Pesquisa mostra que 80% dos brasileiros buscam alimentação saudável

  • Cesar Colleti
  • Publicado em 23 de maio de 2018 às 14:01
  • Modificado em 8 de outubro de 2020 às 18:45
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Segundo a pesquisa da Fiesp, internet se tornou a principal fonte de informações sobre alimentação

A maioria dos brasileiros se esforça
para manter uma alimentação saudável, buscando consumir produtos mais frescos e
nutricionalmente ricos. O resultado faz parte de levantamento inédito divulgado
nesta quarta-feira, 23 de maio, pela Federação das Indústrias do Estado de
São Paulo (Fiesp).  

Oito em cada dez brasileiros afirmam
que se esforçam para ter uma alimentação saudável e 71% dos entrevistados
apontam que preferem produtos mais saudáveis, mesmo que tenham que pagar caro
por eles. O mesmo percentual (71%) admite estar satisfeito com a própria
alimentação.

A pesquisa ouviu 3 mil pessoas com
mais de 16 anos em 12 regiões metropolitanas brasileiras, entre setembro e
outubro do ano passado. A margem de erro é de 1.8 pontos percentuais. O
levantamento também compara os resultados atuais com o último estudo, feito em
2010.

Apesar da constatação de que os
brasileiros têm buscado se alimentar melhor, a pesquisa verificou algumas
contradições.

A percepção de “ter comido demais”
aumentou nos últimos sete anos, passando de 52% em 2010 para 56% no ano
passado. Na hora de escolher entre um alimento mais saudável e outro com melhor
sabor, 61% admitiram preferir aqueles mais saborosos – alta de cinco pontos
percentuais em relação a 2010. O índice de brasileiros que consideram a comida
saudável muito sem gosto também é significativo, de 54% em 2010 e 52% em 2017.

Internet

A pesquisa também revelou a mudança
na fonte usada como busca de informações sobre alimentação e saúde.

Em 2010, a maior parte dos
entrevistados (40%) se informava pela televisão, 19% buscavam a internet e 20%
consultavam médicos ou nutricionistas. No ano passado, a internet se tornou a
principal fonte de informações, com 40% da participação, a televisão caiu para
24% e médicos e nutricionistas responderam por 18%.

O presidente do Instituto Locomotiva,
Renato Meirelles, voltado à pesquisa e estratégia, acredita que a influência
das informações obtidas na internet e redes sociais é uma tendência clara. “Em
ambiente de mensagens, as receitas só perdem para correntes religiosas”, disse
ele.

Influenciadores digitais e programas
de televisão criaram um fenômeno gourmet também na preparação de
alimentos em casa.

Outros fatores levados em conta são o
receio da violência nas grandes cidades em saídas para restaurantes e a redução
de custos, acentuada pela crise econômica. O número de pessoas que disseram não
ter tempo para cozinhar diminuiu de 46% para 38%. “Como a crise se prolongou
mais do que estamos acostumados, em termos históricos muitas mudanças foram
incorporadas”, avaliou Meirelles.

Nas gôndolas dos supermercados, a
expectativa é que, em dez anos, os consumidores passem a procurar por produtos
mais nutritivos e sem conservantes. “Cada vez mais, o consumidor vai buscar
informação, e vai começar a exigir mais da indústria para que entregue
qualidade e transparência na composição do produto”, disse o presidente do
instituto.

Agrotóxicos

Entre os aspectos considerados
importantes durante o processo de compra está a redução do uso de agrotóxico,
cujo índice subiu de 19% em 2010 para 20% no ano passado. O assunto é tema de
votação na Câmara dos Deputados, com o projeto que, na prática, revoga a atual
lei de agrotóxicos. Criticado por ambientalistas, com o projeto, o
registro dos agrotóxicos serviria apenas para produtos que apresentem risco
considerado “inaceitável” para a saúde humana e o meio ambiente.

O gerente do Departamento de
Agronegócio da Fiesp, Antônio Carlos Costa, defende que a legislação sobre o
uso de agrotóxicos seja modernizada. “Você precisa ter mecanismos mais ágeis
para incorporar tecnologias. Se hoje um registro de produtos demora sete ou dez
anos para acontecer, isso significa que a gente está abrindo mão de novas
tecnologias, que geram menos impactos e estariam disponíveis caso esse processo
fosse mais rápido”, disse.