Moradores de rua seguem espalhados por Franca e na mira das críticas da população

  • Marcia Souza
  • Publicado em 3 de outubro de 2025 às 13:00
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As queixas envolvem desde o incômodo visual e a sensação de insegurança até casos de polícia

Moradores de rua são, atualmente, fonte de preocupação e reclamação para muitos habitantes de Franca. A presença concentrada no centro da cidade, em locais de grande circulação, e na região da Vila Formosa, onde fica o Centro Pop, incomoda, segundo relatos de comerciantes, moradores e transeuntes.

As queixas envolvem desde o incômodo visual e a sensação de insegurança até casos mais graves: alguns moradores de rua praticam delitos como tráfico de drogas, uso de entorpecentes e álcool em via pública, atos libidinosos, agressões e brigas entre eles.

Do ponto de vista legal, o poder público enfrenta barreiras para intervir. A Constituição Federal assegura liberdade de locomoção — o direito de ir e vir — para todos, inclusive para quem vive em situação de rua, a menos que cometa um crime punível pela lei.

Qualquer restrição maior precisa estar prevista em lei ou decorre de decisão judicial. Segundo o advogado e professor Vladimir Passos de Freitas, decisões judiciais e legislação reconhecem direitos dos moradores de rua, como o direito de permanecer em espaços públicos, contanto que não infrinjam a lei.

Direito garantido

Além disso, há leis federais que garantem acesso à assistência social, à saúde (inclusive sem comprovante de residência) e programas dirigidos a pessoas sem domicílio fixo. Também há em tramitação e em aprovações recentes iniciativas como o Estatuto da População em Situação de Rua, o qual busca consolidar direitos de forma mais ampla.

No entanto, moradores, especialistas e autoridades destacam que política pública fragmentada ou ineficiente contribui para que o problema persista. Situações como a falta de abrigos adequados, escassez de atendimento especializado (para saúde mental, dependência química), oferta insuficiente de programas de reinserção social e laboral, além de recursos limitados para tais frentes nos cofres públicos.

Em resumo, a situação gera conflito entre o desejo da população por ordem e segurança, e a obrigação do Estado de respeitar direitos constitucionais. Cabe às autoridades municipais, estaduais e federais, com apoio da sociedade civil, buscar soluções.

Essa é a única forma de enfrentar um desafio complexo que ultrapassa a questão de ordem pública e toca saúde, direitos humanos e justiça social, assim como o direito que o restante da população também tem de ir, vir e circular com segurança espaços públicos.


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