequentemente acompanham o transtorno.
Outros desconfortos
Além disso, a prática recorrente do furto, mesmo quando associada a um problema de saúde mental, gera prejuízos ao comércio e alimenta um ambiente de desconfiança, afetando a relação entre consumidores e lojistas. Em um contexto mais amplo, contribui para o aumento dos custos de segurança e para a judicialização de conflitos que poderiam ser minimizados com informação e tratamento adequado.
Especialistas apontam que a cleptomania exige abordagem multidisciplinar, com acompanhamento psicológico e, em alguns casos, psiquiátrico. O diagnóstico precoce e o tratamento contínuo são fundamentais para reduzir os impactos legais e sociais, ajudando o indivíduo a controlar os impulsos e a evitar situações que possam comprometer sua liberdade, sua reputação e sua integração na sociedade.