Médico alerta para os riscos do uso recorrente de antibióticos na infância

  • Joao Batista Freitas
  • Publicado em 22 de fevereiro de 2026 às 18:00
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Alergias, risco de doenças crônicas e desequilíbrio do intestino são consequências do uso excessivo dessa medicação na infância

Com o aumento dos quadros respiratórios e viroses ao longo do ano, muitos pais acabam seguindo rapidamente a recomendação de prescrição de antibióticos para aliviar os sintomas das crianças.

No entanto, mesmo quando obtidos de forma adequada, o uso repetido e sem necessidade real pode trazer prejuízos importantes à saúde infantil.

Em muitos casos, especialmente em infecções virais, o antibiótico não é indicado e outras medidas podem ser suficientes no tratamento inicial.

Em uma dor de garganta, por exemplo, a causa pode ser viral ou bacteriana, e a confirmação é feita por meio do exame de estreptococo, solicitado quando há sinais que sugerem infecção bacteriana.

Nem toda inflamação requer antibiótico e a avaliação clínica cuidadosa ajuda a evitar tratamentos desnecessários.

O que diz o pediatra

O uso frequente desses medicamentos nos primeiros anos de vida está associado a desequilíbrios no intestino, maior propensão a alergias, risco de doenças crônicas e possíveis impactos no desenvolvimento neurológico.

O pediatra Dr. Hamilton Robledo, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, explica como esses efeitos surgem e reforça a importância de um acompanhamento médico criterioso.

“Os antibióticos eliminam tanto bactérias nocivas quanto as benéficas, essenciais para a formação da microbiota intestinal. Esse desequilíbrio pode causar diarreias, desconfortos gastrointestinais e enfraquecimento da imunidade. Em situações de uso excessivo, há ainda relatos de associação com atrasos no desenvolvimento”, explica.

Para o Dr. Robledo, o cenário reforça a necessidade de atenção. “Quando a criança recebe antibiótico sem necessidade, especialmente para quadros virais, abrimos espaço para problemas que vão além daquele episódio de doença. A microbiota se altera, a imunidade perde eficiência e o risco de condições futuras aumenta. É uma interferência que pode acompanhar o indivíduo por muitos anos”, complementa.

Microrganismos

Outro ponto de preocupação é a resistência bacteriana. O uso inadequado fortalece microrganismos que deixam de responder a tratamentos tradicionais, reduzindo as opções terapêuticas para infecções graves.

Mesmo com esses riscos, o antibiótico continua indispensável quando há infecção bacteriana comprovada, como pneumonia, infecção urinária ou otite supurada.

A chave, segundo o especialista, é discernir quando o medicamento é realmente necessário e evitar que se torne a primeira resposta a qualquer febre ou mal-estar.

Dr. Robledo orienta pais e cuidadores a adotarem algumas práticas:

a) – Usar antibióticos somente diante de confirmação ou forte suspeita de infecção bacteriana, sempre com indicação médica;

b) – Evitar automedicação e não utilizar sobras de tratamentos anteriores;

c) – Não insistir em antibióticos para quadros virais;

d) – Manter vacinas e consultas de rotina em dia;

e) – Observar se a criança melhora com hidratação, descanso e controle de sintomas antes de considerar o uso do medicamento

Crescimento saudável

O especialista reforça que a responsabilidade é compartilhada entre pais e profissionais de saúde. “Quando usamos antibióticos com critério, protegemos não só o organismo da criança, mas também todo o arsenal que a medicina dispõe para tratar infecções sérias”.

Segundo o médico, “prevenção, acompanhamento adequado e informação são as melhores ferramentas para garantir um crescimento saudável”.


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